Confira abaixo como foram os votos dos senadores na prorrogação da CPMF:
Contra:
Adelmir Santana (DEMO-DF)
Álvaro Dias (PSDB-PR)
Antonio Carlos Junior (DEMO-BA)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
César Borges (PR-BA)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Demóstenes Torres (DEMO-GO)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Efraim Morais (DEMO-PB)
Eliseu Rezende (DEMO-MG)
Expedito Junior (PR-RO)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Heráclito Fortes (DEMO-PI)
Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE)
Jayme Campos (DEMO-MT)
João Tenório (PSDB-AL)
Jonas Pinheiro (DEMO-MT)
José Agripino (DEMO-RN)
José Nery (PSOL-PA)
Kátia Abreu (DEMO-TO)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Mão Santa (PMDB-PI)
Marco Maciel (DEMO-PE)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Maria do Carmo Alves (DEMO-SE)
Mario Couto (PSDB-PA)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Raimundo Colombo (DEMO-SC)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Rosalba Ciarlini (DEMO-RN)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)
A favor:
Almeida Lima (PMDB-SE)
Aloísio Mercadante (PT-SP)
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Edson Lobão (PMDB-MA)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Euclydes Melo (PTB-AL)
Fatima Cleide (PT-RO)
Flavio Arns (PT-PR)
Francisco Dornelles (PP-RJ)Gerson Camata (PMDB-ES)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Inácio Arruda (Pc do B-CE)
Jefferson Péres (PDT-AM)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
João Ribeiro (PR-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
José Maranhão (PMDB-PB)
José Sarney (PMDB-AP)
Leomar Quintanilha (PMDB-TO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)Neuto do Conto (PMDB-SC)
Osmar Dias (PDT-PR)
Patricia Saboya (PDT-CE)
Paulo Duque (PMDB-RJ)Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Renato Casgrande (PSB-ES)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Rosenana Sarney (PMDB-MA)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Sibá Machado (PT-AC)
Tião Viana (PT-AC)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Valter Pereira (PMDB-MS)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
Quem votou contra a CPMF não utiliza o SUS, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na última sexta-feira, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), que os senadores que votaram contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) não utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS). "Alguém vai ter de responder pela falta de investimento de R$ 24 bilhões na Saúde e de R$ 80 bilhões até 2010.
Quem votou contra a CPMF não utiliza o SUS", disse o presidente.Lula também afirmou que o fato de os senadores terem votado contra a prorrogação da CPMF até 2011 não significa que o governo tomará "medidas irresponsáveis". "Se votaram contra para prejudicar o presidente, erraram, porque ele não é candidato, e eles acabaram prejudicando o próximo presidente", acrescentou.
Agradecimento
O presidente agradeceu ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pelo esforço em tentar aprovar a CPMF. "Agradeço publicamente o empenho de tentar convencer os senadores da República de que não era possível tirar R$ 40 bilhões do orçamento de uma hora para outra", disse.
José Serra lembrou que desde a década de 1970, ele e o presidente não ficavam no mesmo palco. "A última vez em que estivemos juntos em um palanque foi na campanha eleitoral de 1978", afirmou Serra, em direção a Lula, que balançou a cabeça em sinal de concordância.
Lula informou que o governo lançará a política industrial nos próximos dias. Com o fim da CPMF, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo irá rever a política industrial, já que o governo perdeu uma arrecadação estimada em R$ 40 bilhões. Segundo Mantega, um dos incentivos previsto anteriormente, agora suspenso, é a redução de impostos que incidem sobre a folha de pagamento das empresas. Também havia previsão de reduzir outros impostos para o empresariado.
Fim do tributo prejudica combate à sonegaçãoCom a extinção da CPMF a partir do próximo ano, o governo não perde só arrecadação, mas um importante instrumento de combate à sonegação e fiscalização das transações financeiras do país, segundo a Receita Federal do Brasil. A avaliação é do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. A CPMF ajudava a identificar se as movimentações bancárias, aplicações e outros tipos de transação eram compatíveis com a renda de cada correntista. "Vamos tentar suprir as informações da movimentação financeira. Em breve, daremos um resultado", disse Rachid.
Segundo Rachid, com a extinção da CPMF, quem atua na informalidade passa a levar vantagem sobre a concorrência. "É lamentável. Sem as informações, neste primeiro momento da movimentação financeira, o setor informal deixa de contribuir com a CPMF e com os impostos e isso prejudica a concorrência", afirmou.
Para onde vai[ia] o dinheiro da CPMF
Agência Carta Maior
Segundo dados do governo federal, a arrecadação da CPMF garantiu, nos últimos quatro anos, recursos de R$ 91,6 bilhões nas áreas da Saúde, Previdência Social e combate à pobreza. Somente no Bolsa Família, foram R$ 15,4 bilhões entre 2004 e 2006.
Marco Aurélio Weissheimer
Nos últimos quatro anos, a arrecadação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) permitiu investimentos de R$ 91,6 bilhões em Saúde, Previdência Social e Combate à Pobreza, afirma levantamento elaborado pelo governo federal. Na área da Saúde, foram investidos R$ 46,6 bilhões entre 2003 e 2006, com recursos da CPMF. Já o atendimento hospitalar e ambulatorial no Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu R$ 32 bilhões.
Em 2007, segundo previsão do governo, devem ser aplicados R$ 15,7 bilhões no setor com recursos desse imposto. O SUS é responsável, hoje, por 1 milhão de internações e por 116 milhões de atendimentos ambulatoriais por mês. O sistema público é o único acesso à saúde para 80% da população brasileira, o que representa um universo de 150 milhões de pessoas.
Nas políticas de combate à pobreza, afirma o mesmo levantamento, foram investidos R$ 21,8 bilhões em programas de transferência de renda, com recursos da CPMF, de 2003 a 2006. Esses programas foram responsáveis pela retirada de cerca de 7 milhões de pessoas da situação de pobreza extrema. Somente no Bolsa Família, a aplicação de dinheiro da CPMF foi de R$ 15,4 bilhões, entre 2004 e 2006. No total, o imposto financiou 75% do programa no referido período. Os demais 25% foram financiados com verba da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O número de famílias beneficiadas por programas de transferência de renda subiu de 3,6 milhões em 2003, o equivalente a 15 milhões de pessoas, para 11 milhões em 2006, ou 46 milhões de pessoas.
Em 2007, devem ser investidos no Bolsa Família R$ 7,5 bilhões com recursos da CPMF, o que corresponde a 88% do programa. Os 12% restantes receberão dinheiro da Cofins e da CSLL. Ao todo, serão beneficiadas 9,6 milhões de famílias, o equivalente a 40 milhões de pessoas. Já no setor da Previdência Social, de 2003 a 2006, foram destinados R$ 23,1 bilhões para o pagamento de benefícios previdenciários.
Nos últimos quatro anos, a aplicação da CPMF correspondeu, em média, ao pagamento de 870 mil benefícios mensais. A Previdência, hoje, é o maior programa social do País, pagando 21 milhões de benefícios mensais e beneficiando, cada um, quatro pessoas, em média.O dinheiro da CPMF, ainda segundo o governo federal, também está sendo usado para investimentos na agricultura familiar. De 2004 a 2006, foram investidos R$ 660 milhões na compra de alimentos provenientes da agricultura familiar, ação que também está inscrita na relação de políticas de combate à pobreza.
Criada em 1996, pela Emenda Constitucional 12, a CPMF valeria por dois anos, com alíquota de até 0,25%. A lei que regulamentou a cobrança, aprovada no mesmo ano, acabou fixando a alíquota em 0,20%, com a arrecadação destinada ao Fundo Nacional de Saúde. Em 1999, a emenda 21 renovou a vigência do tributo por mais 36 meses e alterou a alíquota.
Nos primeiros 12 meses, a cobrança seria de 0,38% e, nos demais, de 0,30%. A vinculação dos recursos à Saúde foi mantida, mas a parcela da arrecadação resultante da diferença entre a alíquota anterior e a nova foi direcionada à Previdência Social.
Em 2002, houve uma nova prorrogação, através da emenda 37, que também redefiniu a destinação dos recursos. Da alíquota de 0,38%, 0,20% iria para a Saúde, 0,10% à Previdência Social e 0,08%, ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza. Pela emenda, a alíquota de 0,38% valeria até o fim de 2003. Em 2004, cairia para 0,08% e financiaria só o Fundo Nacional de Saúde.
Em 2005, a CPMF acabaria. Em dezembro de 2003, a emenda 42 renovou o tributo e a alíquota de 0,38% até 2007, preservando a repartição dos recursos.
São estes recursos que estão[estavam] em jogo, agora, na votação de uma nova prorrogação da CPMF no Senado.
CPMF, recessão e especulação financeira
Considero a leitura de Luis Nassif muito boa, e concordo com muitos dos seus argumentos. Entretanto, discordo quando afirma que as taxas de juros devem baixar. Pelo contrário, acredito que a necessidade de captar recursos através das operações de mercado aberto tenderão a provocar seu aumento.
E isto será reforçado pela inevitável redução dos gastos públicos, tão defendida pelo movimento 'menos imposto e mais Brasil' e a oposição, de direita e de esquerda, ao governo Lula. Os impactos da desaceleração economica estadunidense e seu efeito na demanda, estavam sendo compensados pelos gastos públicos. Com sua redução, a economia tende a desacelerar.
Some-se à desvalorização cambial, que tende a aumentar a vulnerabilidade das contas públicas, reduzindo o saldo da balança comercial, uma vez que tende a provocar um aumento das importações e a retração nas nossas exportações. Teremos como resultado a retração da economia, com perda de inovação tecnológica e lucratividade empresarial; e seu reverso, violência, desemprego, e desigualdade social.
No âmbito fianceiro digam adeus ao
investment grade. Provavelmente Mantega tentará minimizar o corte de gastos públicos e a parcimônia do Banco Central, reduzindo o superávit primário. Com isso, o risco Brasil aumentará e os empréstimos e financiamentos atrelados ao risco continuará prejudicando a competitividade empresarial.
Demais, não se pode julgar a ideologia de um governo pela eficácia do setor financeiro local. eles preparam-se para ganhar dinheiro em qualquer ambiente. Mesmo num país comunista como a China, ou instável como as nações da América Latina.
Quanto à análise política, dicordo quando afirma que o PT é igual ao PSDB no governo. Ele é totalmente diferente, apenas foi obrigado a lidar com a inércia acarretada por qualquer inflexão. Sua política econômica não é entreguista e elitista; tampouco privilegia o corte de impostos para benficiar o stabilishment.
O governo negociou, fez concessões, propôs modificações no sistema tributário nacional, reduzindo impostos sobre mão-de-obra e investimentos produtivos. Propôs o lançamento do PAC da Saúde, em parceria com os governos estaduais, em que universalizaria o Programa Saúde de Família. Negociou maior repasse para os governos estaduais.
Mas tudo isso agora é passado. Proponho que os repasses para o Bolsa família, o PDE, o PRONASCI, e o PAC da saúde, sejam financiados por um novo tributo, deliberado em medida provisória: Um imposto na saída de recursos aplicados no setor financeiro.
Através dele, reduziremos a pressão cambial, garantiremos os gastos públicos necessários para a recuperação e desenvolvimento de nossa economia e sociedade, e a garantia de que os programas sociais do governo Federal não pederão seus recursos.
E ainda desencentivaremos a especulação financeira!
A CPMF e a pequenez nacional
Luis Nassif:
Coluna Econômica - 14/12/2007
A derrota do governo, no episódio da renovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) traz inúmeras lições.
A primeira é sobre a excepcional falta de criatividade e de despreendimento nos momentos de grandes impasses. O governo não queria estabelecer limitações às formas de aplicar os recursos. A oposição não queria mais recursos, que pudessem melhorar a governabilidade. Prova de que não há nada mais parecido com o PT na oposição do que o PSDB; e nada mais parecido com o PSDB na situação do que o PT.
***
O impasse poderia ter permitido inúmeras saídas consensuais, que ajudassem a aplacar o radicalismo das próximas eleições e passassem à opinião pública uma imagem mais produtiva dos partidos políticos.
A aprovação poderia ser amarrada ao compromisso formal de redução dos encargos trabalhistas. Ou à redução de outros tributos terríveis, como o Pis-Cofins, amarrado à melhoria da arrecadação federal. Poderia ter significado garantia de recursos à saúde e tudo o mais.
Nada a oposição propos; com nada o governo se comprometeu. Sobreveio o impasse.
***
A segunda consequência será a precipitação dos embates internos no PSDB. Único partido com condições de enfrentar o PT nas próximas eleições, o PSDB é um tucano partido ao meio.
Em tempos de paz, os verdadeiros comandantes do partido são os governadores. Por várias razões interessa a eles conviver pacificamente com o governo federal. Primeiro, pela perspectiva de colaboração, que deve marcar um país federativo. Depois, para não ter que enfrentar um líder carismático como Lula, em uma eleição polarizada. Finalmente, para não herdar um país conflagrado, em caso de vitória.
***
Na outra ponta, estão os ex, ex-presidente como Fernando Henrique Cardoso, ou senadores de futuro político incerto, como esse truculento Arthur Virgílio. Eles só crescem em ambiente de guerra. A FHC interessa a guerra para ampliar seu espaço no PSDB e interessa que o governo Lula afunde, pois só assim – pelo efeito-comparação – poderia aspirar um julgamento mais benevolente da história para seu governo.
Ao contrário de outros ex-presidentes, como Itamar Franco, José Sarney e Fernando Collor, FHC é um ex dotado de nenhuma grandeza, de nenhuma responsabilidade cívica.
Serra e Aécio estão aguardando para se posicionar mais perto das eleições. Correm o risco de
herdar um partido exangüe. Se a CPMF não for restaurada, cada problema do governo Lula, cada investimento que deixar de ser feito, cada piora nas áreas sociais terá responsáveis diretos: o PSDB, seus senadores e FHC.
Havia receio de que a aprovação da CPMF pavimentasse o sucesso do governo Lula. Agora, qualquer fracasso terá um responsável direto: a oposição.
***
Os ecos dessa votação serão ampliados com o tempo. Ajudará a reforçar o discurso de que o governo Lula está sendo vítima de uma “conspiração das elites” - apesar da verdadeira elite, o mercado financeiro, nunca ter ganhado tanto.
De qualquer modo, saem divididos o país, a oposição e qualquer veleidade da opinião pública sobre a qualidade dos nossos homens públicos.
CPMF e Selic
Em qualquer economia racional, a derrubada da CPMF levaria o Banco Central a reconsiderar a questão da taxa Selic, que definr o patamar de remuneração dos títulos públicos. Se a carga de juros já era elevadíssima, com o corte da CPMF a necessidade de superávit primário aumentará mais ainda. Por isso mesmo, quanto maior o peso dos juros, maior a percepção de risco no Brasil.
O natural seria a queda da Selic.
Líder do PT na Câmara anuncia cortes ao Orçamento na terça-feira
O relator do Orçamento da União de 2008, deputado José Pimentel (PT-CE), disse ontem que somente na próxima terça-feira (18) terá condições de anunciar o ajuste que será feito na proposta orçamentária para o próximo ano. Será necessário fazer um corte de R$ 40 bilhões em decorrência da rejeição, pelo Senado, da prorrogação da CPMF até 2011. "Precisamos conversar com o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e o Ministério Público antes de cortar os R$ 40 bilhões que seriam arrecadados com a CPMF. Cada Poder da União precisa dar a sua contribuição, e é nisso que estamos trabalhando", afirmou.
José Pimentel explicou que todos os cortes respeitarão os dispositivos constitucionais. A saúde, por exemplo, tem repasse garantido na Constituição. Mas o relator alertou que a Emenda Constitucional 29, que trata dos recursos vinculados para o setor, foi aprovada pela Câmara com um repasse de R$ 23 bilhões entre 2008 e 2011, a partir de um percentual da CPMF. "Como o principal é a CPMF, que deixou de existir, o acessório, que é o repasse de um percentual para a saúde, também deixará de existir", afirmou. A regulamentação está sendo apreciada pelo Senado.
Área social
Pimentel adiantou que tentará preservar, no que for possível, os programas sociais. "A sociedade brasileira quer diminuir as desigualdades e combater a pobreza, e os dois principais instrumentos de redução da pobreza no país são o salário mínimo e o programa Bolsa Família. Exatamente por isso teremos muita cautela no ajuste dos recursos orçamentários", acrescentou. O Plano Plurianual 2008-2011 também terá que ser adequado, segundo Pimentel.
Votação
O presidente da Comissão de Orçamento, senador José Maranhão (PMDB-PB) anunciou que a proposta orçamentária para 2008 dificilmente terá condições de ser votada neste ano. Segundo ele, a rejeição da prorrogação da CPMF pelo Senado criou um fato novo e obriga o governo a fazer modificações nas suas estimativas de receita. O mais provável, segundo Maranhão, é que o Orçamento seja votado somente em fevereiro de 2008. José Maranhão descartou a possibilidade de convocação extraordinária do Congresso para votação do Orçamento em janeiro, período em que os parlamentares estão em recesso.
Da coluna de Mônica Bergamo
www.luisnassif.com.brTERCEIRA VÍTIMA
Da coluna de Mônica Bergamo
"Ninguém de prestígio no PSDB vai comemorar, ainda mais porque os indicadores econômicos vão piorar. Só o [senador] Arthur Virgílio, que teve 3% dos votos quando disputou o governo do Amazonas, e o Fernando Henrique [Cardoso], que tem uma das piores avaliações entre todos os políticos do Brasil." Palavras de um dos cinco governadores do PSDB -que batalharam pela prorrogação do imposto e foram derrotados por FHC.
Luis Nassif:
A frase do ano
Em "O Globo" de hoje
"Virgílio admitiu também que o apoio do ex-presidente Fernando Henrique foi fundamental para que enfrentasse a pressão. A última conversa entre o líder e Serra, no fim da tarde de quarta-feira, foi bastante tensa. Virgílio avisou ao governador que não mudaria de posição.
— Isso é uma loucura! — reagiu Serra.
— Então eu sou louco — retrucou ele.
Serra argumentou que o PSDB não poderia ficar a reboque do DEM, que fechara questão contra a CPMF.
— Nossos verdadeiros concorrentes são os petistas — rebateu Virgílio.
No que depender do líder, as diferenças não deixarão seqüelas.
— Serra é o quadro mais preparado para exercer a Presidência, mas para ser presidente terá de ser tolerante, saber ouvir seus companheiros."
Ou seja, ser tolerante é deixar os companheiros botarem fogo no país.
A oposição sou eu
Luis Nssif:
www.luisnassif.com.brNa entrevista que me concedeu para o livro “Os Cabeças de Planilha”, Fernando Henrique Cardoso se dizia muito consciente da importância de um acordo nacional. Mas reclamava que Lula nunca o procurava. Se o convidasse ele se sentaria à mesa e acertariam o acordo.
Por trás das declarações, estava claro que não existiria acordo, para ele, que não passasse pelo reconhecimento de seu papel de líder inconteste da oposição.
Hoje, nos jornais, é claro o jogo. Matéria da “Folha” com Arthur Virgílio em que ele admite que todos seus passos foram dados consultando Fernando Henrique.
No “Estadão”, em matéria de Carlos Marchi, FHC se apresentando como líder da oposição.
O veterano e competente Marchi inicia a matéria assim: “Em vez de se vangloriar da derrota que ajudou a impor ao governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acenou ontem com a bandeira da paz: em nota distribuída durante o dia, afirmou que “é o momento de governo e oposição, pensando no Brasil, deixarem de lado as picuinhas e se concentrarem na análise e deliberação do que é necessário fazer”.
Fala sério! Olha a continuação da matéria:
“Durante o dia, FHC rejeitou cumprimentos pela vitória. A amigos, revelou duas razões para não comemorar o triunfo oposicionista: por um lado, pareceria provocação ao governo derrotado; por outro, deixaria mal os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), que defenderam o apoio do PSDB à prorrogação da CPMF.
“Não é o momento de colher louros”, comentou um amigo que conversou com FHC ontem. “Mas é o momento de convencer o governo a aceitar uma negociação substantiva”, completou outro”.Para quê Marchi precisa ouvir os amigos de FHC para saber o que ele pensa? É evidente que ele conseguiu captar uma conversa de FHC com seu próprio ego.
“Na visão do ex-presidente, os dois lados, governistas e oposicionistas, não podem perder nem um dia na contabilidade de perdas e ganhos: devem construir já uma agenda nacional que tenha repercussão na compreensão popular” – e que, obviamente, tenha ele no centro das articulações.
Ele mesmo escalou, na nota, o tema número 1 dessa nova agenda - a reforma tributária. “Era evidente, há tempos, que a cidadania cansou de pagar tributos, ainda mais agora, em um momento em que a conjuntura econômica e a situação das finanças públicas permitem avançar na discussão racional da receita e dos gastos do governo”, afirmou por escrito. Propôs: “Quanto mais avançarmos nessa direção, maior poderá ser a queda das taxas de juros, ainda muito elevadas.” E sentenciou: “O governo parece não ter compreendido isso.”
Será que ele acredita que a gente acredita que ele acredita que os juros elevados são em função das finanças públicas?
A oposição sou eu
Na entrevista que me concedeu para o livro “Os Cabeças de Planilha”, Fernando Henrique Cardoso se dizia muito consciente da importância de um acordo nacional. Mas reclamava que Lula nunca o procurava. Se o convidasse ele se sentaria à mesa e acertariam o acordo.
Por trás das declarações, estava claro que não existiria acordo, para ele, que não passasse pelo reconhecimento de seu papel de líder inconteste da oposição.
Hoje, nos jornais, é claro o jogo. Matéria da “Folha” com Arthur Virgílio em que ele admite que todos seus passos foram dados consultando Fernando Henrique.
No “Estadão”, em matéria de Carlos Marchi, FHC se apresentando como líder da oposição.
O veterano e competente Marchi inicia a matéria assim: “Em vez de se vangloriar da derrota que ajudou a impor ao governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acenou ontem com a bandeira da paz: em nota distribuída durante o dia, afirmou que “é o momento de governo e oposição, pensando no Brasil, deixarem de lado as picuinhas e se concentrarem na análise e deliberação do que é necessário fazer”.
Fala sério! Olha a continuação da matéria:
“Durante o dia, FHC rejeitou cumprimentos pela vitória. A amigos, revelou duas razões para não comemorar o triunfo oposicionista: por um lado, pareceria provocação ao governo derrotado; por outro, deixaria mal os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), que defenderam o apoio do PSDB à prorrogação da CPMF.
“Não é o momento de colher louros”, comentou um amigo que conversou com FHC ontem. “Mas é o momento de convencer o governo a aceitar uma negociação substantiva”, completou outro”.Para quê Marchi precisa ouvir os amigos de FHC para saber o que ele pensa? É evidente que ele conseguiu captar uma conversa de FHC com seu próprio ego.
“Na visão do ex-presidente, os dois lados, governistas e oposicionistas, não podem perder nem um dia na contabilidade de perdas e ganhos: devem construir já uma agenda nacional que tenha repercussão na compreensão popular” – e que, obviamente, tenha ele no centro das articulações.
Ele mesmo escalou, na nota, o tema número 1 dessa nova agenda - a reforma tributária. “Era evidente, há tempos, que a cidadania cansou de pagar tributos, ainda mais agora, em um momento em que a conjuntura econômica e a situação das finanças públicas permitem avançar na discussão racional da receita e dos gastos do governo”, afirmou por escrito. Propôs: “Quanto mais avançarmos nessa direção, maior poderá ser a queda das taxas de juros, ainda muito elevadas.” E sentenciou: “O governo parece não ter compreendido isso.”
Será que ele acredita que a gente acredita que ele acredita que os juros elevados são em função das finanças públicas?
Vamos aos fatos
Lancenet
postado por Marquês de Laranjeiras
Tricolores do céu e da terra!
Preciso esclarecer algumas coisas. Aos ignorantes - para quem não sabe o significado, basta ler o segundo post abaixo deste - seguem alguns esclarecimentos:
* Em 1996, houve um esquema de arbitragem, resultados comprados, sendo que o Corinthians e o Atlético-PR tiveram seus presidentes, Alberto Dualib e Mário Celso Petraglia, respectivamente, identificados como envolvidos.
O Fluminense disputaria a Série B em 1997, mas em maio daquele ano, pouco antes do início do torneio nacional, o Esquema Ivens Mendes, então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol, foi desmascarado.
Nenhum clube rebaixado no ano anterior caiu devido às armações feitas, apenas e unicamente pelas falcatruas de outrem. É bom que fique claro que o Fluminense nada teve a ver com os acontecimentos ilícitos. Reitero: O FLUMINENSE NUNCA SE ENVOLVEU NAQUELE ESQUEMA.
Infelizmente, como nosso país não pune quem deve, os que tiveram participação apresentada no Jornal Nacional, da TV Globo, foram solenemente ignorados e escolheram para Judas o Tricolor, em vez de irem em quem realmente conspucou a competição.
* Chegou 1997. Com o Fluminense na Série A, mas, de fato, a campanha tricolor foi pífia. Apesar disto, há de se lembrar de que o clube foi sistematicamente prejudicado pelas arbitragens e, muitas vezes, ouviu-se falar que ele merecia por ter virado a mesa. Mas se esqueciam de quem eram os culpados pela virada de mesa: Corinthians e Atlético-PR.
* No ano seguinte, o Tricolor disputou a malfadada Segunda Divisão. À época, a primeira fase era disputada em grupos e seis dos 24 clubes - 25% do total - foram rebaixados. Mais uma vez, o Fluminense - a Geni do futebol brasileiro - foi operado pela arbitragem.
Perdemos para o Juventus com gol em que a bola não entrou. Na partida contra o CRB-AL, o maldito soprador de apito marcou um pênalti para o Fluminense, mas cedeu às perssões e acabou retrocedendo. Fim da história: fomos roubados e rebaixados.
* A redenção começou pelo fundo do poço. Na Série C, o campeão do mundo Carlos Alberto Parreira liderou um time de guerreiros rumo à Segunda Divisão. Não é um título que seja condizente com a história do clube, mas foi fundamental para o nosso ressurgimento.
Mas longe de nós, mais uma vez clubes se envolvem em problemas fora dos gramados. Estourou o Caso Sandro Hiroshi e, contrariando as leis da época, o São Paulo, que escalou irregularmente, teve os pontos conquistados nas partidas em que Hiroshi esteve em campo perdidos e os resultados foram convertidos em vitórias para os adversários.
No entanto, estava previsto que o São Paulo deveria perder cinco pontos pelas partidas em que o jogador esteve em campo, não o adversário computar uma vitória nos casos.
Resumo da ópera, o Botafogo ficou ILEGALMENTE com três pontos que foram a salvação do clube em uma partida em que levou um baile dentro de campo.
* Eis que em 2000 o Gama, rebaixado injustamente e irregularmente no lugar do Foguinho, consegue na Justiça o direito de disputar a Série A. Para excluir o clube do Distrito Federal, criou-se a Copa João Havelange, mas, ainda assim, o Alviverde conseguiu judicialmente, com o respaldo do Sindicato dos Técnicos de Futebol do Distrito Federal e do PFL, a sua inclusão na principal disputa daquela temporada.
O Fluminense havia disputado a Série C em 1999 e estava pronto para disputar a Segunda Divisão em 2000. Não havia motivos para não o fazer nem temores para isto.
Mas, com a subida do Gama, o Botafogo deveria descer. Em um mesmo campeonato dois dos principais clubes do Rio de Janeiro - é bem verdade que, fora o Fluzão, o outro não tem grande importância - estariam fora da elite, além do Bahia, campeão Brasileiro de 1988 e tradicionalmente sucesso de público.
Com a João Havelange, sim, o Tricolor pulou a Série B, mas não por ter pedido por isso. Ele foi convidado, assim como os outros, pois se trata de um clube de tradição inegável e, já que outros estavam sendo erguidos, não haveria motivo de não o levar junto.
Não me venham questionar hipocritamente a subida, pois qualquer um naquela situação - assim como o Botafogo fez - aceitaria o convite para jogar a Primeira Divisão.
Dentro de campo o Maior Tricolor do Mundo mostrou que merecia estar na elite e terminou a disputa entre os melhores do país, na terceira posição, empatado em número de pontos com o segundo colocado e apenas três pontos atrás do líder. Fatalmente, se tivéssemos disputado a Segundona, ficaríamos com o título.
* Em 2001, novamente, o Fluminense fez bonito nos gramados e chegou às semifinais da elite nacional. Perdeu, após uma grande ajuda do apito ao Patético Paranaense, aquele mesmo que se envolveu com esquema com árbitros alguns anos antes. No Brasileirão de 2002, mais uma vez, o clube das Laranjeiras chegou às semifinais.
Meus caros, como argumentei no meu post anterior, a volta por cima do Fluzão foi dentro do gramado, mostramos em campo que, apesar de convidados para a Copa João Havelange, merecíamos estar entre os melhores. Em nenhum momento disse que subimos da Série B dentro de campo, mas mostrei que, certamente, levaríamos aquele campeonato em 2000.
Além disso, está mais do que comprovada a redenção tricolor. O Fluminense, nos últimos cinco anos, levantou três troféus. Também destaco que é o clube do Rio de Janeiro com o maior número de pontos somados na era dos pontos corridos.
Se isso não é redenção, não sei mais o que pode ser.Se quiserem discutir, estou pronto para isto, mas que me tragam fatos. Não repitam besteiras sem nem pensar no que estão falando.Desculpem-me por ter me excedido, mas certos esclarecimentos devem ser feitos.
Saudações tricolores!