quarta-feira, junho 24, 2009

A vanguarda estudantil e a nossa Vontade

Walter Benjamin, em A vida dos estudantes, argumenta que o movimento estudantil precisa ser compreendido nas três dimensões do seu agir: a estamental(defesa de melhores condições de ensino e de vida para os estudantes, tais como moradia, alimentação, transporte, prédios, instalações), a política (defesa de liberdades públicas, contra ditaduras, contra decretos governamentais)e a cultural (liberdades individuais, como as de opção sexual ou de estilos de vida juvenis). Isto explicaria porque os estudantes não encerram sua participação na vida universitária e social na mera busca por uma qualificação profissional, organizando-se em centros acadêmicos, diretórios estudantis, partidos políticos, etc, revelando, em suas bandeiras, o desejo de sua geração.
No que se refere à greve dos estudantes da USP, percebe-se claramente que:
1. Se na geração de 1964 o objetivo era a promoção da diversidade, a busca por autonomia é a grande bandeira do movimento estudantil contemporâneo. Longe de significar a perda de relevância da busca pela igualdade com diversidade, buscar a autonomia demonstra que a atual geração estudantil traz consigo como Vontade a busca pela emancipação humana, onde poucos avanços tivemos por meio das políticas de governos e sistemas sociais herdados das gerações anteriores.
2. A autonomia vêm sendo buscada dentro de uma proposta democratizante e que reforça o papel do Estado na promoção do bem-estar social. Deste modo, o movimento estudantil denuncia a inadequação das propostas pretensamente liberais dos neoliberais, dentro das quais o Estado mínimo, a privatização, a desregulamentação e a globalização financeira eram apresentadas como supostos promotores do progresso social e indicativos do "fim da história".
3. A autonomia está sendo buscada no contexto do fortalecimento do Estado e do aprofundamento da democracia, de modo que a autonomia passa a ser entendida como uma condição para que as instituições públicas e, dentre elas, especialmente, a Universidade pública, tenham condições orçamentárias, de recursos e de planejamento para que possam agir enquanto promotoras do progresso social, dentro das suas respectivas áreas de competências .
4. Em termos práticos, isto significa que o momento histórico é oportuno para que os estudantes se unam em torno de uma causa necessária, suprapartidária e consensual: a redistribuição do poder decisório dentro da Universidade, acabando com o anacronismo dos conselhos universitários onde os estudantes têm capacidade marginal de afetar os rumos da Universidade.
5. Pode-se perceber que a diminuição do peso decisório dos docentes, respalda-se ainda na necessidade institucional de descobrir as Vontades reveladas pelo movimento estudantil por meio da geração que se apresenta ao dialogo e aos cuidados universitários. Agentes decisivos das transformações sociais vindouras, é preciso que a Universidade seja capaz de ouvir os seus estudantes, sob risco de perda de relevância. Os atuais conselhos passam muito longe de cumprir com esta função e este é o momento histórico para a sua transformação.
Todo apoio à greve dos estudantes da USP e à mudança dos conselhos universitários!