Conselho do CCJE marca data para debater o Plano Diretor da UFRj
Na última reunião ficou decidido que o Plano Diretor da UFRJ será debatido no conselho do CCJE em reunião extraordinária, com a participação do representante dos docentes do centro no CONSUNI, Carlos Vainer. A fim de viabilizar praticamente a participação de estudantes, docentes e funcionários de todo o centro, o conselho do CCJE decidiu reservar o Salão Pedro Calmon.
Esse debate é extremamente importante haja vista o caráter do Plano diretor, cujo objeto é a ocupação dos espaços da UFRJ, deliberando acerca da ocupação dos espaços da UFRJ e sua convergência com as metas do PRE UFRJ, como podemos depreender da definição encerrada no ateprojeto:
"Plano Diretor é, por definição, o instrumento básico para orientar o desenvolvimento da Universidade nos planos físico-territorial e patrimonial, ordenar sua expansão e planejar a destinação e o uso de seus recursos em espaços e instalações (...)
O Plano Diretor UFRJ 2020 deve ser concebido como expressão e projeção, no tempo e no espaço, de uma vontade coletiva, democraticamente construída, de fazer da UFRJ uma universidade contemporânea de seu próprio tempo, consciente dos desafios que lhe são lançados pelo desenvolvimento científico e tecnológico, e pela necessidade de preservar e desenvolver os valores culturais e artísticos da nacionalidade, assim como por uma sociedade que traz as marcas, tanto da condição periférica à globalização, quanto de perversas e inaceitáveis desigualdades e injustiças. Não se quer apenas uma universidade de qualidade e democrática, nem apenas que ela seja aberta a setores mais amplos de nossa juventude; quer-se também uma universidade engajada na construção de um projeto de país que contemple a autonomia científico-técnica, a justiça social e a responsabilidade ambiental. E tudo isso deve estar expresso no Plano Diretor UFRJ 2020, um dos pilares do seu Plano de Re-estruturação e Expansão (PRE)."
O Plano diretor é a mais importante de todas as propostas apresentadas e deliberadas pelo CONSUNI até o momento. Enquanto o PDI encerra-se numa carta de intenções e o PRE em objetivos estratégicos, o Plano Diretor é a principal proposta de ação concreta em debate na Universidade nos últimos anos.
Observem que a universidade, embora tenha apresentado propostas de criação de novas graduações interdisciplares cuja consequência imediata é a ampliação do número de vagas, seguida de seu impacto na qualidade do ensino ofertado pela UFRJ, ainda está longe de implementar praticamente ações concretas convergentes à efetivação da transdisciplinaridade e interdisciplinaridade, ou mesmo do combate à fragmentação institucional da UFRJ, como têm alardeado na apresentação do PDI e do PRE.
Demais, os cursos novos que vêm sendo deliberados abstendo-se de qualquer debate mais amplo na universidade e de qualquer compromisso sério com os objetivos apresentados pelo PRE ou pelo REUNE: O curso de relações internacionais, apresentado como interdisciplinar, que deveria conter disciplianas de diversas áreas do conhecimento como administração, economia, ciências sociais, antropologia e direito, na prática, tornou-se mais uma disciplina oferecida pelo IE.
A contratação de docentes que deveria ter se tornado mais democrática e menos burocrática através da criação da medida de professor equivalentes da UFRJ, está se tornando uma forma de privilegiar as unidades que apoiam os projetos da reitoria em detrimento das unidades críticas como a FACC e a faculdade de Letras, que já foram claramente discriminadas no conselho de centro como pólos de enfraquecimento político deliberado, uma vez que tornar-se-iam poderosas politicamente se passassem a contar com muitos professores DE, como deveriam sê-lo se a UFRJ considerasse como critério para a concessão dos professores contratados a demanda e a quantidade de professores substitutos da instituição.
Além disso, nada está sendo feito para concretizar a transdiciplinaridade, e isto significa que as matérias de áreas do conhecimento diferente daquelas na qual o estudante está inscrito, continuam sendo praticamente impossíveis de serem puxadas e aproveitadas como eletivas. Seja porque os pré-requisitos continuam inflexíveis, seja porque unidades como o IE continuam adotando a crença de que o conhecimento produzido na instituiçãod eve ser estrito aos "iniciados". Ou seja, a fragmentação sóexiste praticametne para beneficiar as unidade amigas, aplicando nosso velho conhecido ethos cultural: reservar "aos amigos, TUDO, e aos inimigos, A LEI."
A opção pela transferência dos cursos para o Fundão é um equívoco gigantesco, como já afirmei em outras postagens. Além de tudo porque é incoerente com a proposta de interiorização da UFRJ, já que ele é apresentado como condição necessária para a promoção da interdisciplinaridade. Se isto fosse verdade, então a universidade deveria admitir a má qualidade dos seus projetos de interiorização para Macaé e Petrópolis.
Como isto é MENTIRA, deve-se publicizar o fato de que isto é uma opção política da Reitoria, que está interessada em lucrar com a oferta de cursos pagos na Praia Vermelha, beneficando unidades como a COPPE, o IE e a FACC, que oferecem cursos pagos no campus e poderiam oferecer muito mais com a transferência. A verdade é que a interdisciplinaridade é possível preservando-se as unidades e especializando-se os campus em torno de áreas do saber, como faz a Universidade de Paris. A verdade é que a interiorização mais importante no curto prazo da UFRJ é a ocupação dos quatro cantos do Rio de Janeiro, universalizando a oferta de ensino de qualidade de acordo com as demandas e vantagens cometitivas de cada região da cidade e, depois, do estado:
"DIRETRIZES PARA O PLANO DE OCUPAÇÃO E USO DA PRAIA VERMELHA
A discussão do plano de ocupação e uso da Praia Vermelha deverá ter como centro os usos do Palácio Universitário e dos espaços hoje ocupados pela Casa da Ciência, pela casa de espetáculos Canecão, pela antiga sede da extinta Associação dos Servidores do Brasil, bem como a destinação da importante reserva fundiária ali existente, em área nobre e em acelerado processo de valorização. A discussão sobre a Praia Vermelha deverá incluir o uso dos espaços que, eventualmente, sejam liberados pela transferência de atividades para a nova Cidade Universitária
Também é mentira que o Plano diretor é apenas um projeto de longo prazo, sem deliberações em vista para o curto prazo. Averdade é esta:
"AÇÕES PRIORITÁRIAS PARA INVESTIMENTOS COM
RECURSOS DO ORÇAMENTO 2007/2008
RECURSOS DO ORÇAMENTO 2007/2008
4. Definir área e localizar geograficamente no Campus da Ilha da Cidade Universitária obras para construção de um prédio, em módulos, para abrigar inicialmente salas de aula para novos alunos do CCJE, do CFCH e do CLA, que ingressarão na UFRJ a partir de 2009, apresentando estudos de viabilidade técnica e propostas orçamentárias da(s) alternativa(s) possível(is), ouvidos as unidades acadêmicas, órgãos suplementares e centros universitários envolvidos; definir igualmente área e localização para instalar a biblioteca unificada de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, contígua ao prédio objeto dessa ação."
Por essas e outras que é fundamental o comparecimento expressivo de estudantes, funcionários e docentes na reunião extra-ordinária. Participem!

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