Relator do Plano Diretor confirma presença, mas propõe alteração de data provocando indefinição na agenda.
Prezados Alcino, Adauto e colegas
É com grande honra e prazer que recebo o convite. Aliás, antes mesmo de saber que se pretendia organizar este debate, já havia eu tomado a iniciativa de me oferecer para fazer uma apresentação das Diretrizes para o Plano Diretor, de cuja elaboração tive o prazer de participar. Tendo em vista algumas comunicações lamentáveis, de baixíssimo nível, que me chegaram, mais do que nunca julgo indispensável levar adiante o debate, a fim de podermos:
a) desmentir as inverdades que alguns irresponsáveis vêm divulgando, sem que eu possa suspeitar quais sejam suas razões;
b) desfazer mal-entendidos, compreensíveis, quase inevitáveis, quando se inicia debate apaixonado (e não há mal que o seja) de tema tão caro à maioria de nós, e que nos diz respeito de maneira tão direta;
c) aprofundar as divergências, essenciais para qualquer processo que se pretenda efetivamente democrático, mormente num espaço como o universitário, em que o comércio intelectual propõe, e mesmo exige, o encontro e confronto de idéias;
d) construir convergências.
Estou, pois, não apenas disponível mas sedento deste debate. Estou certo de que muito enriquecerá a proposta inicial de cuja elaboração participei. Lamentavelmente, porém, como já informei ao nosso Decano, estarei viajando para Belém do Pará no dia 8 de maio, às 19:30 hs, para participar de um seminário em que estarei discutindo a associação do IPPUR à criação de novo mestrado – Estado, Sociedade e Território na Amazônia -, juntament com outros colegas do IPPUR e representantes do Museu Paraense Emilio Goeldi, Universidade Federal do Pará e Universidade Estadual do Pará.
Peço, pois, que verifiquem a possibilidade de antecipar o debate para o dia 8 – tarde – ou, mesmo, dia 7 – qualquer horário.
Saudações universitárias
Prof. Carlos Vainer
Professor Titular
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Avenida Pedro Calmon, 550 - Prédio da Reitoria, sala 530
Cidade Universitária
21941-901 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Telefax: (55-21) 2598 1915 – (55-21) 2598-1676
cvainer@uol.com.br
Definida a data para o debate sobre o Plano Diretor da UFRJ e a transferência para o Fundão.
Caros Colegas,
A Decania do CCJE estará promovendo uma exposição do Documento de Diretrizes do Plano Diretor da UFRJ apresentado pela Reitoria e que será brevemente discutido pelo Conselho Universitário, no dia 9 de maio a partir das 14:00hs.
A exposição será aberta a toda comunidade, ou seja ,docentes, alunos e servidores técnico-administrativos em educação de todo o Centro (decania e unidades do CCJE).
Ela deverá ocorrer no Salão Pedro Calmon, mas ainda teremos de confirmar este local.
Obs: Solicito as unidades que enviem cópia deste email aos seus corpos docente e discente e aos seus servidores tecnico-administrativos em educação.
Atenciosamente;
Alcino Ferreira Camara Neto
Decano do CCJE – UFRJ
Email:
alcino@ccje.ufrj.br
Renúncia de Carlos Vainer ao conselho da FUJB
Ao Conselho Universitário
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Prezados Conselheiros
Em 10 de agosto de 2006 recebi manifestação de sua confiança, quando fui eleito, em sessão do Conselho Universitário, representante suplente da Universidade Federal do Rio de Janeiro no Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio. Na sessão de 13 de dezembro de 2007, voltei a receber sua confiança, quando fui eleito representante titular do UFRJ naquele Conselho.
São, pois, quase dois anos de participação e representação. Ao longo deste período, tanto em manifestações orais nas reuniões do Conselho Universitário quanto em informes que lhes enviei acerca das discussões em pauta no Conselho de Administração da FUJB, expressei minhas preocupações com a crise e os rumos da FUJB.
Assim, já no primeiro informe escrito que lhes enviei, em 15 de outubro de 2006, eu anotava:.
“Boa parte da reunião foi consagrada a uma discussão da principal informação constante da proposta: o pequeno valor total do fomento previsto para 2007. Com efeito, se se tem em mente o valor total dos recursos administrados pela FUJB, o valor total do fomento das várias unidades, grupos de pesquisa e pesquisadores da UFRJ, a FUJB estaria dando uma contribuição muito pequena. Este fato se deve, em primeiro lugar, à progressiva redução das receitas da FUJB, tema que será objeto de uma exposição mais detalhada na ROCA de novembro.
Pessoalmente, julgo que a FUJB, além da valiosa contribuição que oferece à URFJ na administração de contratos, convênios e doações, tem um importante papel a desempenhar no fomento, o que acontece em medida muito pouco expressiva, no momento atual. Os dirigentes da FUJB relataram os vários esforços realizados, sobretudo junto a empresas privadas, para obter recursos para projetos específicos, sempre com resultados decepcionantes. Relataram igualmente o impacto da redução progressiva das taxas de juros sobre as receitas.
O Prof. Raymundo de Oliveira, Presidente da FUJB, com a concordância de muitos, lembrou da relevância do apoio da FUJB à informatização das unidades da UFRJ, e destacou que, nas condições atuais, não é possível nem mesmo sonhar com iniciativas do mesmo porte.
Houve uma concordância geral de que o tema é relevante e merece ser revisitado com mais profundidade.”
No Informe que lhes enviei em 1/1/2007, eu escrevia o seguinte:
Informe prestado pela Administração da FUJB. A situação é grave, por várias razões:
As receitas operacionais da FUJB têm minguado em razão de dois fatores: a) redução das taxas de juros e, em conseqüência, redução das receitas financeiras; b) redução das dotações de convênios, contratos e doações das unidades da UFRJ, sobretudo em virtude da diminuição de contratos de prestação de serviços (NCE, COPPEAD, IE e outros);
Tendo em vista esta realidade, apesar de uma progressiva redução dos recursos engajados em fomento, afirma-se a tendência a um déficit crescente;
A segunda conseqüência tem sido a perda patrimonial progressiva, o que, a médio prazo, concorrerá ainda mais para a redução das receitas financeiras.
Cabe observar, em favor da administração atual da FUJB, um apreciável esforço de austeridade, expresso na redução das despesas administrativas (consumo, outras despesas, etc) e uma política salarial igualmente austera.
Todas as previsões para 2007 e 2008 são sombrias, pois mesmo com cortes de pessoal e sem qualquer recurso para fomento, se projetam balanços deficitários.
A posição da Administração da FUJB é de solicitar que a UFRJ aceite uma elevação da captação de recursos para o Fundo de Fomento – dos atuais 5,25 % para 8,25%.
Fiz a seguinte intervenção:
“Vários dos esforços para reduzir as despesas operacionais são meritórios, mas são incapazes de nos tirar da crise, ou de um desempenho medíocre no que concerne ao fomento.
Por isso mesmo, é necessário fazer um esforço para: a) captar novas dotações junto aos instituidores originais da FUJB; a) atrair novos instituidores e dotações.”
Houve uma discussão a respeito destas propostas, tendo sido aprovadas por unanimidade. Relevante registrar que o representante da Eletrobrás, presente à reunião, manifestou ver como possível a discussão a respeito de um novo aporte de recursos, desde que devidamente justificado e negociado”.
Na sessão do Consuni de 14 de dezembro de 2006 retomei a questão, nos termos que constam de informe enviado aos Professores Titulares do CCJE, a quem represento:
“Fiz
um pequeno informe sobre a situação da FUJB, onde represento a UFRJ como membro suplente do Conselho de Administração da FUJB. Manifestei minha preocupação com a situação financeira da FUJB, cujos recursos para fomento (função precípua, acredito, da Fundação) se reduzem ano a ano, alcançando menos de R$ 1.000.000,00 em 2006, com perspectivas de novas reduções nos próximos anos. Em função do desequilíbrio entre receitas e dispêndios, assiste-se à degradação também patrimonial, com perspectivas sombrias para os próximos anos, a despeito de um importante esforço de austeridade administrativa da Direção da FUJB. Sugeri que o CONSUNI se debruce sobre o tema.”
Voltei ao tema na sessão ordinária de 8 de maio de 2007 do Conselho Universitário, tendo escrito aos Professores Titulares do CONSUNI o que segue:
“Na qualidade de representante (suplente) da UFRJ no Conselho de Administração da FUJB, expressei ao CONSUNI minhas preocupações com a grave crise atravessada pela Fundação. Esta crise envolve desde sua fragilidade financeira, que ameaça seriamente a possibilidade de que continue cumprindo sua missão de apoio e fomento, até problemas que dizem respeito à eficiência da FUJB na administração de convênios, contratos e doações. Também solicitei ao CONSUNI que, em algum momento, pautasse a discussão da política da UFRJ em relação à FUJB, de modo a permitir que nossos representantes no Conselho da FUJB, entre os quais me incluo, pudessem, de fato, expressar visões e políticas da UFRJ para a Fundação.
Entre outros temas, seria necessário discutir nossa disposição, ou não, de aceitar eventual elevação das taxas de administração cobradas pela FUJB. A respeito deste ponto, tanto no Conselho de Administração da FUJB quanto no CONSUNI, já manifestei meu desacordo com esta “solução”, que simplesmente representaria tirar dinheiro de um bolso (UFRJ) para botar em outro bolso (FUJB). Tenho defendido, nesta questão, uma revisão de fundo do projeto da FUJB, inclusive no que concerne à busca de novas fontes de financiamento.”
Minha insistência no tema não teve por cenário apenas o Consuni. Também no Conselho de Administração da FUJB manifestei reiteradamente minha preocupação com a situação e apresentei propostas que, a meu ver, poderiam reconduzir a Fundação a cumprir seu papel precípuo de fomento à pesquisa na UFRJ. Assim, apenas a título de exemplo, retiro da ata da Ata da 356a Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio, realizada em 31 de outubro de 2007, uma passagem:
“O professor Carlos Vainer lembrou que foi conversado cerca de um ano atrás e não foi levado adiante buscar potenciais novos Instituidores, como FURNAS, onde seu atual presidente é um professor da Universidade. Lembrou também, que o representante da ELETROBRAS no ano passado abriu a hipótese de aumento de recursos. Em relação aos Balancetes o professor elogiou o desempenho da FUJB mas ressaltou que estruturalmente continua problemática”.
Na ata de 355ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio, realizada em 26 de setembro de 2007 vem registrada minha insistência no tema:
“O professor Carlos Vainer sugeriu que houvesse empenho para que Furnas venha a se tornar uma das Instituidoras da FUJB”.
De forma repetida e monótona, ao Magnífico Reitor da UFRJ, a quem também devo prestar contas de meu mandato no Conselho de Administração da FUJB, manifestei minha convicção de que, não obstante os competentes e meritórios esforços dos que administram seu dia-a-dia, assegurando sua normalidade e integridade administrativas, notadamente o Professor Luiz Martins e a Professora. Helena Ibiapina, a FUJB pouco tem feito para escapar a uma lenta e progressiva perda de identidade, que a condena a tornar-se, cada vez mais, uma administradora de projetos. Afirmei ao Reitor reconhecer a enorme utilidade do apoio gerencial prestado pela FUJB a inúmeros convênios, contratos e doações, mas expressei iguamente minha convicção de que isto é muito pouco para uma Fundação cuja vocação deveria ser o fomento.
Passados quase dois anos, sou obrigado a reconhecer que inúteis têm sido meus esforços. Nem a FUJB mostra-se capaz de acolher e implementar as propostas, por várias vezes discutidas e aprovadas no Conselho de Administração, nem o Conselho Universitário tem-se mostrado apto a enfrentar de maneira que julgo necessária a discussão rigorosa acerca dos destinos que gostaria de imprimir àquela Fundação.
Não bastasse o desencanto da frustração de sentir-me numa batalha individual e de poucos resultados, tenho assumido crescentes responsabilidades institucionais, que vêm se somar a uma atividade acadêmico-científica já por si exaustiva. E se isso já não bastasse, problemas de saúde em minha família têm exigido de mim um atenção inaudita. Eis as razões, mais que suficientes a meu juízo, que me conduzem a apresentar a este Conselho Universitário minha renúncia ao cargo de representante da Universidade Federal do Rio de Janeiro no Conselho de Administração da Fundação Universitária José Bonifácio.
Espero, nesta honrosa tarefa, não tê-los decepcionado nem faltado a meu engajamento com nossa Universidade.
Cidade Universitária, 24 de abril de 2008
Saudações universitáriasCarlos B. VainerRepresentante dos Professores Titulares do CCJE - Conselho UniversitárioUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Conselho do CCJE marca data para debater o Plano Diretor da UFRj
Na última reunião ficou decidido que o Plano Diretor da UFRJ será debatido no conselho do CCJE em reunião extraordinária, com a participação do representante dos docentes do centro no CONSUNI, Carlos Vainer. A fim de viabilizar praticamente a participação de estudantes, docentes e funcionários de todo o centro, o conselho do CCJE decidiu reservar o Salão Pedro Calmon.
Esse debate é extremamente importante haja vista o caráter do Plano diretor, cujo objeto é a ocupação dos espaços da UFRJ, deliberando acerca da ocupação dos espaços da UFRJ e sua convergência com as metas do PRE UFRJ, como podemos depreender da definição encerrada no ateprojeto:
"Plano Diretor é, por definição, o instrumento básico para orientar o desenvolvimento da Universidade nos planos físico-territorial e patrimonial, ordenar sua expansão e planejar a destinação e o uso de seus recursos em espaços e instalações (...)
O Plano Diretor UFRJ 2020 deve ser concebido como expressão e projeção, no tempo e no espaço, de uma vontade coletiva, democraticamente construída, de fazer da UFRJ uma universidade contemporânea de seu próprio tempo, consciente dos desafios que lhe são lançados pelo desenvolvimento científico e tecnológico, e pela necessidade de preservar e desenvolver os valores culturais e artísticos da nacionalidade, assim como por uma sociedade que traz as marcas, tanto da condição periférica à globalização, quanto de perversas e inaceitáveis desigualdades e injustiças. Não se quer apenas uma universidade de qualidade e democrática, nem apenas que ela seja aberta a setores mais amplos de nossa juventude; quer-se também uma universidade engajada na construção de um projeto de país que contemple a autonomia científico-técnica, a justiça social e a responsabilidade ambiental. E tudo isso deve estar expresso no Plano Diretor UFRJ 2020, um dos pilares do seu Plano de Re-estruturação e Expansão (PRE)."
O Plano diretor é a mais importante de todas as propostas apresentadas e deliberadas pelo CONSUNI até o momento. Enquanto o PDI encerra-se numa carta de intenções e o PRE em objetivos estratégicos, o Plano Diretor é a principal proposta de ação concreta em debate na Universidade nos últimos anos.
Observem que a universidade, embora tenha apresentado propostas de criação de novas graduações interdisciplares cuja consequência imediata é a ampliação do número de vagas, seguida de seu impacto na qualidade do ensino ofertado pela UFRJ, ainda está longe de implementar praticamente ações concretas convergentes à efetivação da transdisciplinaridade e interdisciplinaridade, ou mesmo do combate à fragmentação institucional da UFRJ, como têm alardeado na apresentação do PDI e do PRE.
Demais, os cursos novos que vêm sendo deliberados abstendo-se de qualquer debate mais amplo na universidade e de qualquer compromisso sério com os objetivos apresentados pelo PRE ou pelo REUNE: O curso de relações internacionais, apresentado como interdisciplinar, que deveria conter disciplianas de diversas áreas do conhecimento como administração, economia, ciências sociais, antropologia e direito, na prática, tornou-se mais uma disciplina oferecida pelo IE.
A contratação de docentes que deveria ter se tornado mais democrática e menos burocrática através da criação da medida de professor equivalentes da UFRJ, está se tornando uma forma de privilegiar as unidades que apoiam os projetos da reitoria em detrimento das unidades críticas como a FACC e a faculdade de Letras, que já foram claramente discriminadas no conselho de centro como pólos de enfraquecimento político deliberado, uma vez que tornar-se-iam poderosas politicamente se passassem a contar com muitos professores DE, como deveriam sê-lo se a UFRJ considerasse como critério para a concessão dos professores contratados a demanda e a quantidade de professores substitutos da instituição.
Além disso, nada está sendo feito para concretizar a transdiciplinaridade, e isto significa que as matérias de áreas do conhecimento diferente daquelas na qual o estudante está inscrito, continuam sendo praticamente impossíveis de serem puxadas e aproveitadas como eletivas. Seja porque os pré-requisitos continuam inflexíveis, seja porque unidades como o IE continuam adotando a crença de que o conhecimento produzido na instituiçãod eve ser estrito aos "iniciados". Ou seja, a fragmentação sóexiste praticametne para beneficiar as unidade amigas, aplicando nosso velho conhecido ethos cultural: reservar "aos amigos, TUDO, e aos inimigos, A LEI."
A opção pela transferência dos cursos para o Fundão é um equívoco gigantesco, como já afirmei em outras postagens. Além de tudo porque é incoerente com a proposta de interiorização da UFRJ, já que ele é apresentado como condição necessária para a promoção da interdisciplinaridade. Se isto fosse verdade, então a universidade deveria admitir a má qualidade dos seus projetos de interiorização para Macaé e Petrópolis.
Como isto é MENTIRA, deve-se publicizar o fato de que isto é uma opção política da Reitoria, que está interessada em lucrar com a oferta de cursos pagos na Praia Vermelha, beneficando unidades como a COPPE, o IE e a FACC, que oferecem cursos pagos no campus e poderiam oferecer muito mais com a transferência. A verdade é que a interdisciplinaridade é possível preservando-se as unidades e especializando-se os campus em torno de áreas do saber, como faz a Universidade de Paris. A verdade é que a interiorização mais importante no curto prazo da UFRJ é a ocupação dos quatro cantos do Rio de Janeiro, universalizando a oferta de ensino de qualidade de acordo com as demandas e vantagens cometitivas de cada região da cidade e, depois, do estado:
"DIRETRIZES PARA O PLANO DE OCUPAÇÃO E USO DA PRAIA VERMELHA
A discussão do plano de ocupação e uso da Praia Vermelha deverá ter como centro os usos do Palácio Universitário e dos espaços hoje ocupados pela Casa da Ciência, pela casa de espetáculos Canecão, pela antiga sede da extinta Associação dos Servidores do Brasil, bem como a destinação da importante reserva fundiária ali existente, em área nobre e em acelerado processo de valorização. A discussão sobre a Praia Vermelha deverá incluir o uso dos espaços que, eventualmente, sejam liberados pela transferência de atividades para a nova Cidade Universitária
Também é mentira que o Plano diretor é apenas um projeto de longo prazo, sem deliberações em vista para o curto prazo. Averdade é esta:
"AÇÕES PRIORITÁRIAS PARA INVESTIMENTOS COM
RECURSOS DO ORÇAMENTO 2007/2008
4. Definir área e localizar geograficamente no Campus da Ilha da Cidade Universitária obras para construção de um prédio, em módulos, para abrigar inicialmente salas de aula para novos alunos do CCJE, do CFCH e do CLA, que ingressarão na UFRJ a partir de 2009, apresentando estudos de viabilidade técnica e propostas orçamentárias da(s) alternativa(s) possível(is), ouvidos as unidades acadêmicas, órgãos suplementares e centros universitários envolvidos; definir igualmente área e localização para instalar a biblioteca unificada de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, contígua ao prédio objeto dessa ação."
Por essas e outras que é fundamental o comparecimento expressivo de estudantes, funcionários e docentes na reunião extra-ordinária. Participem!
Comentários
Para evitar confundir aos muitos que não estão tendo acesso a informações claras a respeito destes movimentos, a proposta em deliberação é o plano diretor da UFRJ, desenvolvida pelo reitor eleito no ano passado e os representantes eleitos do CONSUNI, onde existem integrantes do DCE UFRJ que podem pedir vista e propor modificações incrementais no projeto.
Este plano é uma proposta da UFRJ e não um decreto elaborado pelo governo. Aos que tiveram acesso ao último, devem lembrar que um de suas objetivos era a interiorização da UFRJ, objetivo que contrapõe-se com esta estúpida proposta de concentrar todos os novos cursos no fundão.
Demais, aos futuros BACHARÉIS em adminitração que derem-se ao trabalho de acompanhar tais linhas, comunico-lhes duas reflexões:
1.Será q o CADM vai se posicionar em relação a isso, após debater sua posição com parcela significativa dos estudantes do curso em algum seminário?
2.O argumento usado para concentrar os cursos no Fundão não é o de formar Colleges comunitários, como quer dizer estes que argumentam sobre a criação de "bacharelões". Por outra, busca-se, equivocadamente quanto ao meio, aumentar a interdisciplinaridade e melhorar a qualidade das pesquisas , do ensino e da extensão na UFRJ.
3. Não existem dois valores ( qualidade de ensino e democratização do acesso) em oposição. A idéia é alcançar os dois otimizando o uso dos recursos da UFRJ, eliminando redundâncias desarrazoadas, equilibrando o uso de professores na UFRJ, onde algumas disciplinas possuem poucos estudantes e outros muitos, o que pode ser superado promovendo a transdisciplinaridade e melhorando os fluxos das grades disciplinares.
4.Se existisse esta contradição, é interessante notar que, seguindo Marx, será analisando as classes beneficiadas por cada valor priorizado que perceberemos os interesses que defendem cada ator político. É na prática e em seus resultados, não no teor de seus discursos que a posição ideologia do coletivo deve ser encontrada. No caso, a democratização do acesso interessa aos pobres e excluídos do sistema de ensino superior; enquanto a primazia da qualidade viabiliza os interesses das classes mais altas.
Isto explica o resultado das últimas eleições para o DCE UFRJ, decidido pela elite endireitada da universidade, que apoiou a posição que lhe pareceu maislhe interessar, sem perceber que a ampliação do acesso e as medidas propostas para o REUNE melhoram a qualidade de ensino e ampliam o acesso ao curso superior, beneficiando ambos os interesses( sim, isto é possível até certo ponto. Ponto este que ainda não chegamos em nosso estágio atual de subdesenvolvimento).
Um abraço!
Convocação do DCE e de membros da gestão do CADM UFRJ
Caríssimos,
Começamos o ano e, como já esperávamos, aí vêm os ataques decorrentes do REUNI. O mais recente é o plano diretor, que traz como item a ida dos novos entrantes de todos os cursos para o fundão já em 2009, entre outras questões. Como já havíamos previsto, a necessidade de unificar geograficamente os cursos para a implantação dos bachareladões fez com que uma das medidas que sofreu maior rechaço ano passado seja recolocada para aprovação, ainda por cima com a afirmação, contida no próprio documento, de que esse plano diretor foi amplamente discutido na universidade.
Mais uma vez, o movimento estudantil é chamado a entrar em cena. Nessa quinta-feira, será realizada uma sessão no CONSUNI para a discussão e deliberação sobre esse projeto, que sequer passou pelo conhecimento do conjunto da comunidade da UFRJ. O DCE está chamando os estudantes a participarem de um ato lá no CONSUNI, na reitoria da UFRJ, para pressionarmos o conselho e barrarmos essa medida.
Na Praia Vermelha, estamos marcando uma concentração às 9:00 em frente à Escola de Serviço Social (o anexo da escola, na verdade), pra todo mundo partir junto (é possível que tenha ônibus, apesar de ainda não estar confirmado).
Abraços,
Tiago Amaro
PS: Quem quiser uma cópia do negócio, eu vou ter isso amanhã, se eu encontrar a menina que levou a minha cópia...
Crises e hecatombes
A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano, muito menos do capitalismo. Pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um mundo melhor.
José Luís Fiori
Agência Carta Maior
No início da década de 1970, o economista norte-americano, Charles Kindelberger, formulou uma teoria que exerceu grande influencia acadêmica e política, dentro e fora dos Estados Unidos. Segundo Kindelberger, “a economia mundial liberal precisa de um país estabilizador e só um país estabilizador" . Um país que forneça aos demais, alguns “bens públicos” indispensáveis ao bom funcionamento da economia internacional, como a moeda, o livre-comércio, e a coordenação das políticas econômicas nacionais.
O mundo estava vivendo a crise final do Sistema de Bretton Woods, e estava assistindo a derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. E Charles Kindelberger estava preocupado com a possibilidade de uma nova grande crise e depressão que fosse provocada, como nos anos 30, pela falta de uma “liderança mundial”. Durante as décadas seguintes, esta “teoria da estabilidade hegemônica” se transformou no denominador comum de um grande debate sobre as “crises” e as “transições” hegemônicas, na história do sistema mundial. Incluindo, um grupo de autores marxistas norte-americanos, como Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi, que atribuem a ordem mundial dos últimos séculos, à sucessão de três grandes potencias hegemônicas: Holanda, Grã-Bretanha e Estados Unidos.
Os participantes deste debate tinham posições teóricas diferentes, mas quase todos compartiam a tese de que os Estados Unidos estariam vivendo seu “declínio hegemônico”, depois da “crise dos anos 70”. E mais recentemente, quase todos consideram que o fracasso americano no Oriente Médio, e o “derretimento do dólar”, neste início do século XXI, fazem parte já agora, de uma “crise terminal” da hegemonia americana.
Assim mesmo, estes autores não conseguem responder de forma satisfatória, a três perguntas fundamentais: i) como foi que a crise dos anos 70 acabou restaurando a hegemonia e fortalecendo o poder americano; ii) porque esta nova crise de 2007-2008, não poderá ter um desdobramento semelhante, no longo prazo; iii) e por fim, mesmo que a crise adquirisse natureza catastrófica, quem substituiria os Estados Unidos, e como funcionaria o novo sistema monetário e financeiro internacional, depois da morte do dólar?
Começando pela “crise dos 70”: hoje se pode ver que não houve declínio, pelo contrário, foi na década de 70 que se definiram as novas políticas e regras responsáveis pela multiplicação exponencial da riqueza e do poder americano, no último quarto do século XX. Foi quando os Estados Unidos deixaram de ser “credores”, e passaram para a condição de “grandes devedores” da economia mundial. Mas ao mesmo tempo, sua dívida e sua capacidade de endividamento se transformaram no primeiro motor da economia mundial, destes últimos 30 anos. Foi também na década de 70, que o “padrão dólar-ouro” foi substituído pelo novo sistema monetário internacional “dólar-flexível”, lastreado, em última instancia, no poder americano, e nos seus títulos da dívida publica.
Por outro lado, são também da década de 70, as políticas de desregulação dos mercados financeiros anglo-americanos, que lideraram o processo de globalização financeira, do final do século XX. E por fim, foi à sombra da derrota americana no Vietnã, em 1973, que os Estados Unidos e a China negociaram sua nova parceria econômica que se transformou na grande locomotiva da economia mundial, no início do século XXI. Ou seja, desde a crise de 70, em vez do “declínio americano”, o que se assistiu foi uma mudança profunda da economia mundial, e um aumento exponencial do poder dos Estados Unidos..
Agora de novo, depois do fracasso das Guerras do Afeganistão e do Iraque, e da desvalorização do dólar, provocada pela crise financeira de 2007 e 2008, volta-se a falar no “colapso” e na “crise final” da hegemonia americana . Mas até o momento, ainda não se configurou uma crise estrutural ou global, nem existe sinal de que os Estados Unidos venham a desocupar sua liderança capitalista. Pelo contrário, apesar das suas dimensões, tudo indica ser uma crise “regular”, dentro de um sistema que é, por excelência, contraditório, instável e conflitivo. Dentro das novas regras e estruturas criadas a partir da crise dos 70, os Estados Unidos definem de forma exclusiva o valor de uma moeda que é nacional e internacional, a um só tempo, e que está lastreada nos títulos da dívida pública do próprio poder emissor da moeda.
Além disto, os Estados Unidos, possuem um sistema financeiro nacional desregulado, e são – ao mesmo tempo - a cabeça de uma “máquina de crescimento” global, que funciona em conjunto com a economia nacional chinesa. Dentro deste sistema, extremamente complexo, toda crise financeira interna da economia americana pode afetar a economia mundial, pela corrente sanguínea do “dólar flexível” e das finanças globalizadas. E todos os seus ciclos internos de “valorização de ativos”, ( em particular, imóveis, cambio e bolsa de valores) se descolam com facilidade dos circuitos produtivos e mercantis, e se balizam pelas variações da dívida publica e da política de juros do governo norte-americano.
Por isto, as “bolhas” são sempre uma ameaça potencial para a economia mundial, mas não são apenas “capital fictício”, nem são apenas “especulação”. São mais do que isto, é um ciclo específico de valorização do capital, que só é possível dentro de um sistema monetário e financeiro desregulado e atrelado diretamente ao endividamento publico do governo americano.
A crise atual poderá ser mais ou menos extensa e profunda, mas não será a crise terminal do poder americano, nem muito menos, do capitalismo. Por enquanto, não é provável uma “fuga do dólar”, porque o euro, o yuan e o yen, não tem fôlego financeiro internacional. E acreditar na criação de uma moeda supra-nacional, é fugir para o mundo da fantasia, desconhecendo o sistema mundial em que vivemos. “Dentro deste sistema, não existe a menor possibilidade de que a liderança da expansão econômica do capitalismo possa sair das mãos dos “Estados-economias nacionais” expansivos e conquistadores, com suas moedas nacionais e com seus “grandes predadores”..” Por fim, como “ciência ficção”, pode-se pensar numa hecatombe que destrua moedas e estados, mas com certeza, não será o caminho mais curto, nem o mais pacífico, para um “mundo melhor”.