CPMF, recessão e especulação financeira
Considero a leitura de Luis Nassif muito boa, e concordo com muitos dos seus argumentos. Entretanto, discordo quando afirma que as taxas de juros devem baixar. Pelo contrário, acredito que a necessidade de captar recursos através das operações de mercado aberto tenderão a provocar seu aumento.E isto será reforçado pela inevitável redução dos gastos públicos, tão defendida pelo movimento 'menos imposto e mais Brasil' e a oposição, de direita e de esquerda, ao governo Lula. Os impactos da desaceleração economica estadunidense e seu efeito na demanda, estavam sendo compensados pelos gastos públicos. Com sua redução, a economia tende a desacelerar.
Some-se à desvalorização cambial, que tende a aumentar a vulnerabilidade das contas públicas, reduzindo o saldo da balança comercial, uma vez que tende a provocar um aumento das importações e a retração nas nossas exportações. Teremos como resultado a retração da economia, com perda de inovação tecnológica e lucratividade empresarial; e seu reverso, violência, desemprego, e desigualdade social.
No âmbito fianceiro digam adeus ao investment grade. Provavelmente Mantega tentará minimizar o corte de gastos públicos e a parcimônia do Banco Central, reduzindo o superávit primário. Com isso, o risco Brasil aumentará e os empréstimos e financiamentos atrelados ao risco continuará prejudicando a competitividade empresarial.
Demais, não se pode julgar a ideologia de um governo pela eficácia do setor financeiro local. eles preparam-se para ganhar dinheiro em qualquer ambiente. Mesmo num país comunista como a China, ou instável como as nações da América Latina.
Quanto à análise política, dicordo quando afirma que o PT é igual ao PSDB no governo. Ele é totalmente diferente, apenas foi obrigado a lidar com a inércia acarretada por qualquer inflexão. Sua política econômica não é entreguista e elitista; tampouco privilegia o corte de impostos para benficiar o stabilishment.
O governo negociou, fez concessões, propôs modificações no sistema tributário nacional, reduzindo impostos sobre mão-de-obra e investimentos produtivos. Propôs o lançamento do PAC da Saúde, em parceria com os governos estaduais, em que universalizaria o Programa Saúde de Família. Negociou maior repasse para os governos estaduais.
Mas tudo isso agora é passado. Proponho que os repasses para o Bolsa família, o PDE, o PRONASCI, e o PAC da saúde, sejam financiados por um novo tributo, deliberado em medida provisória: Um imposto na saída de recursos aplicados no setor financeiro.
Através dele, reduziremos a pressão cambial, garantiremos os gastos públicos necessários para a recuperação e desenvolvimento de nossa economia e sociedade, e a garantia de que os programas sociais do governo Federal não pederão seus recursos.
E ainda desencentivaremos a especulação financeira!

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