Renúncia de Carlos Vainer ao conselho da FUJB
Ao Conselho UniversitárioUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Prezados Conselheiros
Em 10 de agosto de 2006 recebi manifestação de sua confiança, quando fui eleito, em sessão do Conselho Universitário, representante suplente da Universidade Federal do Rio de Janeiro no Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio. Na sessão de 13 de dezembro de 2007, voltei a receber sua confiança, quando fui eleito representante titular do UFRJ naquele Conselho.
São, pois, quase dois anos de participação e representação. Ao longo deste período, tanto em manifestações orais nas reuniões do Conselho Universitário quanto em informes que lhes enviei acerca das discussões em pauta no Conselho de Administração da FUJB, expressei minhas preocupações com a crise e os rumos da FUJB.
Assim, já no primeiro informe escrito que lhes enviei, em 15 de outubro de 2006, eu anotava:.
“Boa parte da reunião foi consagrada a uma discussão da principal informação constante da proposta: o pequeno valor total do fomento previsto para 2007. Com efeito, se se tem em mente o valor total dos recursos administrados pela FUJB, o valor total do fomento das várias unidades, grupos de pesquisa e pesquisadores da UFRJ, a FUJB estaria dando uma contribuição muito pequena. Este fato se deve, em primeiro lugar, à progressiva redução das receitas da FUJB, tema que será objeto de uma exposição mais detalhada na ROCA de novembro.
Pessoalmente, julgo que a FUJB, além da valiosa contribuição que oferece à URFJ na administração de contratos, convênios e doações, tem um importante papel a desempenhar no fomento, o que acontece em medida muito pouco expressiva, no momento atual. Os dirigentes da FUJB relataram os vários esforços realizados, sobretudo junto a empresas privadas, para obter recursos para projetos específicos, sempre com resultados decepcionantes. Relataram igualmente o impacto da redução progressiva das taxas de juros sobre as receitas.
O Prof. Raymundo de Oliveira, Presidente da FUJB, com a concordância de muitos, lembrou da relevância do apoio da FUJB à informatização das unidades da UFRJ, e destacou que, nas condições atuais, não é possível nem mesmo sonhar com iniciativas do mesmo porte.
Houve uma concordância geral de que o tema é relevante e merece ser revisitado com mais profundidade.”
No Informe que lhes enviei em 1/1/2007, eu escrevia o seguinte:
Informe prestado pela Administração da FUJB. A situação é grave, por várias razões:
As receitas operacionais da FUJB têm minguado em razão de dois fatores: a) redução das taxas de juros e, em conseqüência, redução das receitas financeiras; b) redução das dotações de convênios, contratos e doações das unidades da UFRJ, sobretudo em virtude da diminuição de contratos de prestação de serviços (NCE, COPPEAD, IE e outros);
Tendo em vista esta realidade, apesar de uma progressiva redução dos recursos engajados em fomento, afirma-se a tendência a um déficit crescente;
A segunda conseqüência tem sido a perda patrimonial progressiva, o que, a médio prazo, concorrerá ainda mais para a redução das receitas financeiras.
Cabe observar, em favor da administração atual da FUJB, um apreciável esforço de austeridade, expresso na redução das despesas administrativas (consumo, outras despesas, etc) e uma política salarial igualmente austera.
Todas as previsões para 2007 e 2008 são sombrias, pois mesmo com cortes de pessoal e sem qualquer recurso para fomento, se projetam balanços deficitários.
A posição da Administração da FUJB é de solicitar que a UFRJ aceite uma elevação da captação de recursos para o Fundo de Fomento – dos atuais 5,25 % para 8,25%.
Fiz a seguinte intervenção:
“Vários dos esforços para reduzir as despesas operacionais são meritórios, mas são incapazes de nos tirar da crise, ou de um desempenho medíocre no que concerne ao fomento.
Por isso mesmo, é necessário fazer um esforço para: a) captar novas dotações junto aos instituidores originais da FUJB; a) atrair novos instituidores e dotações.”
Houve uma discussão a respeito destas propostas, tendo sido aprovadas por unanimidade. Relevante registrar que o representante da Eletrobrás, presente à reunião, manifestou ver como possível a discussão a respeito de um novo aporte de recursos, desde que devidamente justificado e negociado”.
Na sessão do Consuni de 14 de dezembro de 2006 retomei a questão, nos termos que constam de informe enviado aos Professores Titulares do CCJE, a quem represento:
“Fiz
Voltei ao tema na sessão ordinária de 8 de maio de 2007 do Conselho Universitário, tendo escrito aos Professores Titulares do CONSUNI o que segue:
“Na qualidade de representante (suplente) da UFRJ no Conselho de Administração da FUJB, expressei ao CONSUNI minhas preocupações com a grave crise atravessada pela Fundação. Esta crise envolve desde sua fragilidade financeira, que ameaça seriamente a possibilidade de que continue cumprindo sua missão de apoio e fomento, até problemas que dizem respeito à eficiência da FUJB na administração de convênios, contratos e doações. Também solicitei ao CONSUNI que, em algum momento, pautasse a discussão da política da UFRJ em relação à FUJB, de modo a permitir que nossos representantes no Conselho da FUJB, entre os quais me incluo, pudessem, de fato, expressar visões e políticas da UFRJ para a Fundação.
Entre outros temas, seria necessário discutir nossa disposição, ou não, de aceitar eventual elevação das taxas de administração cobradas pela FUJB. A respeito deste ponto, tanto no Conselho de Administração da FUJB quanto no CONSUNI, já manifestei meu desacordo com esta “solução”, que simplesmente representaria tirar dinheiro de um bolso (UFRJ) para botar em outro bolso (FUJB). Tenho defendido, nesta questão, uma revisão de fundo do projeto da FUJB, inclusive no que concerne à busca de novas fontes de financiamento.”
Minha insistência no tema não teve por cenário apenas o Consuni. Também no Conselho de Administração da FUJB manifestei reiteradamente minha preocupação com a situação e apresentei propostas que, a meu ver, poderiam reconduzir a Fundação a cumprir seu papel precípuo de fomento à pesquisa na UFRJ. Assim, apenas a título de exemplo, retiro da ata da Ata da 356a Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio, realizada em 31 de outubro de 2007, uma passagem:
“O professor Carlos Vainer lembrou que foi conversado
Na ata de 355ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio, realizada em 26 de setembro de 2007 vem registrada minha insistência no tema:
“O professor Carlos Vainer sugeriu que houvesse empenho para que Furnas venha a se tornar uma das Instituidoras da FUJB”.
De forma repetida e monótona, ao Magnífico Reitor da UFRJ, a quem também devo prestar contas de meu mandato no Conselho de Administração da FUJB, manifestei minha convicção de que, não obstante os competentes e meritórios esforços dos que administram seu dia-a-dia, assegurando sua normalidade e integridade administrativas, notadamente o Professor Luiz Martins e a Professora. Helena Ibiapina, a FUJB pouco tem feito para escapar a uma lenta e progressiva perda de identidade, que a condena a tornar-se, cada vez mais, uma administradora de projetos. Afirmei ao Reitor reconhecer a enorme utilidade do apoio gerencial prestado pela FUJB a inúmeros convênios, contratos e doações, mas expressei iguamente minha convicção de que isto é muito pouco para uma Fundação cuja vocação deveria ser o fomento.
Passados quase dois anos, sou obrigado a reconhecer que inúteis têm sido meus esforços. Nem a FUJB mostra-se capaz de acolher e implementar as propostas, por várias vezes discutidas e aprovadas no Conselho de Administração, nem o Conselho Universitário tem-se mostrado apto a enfrentar de maneira que julgo necessária a discussão rigorosa acerca dos destinos que gostaria de imprimir àquela Fundação.
Não bastasse o desencanto da frustração de sentir-me numa batalha individual e de poucos resultados, tenho assumido crescentes responsabilidades institucionais, que vêm se somar a uma atividade acadêmico-científica já por si exaustiva. E se isso já não bastasse, problemas de saúde em minha família têm exigido de mim um atenção inaudita. Eis as razões, mais que suficientes a meu juízo, que me conduzem a apresentar a este Conselho Universitário minha renúncia ao cargo de representante da Universidade Federal do Rio de Janeiro no Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio.
Espero, nesta honrosa tarefa, não tê-los decepcionado nem faltado a meu engajamento com nossa Universidade.
Cidade Universitária, 24 de abril de 2008
Saudações universitáriasCarlos B. VainerRepresentante dos Professores Titulares do CCJE - Conselho UniversitárioUniversidade Federal do Rio de Janeiro

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