sexta-feira, novembro 09, 2007

A partidarização do movimento estudantil

A gênese do contemporâneo anacronismo do ME deve ser procurada em elementos ainda mais profundos que o apontados até agora.Não se trata apenas de apontá-lo como consequência de um passado brilhante,é preciso investigar mais fundo.Sua origem está em sua partidarização.

O que defino como partidarização,não é o fato dos estudantes serem filiados a partidos políticos.Ser filiado a um partido,seja qual for,de direita,centro, ou esquerda,é questão de cidadania(Embora os partidos também precisem superar certos arcaísmos o que já é outra discussão).Filiar-se significa que o estudante percebeu que buscar uma sociedade melhor,mais justa e converjente à sua visão de mundo,é uma ação que não se encerra na universidade.Pelo contrário precisa ser complementada por ações sociais mais amplas,sob pena de condenar sua movimentação estudantil à ineficácia.

O que defino como a gênese do anacronismo do ME é o fato de que a grande maioria dos integrantes do movimento não estão preocupados com a universidade.Alguns nem mesmo cursam disciplinas regularmente.Matriculam-se em várias IFES para que possam ampliar sua "militância".Escolhem seus cursos de acordo com os interesses dos dirigentes do seu partido.Ao invés de levarem a Universidade e seus desafios para serem debatidos nele,fazem o contrário,trazendo o partido e seus interesses maquiavelianos para a Universidade.

No fundo trata-se de uma discussão que aparece no filósofo e cientista político Antônio Gramsci.Existe,dentro dos partidos dois tipos de centralismo,consensos operacionais buscados para dar sentido unívoco às ações de seus integrantes: O democrático e o burocrático. O último vem dos dirigentes para a base.No primeiro,ocorre o inverso.

Para reforçar meus argumentos,basta observarmos a última reunião do CONSUNI na internet e lermos o jornal da SINTUFRJ. Destas pesquisas perceberemos que bastou o reitor retirar um item do PRE para ele ficar bom.Bastou que tirasse o trecho em que o documento manifesta sua adesão ao REUNI.Todas as outras partes do PRE mantiveram-se inalteradas,inclusive seu conteúdo que converje com os objetivos e metas previstas no decreto.

Ou seja,acabaram-se as mentiras a seu respeito,que acusavam-no de implantar aprovação automática, privatizar o ensino e muitas outras coisas.Infelizmente,essa polarização partidária,travada por aqueles que querem prejudicar o governo Lula a qualquer custo,sem discutir o mérito e a gênese de cada proposta e aqueles que querem apoiá-lo usando métodos análogos,marginalizou o mais importante:discutir a univerisdae que queremos para este milênio.