quarta-feira, janeiro 23, 2008

A cobertura do Valor econômico

A crise de crédito do mercado financeiro estadunidense já pode ser considerado uma crise mundial desde a seunda-feira. O valor econômico vêm fazendo uma cobertura de excelente qualidade, apontando as críticas à tese do descolamento, realizada pelo FMI, argumentando que a crise de crédito estadunidense não contaminaria o mundo, restringindo-se a efeitos no mercado estadunidense, onde a possível recessão seria compensada pela expansão das economias emergentes, da China e da Índia.

Hoje, publica um artigo do investidor George Soros, artífice do ataque especulativo à Rússia, profundo conhecedor do mercado financeiro, um dos 10 homens mais ricos do mundo e autor da teoria da reflexividade, que contrapõe a ideologia das decisões racionais no mercado financeiro, onde o interesse de cada investidor conduziriam o mercado financeiro ao equílibrio. Reforça sua teoria, apontando que foram os bancos centrais quem agiram para conter a crise de crédito.

Interessante observar que Soros acredita em aspectos da tese do descolamento, ponto onde seus argumentos parecem-me convergir com os de José Luis Fiori, quando afirma que o consumo estadunidense foi financiado pela poupança dos países pobres, a responsável pela valorização dos ativos financeiros, e que os EUA estaria perdendo sua liderança no mercado financeiro global, espaço que possivelmente será ocupado pela Índia e a China, provocando um reequilíbrio nos preços dos ativos mundiais, a crise do dólar, e, talvez, o reforço de políticas protecionistas com risco de arrefação de antagonismos imperialistas, aumentando o risco de conflitos nacionais.

Esse prognóstico depederá, a meu ver, do resultado das eleições estadunidenses. uma vitória republicana potencializa o risco de conflitos bélicos. A vitória democrata, políticas protecionistas. Neste último caso, haveria a esperança de que se adotassem políticas regulatórias sobre o mercado financeiro estadunidense que reduzisse a exposição mundial aos riscos sistêmicos e crises cíclicas do setor, fiscalizando a emissão de seguros financeiros, fundos de proteção, os serviços ofertados e seus riscos, buscando maior segurança e transparência no setor.

Foi impressionante vermos agências de rating e grandes conglomerados financeiros mundiais como JP Morgan, Morgan Stanley e o Citibank, anunciarem prejuízos decorrentes de aplicações em títulos classificados como AAA, como o foram os CDO,bombardeados no artigo de George Soros.