quinta-feira, julho 03, 2008

Conselho do CCJE inicia deliberação buscando a igualdade discente

Igualdade. Um dos valores iluminstas mais importantes, polêmicos e mobilizadores. A construção de uma sociedade onde não existam privilégios derivados de condição estamental ou nascimento. Esta utopia pode e realmente é impossível de ser alcançada em sua plenitude, mas quando buscada como um vir-a-ser conduz à construção de uma sociedade mais justa e desenvolvida.
Nossa universidade é pública. Teoricamente, não deveriam existir privilégios decorrentes da situação financeira e estamental dos pais dos estudantes matriculados. No entanto, a falta de livros na biblioteca, de bolsas de estudo, de parcerias com a comunidade externa à universidade, de cursos de língua estrangeira, disponíveis apenas àqueles que pdoem pagar, e de computadores em quantidade adequada; não apenas reforçam privilégios existentes como também prejudicam a assimilação de conhecimento dos estudantes pobres que conseguem entrar na Universidade Pública.
Depois de passar por todas as dificuldades derivadas de um ensino básico de pior qualidade, das relações sociais desfavoráveis em termos de criação de oportunidades, de precário acesso a livros didáticos, espaço para estudo e muitas vezes, familias instáveis; o mínimo que a Universidade Pública precisa disponibilizar a estes estudantes são condições equitativas de estudo. Ao contrário do que muitos elitistas argumentam, o estudante pobre que superou todas essas dificuldades, sendo muitas vezes o único de sua familia ou bairro a entrar no ensino superior, possui um incrível talento que precisa ser desenvolvido e aplicado na busca pela sua realização e a transformação/desenvolvimento de nossa sociedade.
Foi com estes argumentos que consegui, na última reunião do conselho do CCJE, a maior vitória de todos os meus mandatos. A partir da próxima reunião, serão discutidas ações buscando:
1. Compra de livros didáticos:
Alcançar oferta de 1 livro didático para cada cinco alunos, pelo menos das disciplinas dos quatro primeiros períodos. Combate ao roubo de livros da biblioteca. Modernização da biblioteca Eugênio Gudin.
2. Ampliação das Bolsas de estudo:
Serão discutidas a criação de bolsas Pet, reembolsáveis, para estudantes pobres, além de bolsas associadas à extensão universitária, onde o estudante recebe para prestar serviços às comunidades próximas à universidade, orientadas por pesquisadores da universidade. Proposta semelhante à apresentada por Cristóvão Buarque na campanha presidêncial de 2006.
3. Oferta de cursos de Inglês:
A Universidade não exige Inglês fluente no vestibular, mas o mercado de trabalho o exige, caracterizando um terrível corte de classe disfarçado de critério "técnico". Discutiremos a oferta de cursos de Inglês para os estudantes do CCJE.
Espero, com estas ações inspirar meus anacrônicos colegas do movimento estudantil, para que abandonem o extremismo e a violência e comecem a construir praticamente uma Universidade democrática e de qualidade.
Abs!

Resgate de reféns fortalece Uribe e enfraquece Chávez, diz analista

Bruno GarcezDa BBC Brasil em Washignton

Para analista, resgate reforça suposto viés militarista de Uribe

O resgate de 15 reféns pelo Exército colombiano, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, deverá fortalecer o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e marginalizar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmam analistas ouvidos pela BBC Brasil.
Segundo o vice-presidente do instituto de pequisas Inter American Dialogue e diretor do programa andino do órgão, Michael Shifter, a ação militar da Colômbia ''certamente irá marginalizar Hugo Chávez, que dizia ser o mais capaz de libertar reféns, por conta de contar com mais legimitidade aos olhos das Farc (o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que mantinha os reféns em cativeiro)''.
Chávez passou a atuar como mediador entre o governo colombiano e as Farc em agosto de 2007.
Em novembro do ano passado, Uribe anunciou o fim da mediação do presidente venezuelano, alegando que ele havia desrespeitado um acordo entre os dois, segundo o qual não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.
O episódio provocou uma crise diplomática entre a Venezuela e a Colômbia. Em janeiro deste ano, as Farc libertaram a ex-candidata à vice-presidência da Colômbia Clara Rojas e a ex-deputada Consuelo Gonzalez.
A libertação foi obtida após Uribe permitir o retorno de Chávez às negociações.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, também vinha desde sua posse, em maio de 2007, fazendo pressão pela libertação dos reféns, já que Ingrid Betancourt tem cidadania francesa.
''Agora, o governo colombiano obteve esta vitória sem o apoio dos europeus e sem a participação de Chávez. Isso fortalece o papel deles e enfraquece o papel de Chávez como agente de paz'', afirma Shifter.
"Estado precário"
Para Adam Isacson, diretor do Projeto Colômbia do instituto de pesquisas Center for International Policy, o resgate mostra que as Farc estão ''em um estado tão precário que nem conseguem dar conta de seus reféns''.
Na opinião do analista, a ação de resgate reforça o suposto viés militarista adotado por Uribe em detrimento à saída diplomática.
''É uma gigantesca vitória para ele e uma derrota para aqueles que eram contra a opção de pôr fim ao problema à base de tiros'', afirma.
''Uribe mostrou que o lado humanitário, o bem-estar de reféns, também é uma de suas preocupações. Ele já conta com uma popularidade (entre os colombianos) na faixa de 84%, isso deverá ampliá-la ainda mais'', diz Shifter.
Ele acredita que com a perda de seus mais destacados reféns e, por conseguinte, suas principais fichas para possíveis barganhas políticas, as Farc tenderão a se fragmentar.
''Não significa que todas as frentes das Farc irão desaparecer, mas a habilidade deles em atuar como um Exército nacional se perdeu. Eles deverão se dividir em grupos menores e alguns deles deverão inclusive buscar alguma forma de entendimento com o governo.''
Estados Unidos
Apesar de julgar que a vitória política de Uribe deverá aproximar ainda mais a Colômbia dos Estados Unidos, Shifter acredita que o país sul-americano deverá seguir tendo problemas para firmar o acordo de livre comércio que tenta fechar com os americanos, devido a restrições da maioria democrata no Congresso.
''Os democratas deverão reconhecer o feito de Uribe, mas seguirão pressionando para que a Colômbia faça mais em defesa dos direitos humanos no país, o que deixará o acordo ainda longe de ser firmado'', afirma.
O tratado opõe os dois virtuais candidatos à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, que é contrário a ele, e o republicano John McCain, que é a favor do acordo.
O fato de o anúncio da libertação dos reféns ter sido feito durante a visita à Colômbia de McCain não deverá servir à campanha do republicano de forma expressiva, na opinião de Shifter.
''O efeito deve ser bem limitado. O apoio dado a Uribe pode até favorecer a imagem de McCain, mas não creio que os ganhos políticos serão tão grandes.''

Ingrid Betancourt é resgatada na Colômbia

BBC Brasil


Betancourt foi resgatada com outros 14 reféns em ação do Exército
Depois de mais de seis anos de cativeiro, a política colombiana Ingrid Betancourt foi resgatada nesta quarta-feira, em uma operação do Exército da Colômbia que libertou outros 14 reféns do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Vestida com um colete militar e com os cabelos presos sob um chapéu, Betancourt teve um encontro emocionado com a mãe, Yolanda Pulecio, e com outros familiares e amigos ao desembarcar de um avião da Força Aérea na capital da Colômbia, Bogotá.
Logo depois, ainda na base aérea de Bogotá, Betancourt contou como foi o resgate e disse que sua libertação é "um milagre".
"Obrigada ao Exército, por sua operação impecável", disse. "Não existem antecedentes históricos de uma operação tão perfeita."
Resgate
A operação de resgate, realizada nesta quarta-feira no Estado de Guaviare, no sul do país, envolveu agentes do Exército infiltrados nas Farc.
Leia também na BBC Brasil: Exército enganou guerrilheiro em 'operação cinematográfica', diz ministro colombiano
Segundo o governo colombiano, os 15 reféns foram resgatados sem que "nenhum tiro" tivesse de ser disparado.
O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que os rebeldes das Farc foram "enganados" pelos militares.
De acordo com Santos, os rebeldes entregaram os reféns pensando que seriam transportados no helicóptero de uma suposta organização de ajuda humanitária para outro campo, onde se encontrariam com o líder das Farc, Alfonso Cano.
A própria Betancourt disse que os reféns pensavam estar sendo transportados para outro cativeiro, como ocorria com freqüência.
Betancourt afirmou que só percebeu que se tratava de um resgate quando viu um de seus captores preso e vendado, no chão da aeronave.
Segundo ela, o comandante da operação disse então: "Somos o Exército nacional, vocês estão em liberdade".
"Saltamos, gritamos, choramos, nos abraçamos. Não podíamos acreditar nesse milagre", disse Betancourt.
Betancourt afirmou também duvidar que os líderes das Farc soubessem o que aconteceu.
Disse ainda esperar que os guerrilheiros que eram seus guardas e que ficaram na selva "não sejam sujeitos à justiça das Farc, porque não têm culpa do que aconteceu".
Reféns
Além de Betancourt, foram libertados três cidadãos norte-americanos, seqüestrados em 2003, e 11 policiais e soldados colombianos.
Eles faziam parte de um grupo de reféns considerados pelas Farc passíveis de troca por guerrilheiros presos em um eventual acordo com o governo colombiano.
Desse grupo, Betancourt, que tem dupla nacionalidade colombiana e francesa, era considerada a refém mais importante.
Ela foi seqüestrada pelas Farc em 2002, quando fazia campanha para as eleições presidenciais.
Em abril, em meio a relatos sobre o seu frágil estado de saúde, chegou-se a especular que Betancourt poderia estar morta. Na época, a política apareceu em um vídeo com semblante fraco e doente.
Em seu pronunciamento nesta quarta-feira, Betancourt pediu às Farc que libertem os demais reféns. Estima-se que cerca de 700 pessoas estejam em poder do grupo rebelde.
"Que este instante de felicidade não nos faça esquecer que isto é um milagre, que outros morreram", disse. "Vamos continuar lutando pela liberdade dos que ficaram."
Reações
O resgate de Betancourt e dos outros reféns foi comemorado por líderes de diversos países e festejado nas ruas de Bogotá e de outras cidades.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em uma nota esperar que, com a libertação de Betancourt, "tenha sido dado um passo importante para a libertação de todos os demais seqüestrados, a reconciliação de todos os colombianos e a paz na Colômbia."
Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, que fez da libertação de Betancourt uma prioridade de sua política externa, deu uma declaração no Palácio do Eliseu ao lado dos dois filhos da ex-refém.
Sarkozy felicitou as autoridades colombianas pelo sucesso da operação e lançou um apelo para que as Farc cessem “um combate absurdo e medieval”.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, telefonou ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para elogiar a libertação dos reféns.
Segundo o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, houve uma "estreita cooperação" dos Estados Unidos na operação de resgate, incluindo informações de inteligência, equipamentos e treinamento.
À noite, em um pronunciamento transmitido pela TV colombiana, Uribe felicitou o Exército pelo sucesso da operação e pediu às Farc que libertem todos os reféns em seu poder e aceitem o convite do governo para negociar a paz.