Conselho de CA's para a posse da nova gestão do DCE Mário Prata
Estão todos convidados para o Coquetel de Posse do DCE, que vai rolar amanhã (22/11). Às 18h, está marcado o Conselho de CAs de Posse, que deverá discutir também a realização de um congresso estudantil na UFRJ em 2008. Logo após o Conselho de CAs, lá pelas 20h, vai começar o nosso Coquetel. Apareçam lá!
OBS: O Conselho de CAs será no Teatro de Arena e o Coquetel provavelmente no Salão Vermelho, lá no Fórum de Ciência e Cultura
Carol
Trabalhemos menos, trabalhemos todos
Agência Carta Maior
Emir Sader
Muitas coisas nos diferenciam dos outros animais mas nada é mais marcante do que a nossa capacidade de trabalhar, de transformar o mundo segundo nossa qualificação, nossa energia, nossa imaginação. Ainda assim, para a grande maioria dos homens, o trabalho nada mais é que puro desgaste de suas vidas. Na sociedade capitalista, a produtividade do trabalho aumentou simultaneamente a uma tão forte rotinização, apequenamento e embrutecimento do processo de trabalho que já não há nada que mais nos desagrade do que trabalhar. Preferimos, a grande maioria, fazer o que temos em comum com os outros animais: comer, dormir, descansar, acasalar.
Não foi descoberta de Marx e sim de Adam Smith e de David Ricardo que o valor dos produtos não vem da terra, nem dos metais preciosos, nem da tecnologia, mas do trabalho humano. Daí o lugar essencial que ele tem nas nossas sociedades, ou que deveria ter.
Nossa capacidade de trabalho, esta potência humana de transformação e emancipação de todos, ficou limitada a ser apenas o nosso meio de ganhar o pão. Capacidade, potência, criação, o trabalho foi transformado pelo capital no seu contrário. Tornou-se instrumento de alienação no sentido clássico da palavra: como ato de entregar ao outro o que é nosso, nosso tempo de vida. De produzir para que outros se apropriem do que produzimos, para que outros decidam o que produzimos, como produzimos, para quem produzimos e a que preço será vendido.
A maioria esmagadora dos brasileiros – e de toda a humanidade – vive do seu trabalho. Vive para trabalhar e trabalha para viver. A esmagadora maioria gasta a vida em atividades que não lhes interessa, às quais se submete porque precisa manter-se viva. Para a maioria, sobreviver tornou-se uma forma de vida: sair de casa cedinho, retornar doze horas depois, após uma jornada esfalfante de um trabalho desinteressante, repetitivo, extenuante, para ter apenas o tempo de se recompor para voltar a repetir, mecanicamente, a mesma jornada no dia seguinte e nos outros dias, pelo resto dos dias da sua vida. E ainda precisa agradecer quando consegue ter e manter um tal trabalho!
Os que vivem esse cotidiano são os que mais precisariam de tempo e de conhecimento para decifrar esse imenso mistério de viver trabalhando loucamente apenas para se manter pobre, enquanto os que não trabalham enriquecem às suas custas. Mas são eles os que menos dispõem de tempo e de conhecimento. O rico não é apenas aquele que desfruta mais e melhores bens materiais, mas é também aquele que dispõe do seu tempo, até para não fazer nada.
As centrais sindicais brasileiras desenvolvem uma campanha pela diminuição da jornada de trabalho. Não pode haver campanha mais justa e humanista. Que os trabalhadores, os que produzem todas as riquezas do Brasil e do mundo, possam trabalhar menos e viver mais, até para que outros possam ter acesso ao trabalho formal e dignamente remunerado. Não se combate o desemprego apenas abrindo novas frentes de trabalho. É indispensável – como faz a proposta de reforma constitucional do governo venezuelano, que diminui a jornada de trabalho de oito para seis horas – diminuir a jornada de trabalho. Diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores possam dispor de um tempo para a família, o lazer, o descanso, a leitura, a luta coletiva. Para que decidam o que querem fazer com ao menos uma parte das suas vidas.
Valorizar o trabalho, valorizar o mundo do trabalho, valorizar os trabalhadores – são os grandes ideais humanistas do nosso século. A desumanização do trabalho é a desumanização do homem, da sua capacidade criativa, imaginativa, humanizadora do mundo. Um mundo à imagem e semelhança dos nossos melhores sonhos só poderá ser construído pelo trabalho livre, desalienado, escolhido pelos homens.
Precisamos caminhar para uma sociedade onde o trabalho seja instrumento de emancipação, onde o conhecimento seja instrumento de desalienação e onde os homens vivam através do trabalho que realizam de forma solidária e cooperativa e não mais para serem explorados, ofendidos, humilhados, oprimidos.
‘Quem se acha insubstituível vira um ditadorzinho’
Entrevista do presidente Luis Inácio Lula da Silva
O Estado de São Paulo (
http://www.estado.com.br/editorias/2007/11/11/)
Tânia Monteiro, Vera Rosa, Rui Nogueira e Ricardo Gandour
Um presidente da República que prega as virtudes da democracia, exalta a elementar regra da alternância do poder e demonstra apenas incômodo com os desdobramentos do julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal. “Quem errou pagará pelo erro”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na primeira entrevista exclusiva ao Estado desde que chegou ao poder.
Visivelmente irritado com os comentários de que deseja espichar sua permanência no Planalto ao defender uma Constituinte exclusiva para votar a reforma política, Lula diz que nem com o povo na rua aceitaria um terceiro mandato consecutivo. Ele justificou assim o “repúdio” ao terceiro mandato: “Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho.” E acrescentou: “Não tem essa de o povo pedir. Meu mandato termina no dia 31 de dezembro de 2010. Passo a faixa para outro presidente da República em 1º de janeiro de 2011, e vou fazer meu coelhinho assado, que faz uns cinco anos que eu não faço.”
Lula revelou, porém, que não será um espectador da sucessão: “Não ficarei neutro. Tenho posição política, tenho partido. E quero subir em palanque”, anunciou. Não disse qual, sob o argumento de que, quando tomar essa decisão, uma “flecha” será apontada para a cabeça do indicado. Mas, para desespero do PT, pregou uma candidatura única da base que dá sustentação ao governo, em 2010.
Dois anos depois de afirmar que o PT deveria pedir desculpas pelo caixa 2, o presidente mostrou que a ressurreição do mensalão no noticiário provoca desconforto político. “Um dia isso vai acabar”, desabafou. Aos erros da gestão da crise aérea, o presidente devota uma naturalidade que remete sempre a um processo. “Pagamos um preço, e agora é preciso consertar.”
Sucessão
Presidente, o sr. já pediu aos partidos aliados que se entendam sobre as eleições municipais do ano que vem e que o ideal seria ter um candidato único da base para 2010. Mas o PT, no 3.º Congresso, que começa esta semana, em São Paulo, vai destacar a necessidade de ter um candidato próprio à sua sucessão. A base pode implodir?Seria prudente que nós aprendêssemos algumas lições que a vida ensina. Muitas vezes, a disputa se dá por interesse pessoal de um indivíduo, que quer marcar posição sendo candidato a alguma coisa. Se ele tem sucesso, ótimo. Se ele não tem, todos ficam com o prejuízo de uma derrota eleitoral. Tenho ponderado aos presidentes dos partidos da base que seria importante que eles conversassem e começassem a mapear a possibilidade de alianças políticas nas prefeituras das capitais e das cidades mais importantes do País. Se as direções não conversam antecipadamente, permitem que o jogo eleitoral e o interesse iminentemente municipal determinem a política local e o conflito nacional. Onde é possível construir aliança política para disputar, por exemplo, 2008? Onde é possível ter candidaturas próprias? Esse gesto pode facilitar a candidatura em 2010.
Como é que isso facilita?Para quem tem uma base heterogênea, como nós temos - e qualquer presidente constrói uma base heterogênea por causa da realidade política brasileira -, vocês perguntam como é possível construir uma unidade para escolher um candidato para enfrentar os adversários em 2010. Obviamente que eu não penso nisso fora de hora, só vou pensar nisso no momento certo. Não é uma eleição pequena. É uma eleição que envolve uma candidatura a presidente e vice, candidaturas de 27 governadores, de 54 senadores. Portanto, tem cargo para todo mundo disputar, tem possibilidade para todo mundo.
Esse candidato não será necessariamente do PT?Se a gente tiver juízo, a gente constrói essa candidatura única. Ser do PT ou não ser do PT é um problema que o partido vai ter de decidir. Eu acho improvável que um partido do tamanho do PT decida não ter candidato. Assim como é bastante provável que todos os outros partidos da base apresentem candidatos. Mas é importante que o PT esteja disposto a conversar, e que a gente construa a possibilidade de ter uma candidatura única da base.
O que o PT decidir no 3.º Congresso não é determinante?Não. PT, PMDB, PDT e PSB podem decidir ter candidaturas próprias. Na hora em que tivermos todos esses nomes, vamos começar a discutir, fazer projeções, pesquisas para saber quem tem melhores condições de ser candidato. Porque se tiver duas candidaturas, a posição do presidente já fica delicada para entrar em campanha. Se tiver quatro, fica muito mais delicada. E tudo vai depender de como o governo chegará ao final do mandato. Já tivemos na história do Brasil presidentes que chegaram ao final do mandato e nenhum candidato queria que eles subissem no palanque. Mas eu quero chegar forte ao fim do mandato para ter influência no processo sucessório. Não ficarei neutro. Tenho posição política, tenho partido. E quero subir em palanque.
Qual é o perfil ideal desse candidato único?É aquele que dê continuidade à política que estamos plantando agora. Quando a gente assume um compromisso da importância de colocar R$ 504 bilhões para produzir melhorias na vida dos brasileiros até 2010, isso vai formar uma carteira de obras no Brasil que, se você não deixar isso parar mais, você tem a chance de, em pouco tempo, dar ao Brasil todo o melhoramento que o Brasil precisa, desde saneamento básico até portos, aeroportos, gasodutos e rodovias. Se você trunca a política social, ela perde a eficácia. Se continuar todo ano aumentando um pouquinho, você consolida um país com uma classe média forte e uma classe média baixa, mas com poder de sobrevivência com dignidade. Essa combinação é que vai transformar o Brasil em um país definitivamente justo.
O que é exatamente essa combinação de classe média forte com classe baixa digna?Você tem uma classe média que nem precisa do governo. Que tem como sobreviver, como estudar, que tem um poder de compra razoável. Se você não atrapalhar a vida dessa classe média, e ajudar os de baixo a subir um degrau, você está construindo um padrão de país justo. Nunca estivemos tão próximos de atingir esse estágio. Se a economia continuar crescendo 5%, se a gente continuar com uma forte política social, esse mundo está próximo de ser construído no Brasil.
O sr. gostaria de entregar seu governo a uma mulher? Uma Dilma Rousseff (ministra-chefe da Casa Civil), uma Marta Suplicy (ministra do Turismo)?As mulheres estão em ascensão. Eu acho que, se a Cristina Kirchner ganhar as eleições na Argentina, a Hillary Clinton ganhar as eleições nos EUA, nós vamos ter uma onda do sexo forte disputando as eleições.
E os nomes?Eu evito citar nomes porque, em política eleitoral, quando você cita um nome com antecedência você está, na verdade, queimando esse nome. Primeiro você queima internamente com os possíveis pré-candidatos. Depois, queima na base aliada com candidatos de outros partidos. E, finalmente, os adversários e a imprensa colocam uma flecha direcionada para ele 24 horas por dia. Então, penso que o nome deve ser mantido sob segredo de Estado.
O sr. tem preferência por uma mulher?Acho que é possível ter uma mulher na Presidência da República.
Mas quem poderia ser essa mulher?É muito cedo. E eu conheço a alma humana. Se a agente ficar dizendo o nome, a mosca azul vem, pode pousar na testa da pessoa e a pessoa começa a se descredenciar.
E o ministro da Defesa, Nelson Jobim? Já está causando ciumeira?Não tem ciumeira. O Jobim é uma figura importante da República, foi deputado constituinte, é um jurista importante, foi presidente da Suprema Corte, é um quadro político engajado. O Jobim é um quadro que sempre tem de ser levado em consideração. Mas, olhou pra frente, tem de ver a cara do Ciro Gomes, tem de ver a cara do Jobim e de outras figuras de outros partidos políticos, que ainda vão surgir.
O ministro Mares Guia (Relações Institucionais) afirmou recentemente que um homem como o sr. só aparece de 50 em 50 anos. Isso aumenta a responsabilidade para passar a faixa?Bondade dele. Acho que minha derrota, em 1989, foi boa para mim. Foram 12 anos de espera. Com a derrota firmei a convicção de que as pessoas que governavam o Brasil não conheciam o País. Quando você vai para uma capital, desce no aeroporto, vai para o palanque, sai do palanque, volta para o aeroporto e segue para outra capital, você não conhece o Brasil. Aliás, você nem conhece as pessoas que estavam no palanque. Foi daí que surgiu a idéia das Caravanas da Cidadania, para conhecer a alma, as entranhas do Brasil. Isso criou em mim convicções muito fortes sobre o que entendia que precisava ser feito no País.
Anos de chumbo
Se o sr. integrasse a comissão de desaparecidos políticos do Ministério da Justiça, o sr. votaria a favor da pensão para os familiares do ex-capitão Carlos Lamarca?Se o Carlos Lamarca foi, pelos critérios estabelecidos pela comissão, injustiçado, ele tem direito a receber a indenização. Da mesma forma que, se houver alguém que foi do governo e foi injustiçado, e entrar com pedido, ele também deve ser indenizado. Tem uma lei que determina os critérios para as pessoas serem indenizadas. Eu não vejo nenhum problema, seja Lamarca, seja o Lula. É preciso levar em conta se as pessoas estão dentro dos critérios estabelecidos pela comissão.
A esquerda que fez oposição armada ao regime militar lutava, como se diz hoje, pela democracia?Eles estavam lutando contra um regime autoritário. Isso era visível. Se os métodos eram corretos ou não, as circunstâncias políticas diziam que os métodos eram quase os únicos que havia. Eram todos muito jovens, todos muito entusiasmados, próprio de jovem com 20 anos, 25 anos. Escolheram um caminho. Não deu certo. Eu lembro que, naquela época, eu estava dentro da fábrica. Vivíamos um momento de extraordinário crescimento da oferta de emprego. Havia essa divergência entre a esquerda organizada: jovens bem-intencionados que queriam derrubar o regime militar e, do outro lado, os trabalhadores vivendo um boom da economia, o milagre brasileiro da década de 70, que no ano de 1973 atingiu um crescimento de 14,3%. A luta armada era algo distante da classe trabalhadora.
Democracia
Nesses 12 anos, até ganhar a eleição em 2002, qual foi a grande mudança?Não acredito na palavra insubstituível. Não existe ninguém que não seja substituível, ou que seja imprescindível. Quando um dirigente político começa a pensar que é imprescindível, que ele é insubstituível, começa a nascer um ditadorzinho. Acho que eu só cheguei à Presidência da República por conta da democracia deste país. Foi a democracia que permitiu que um operário metalúrgico, utilizando todos os instrumentos democráticos e vivendo as adversidades, chegasse à Presidência. Então, eu tenho de valorizar isso. Um dia eu acreditei que era possível chegar à Presidência pelo voto. E não eram poucos os estudiosos que me diziam que seria impossível, pelo voto, chegar lá.
Mas o sr. precisou fazer uma mudança brutal no seu discurso.Entre o candidato derrotado de 1989 e o de 2002 há uma grande diferença, não?Você está lembrado de quantas vezes eu disse que era uma metamorfose ambulante. Mas, se o político não vai se adaptando ao mundo em que ele vive, ele vira um principista (ortodoxo). Na hora do discurso, à frente de um partido, você pode ser principista (ortodoxo), mas na hora de governar você precisa saber que tem um jogo que tem de ser jogado, muitas vezes em momentos graves de adversidade.
Adversidades de que tipo?Um dia vocês vão ter idéia do que foi o ano de 2003 na vida deste país e na minha vida. Quando nós resolvemos aumentar o superávit (de 3,75% do PIB) para 4,25% do PIB, quando decidimos fazer um ajuste fiscal, eu só tinha uma perspectiva: ou nós fazíamos (no primeiro ano do primeiro mandato), que eu tinha capital político, na perspectiva de que estava plantando uma árvore frondosa, e recuperaria esse capital político, ou eu não faria porque ainda estava com o discurso da campanha na minha cabeça. E quando chegasse a 2004 eu não conseguiria fazer mais nada. Aí eu seria mais um que passou pela história do Brasil sem fazer o que precisava ser feito. Hoje, quando eu vejo determinadas manchetes, determinados comentaristas, articulistas falando da crise americana como uma coisa que pode (atingir o Brasil), eu digo que nunca estive tão tranqüilo na minha vida.
Por que tão tranqüilo?Porque estou convencido de que temos solidez para segurar este país. As bases estão construídas. Tenho um mandato de quatro anos, e não quero ser julgado nem por seis meses, nem por um ano. Eu quero ser julgado pelos quatro. Foi duro, foi um sofrimento, vocês não sabem o que passou na minha cabeça no dia 1º de Maio de 2004, quando eu não pude dar reajuste (no salário mínimo). Hoje vivemos um momento bom, mas, se a gente perder a seriedade e achar que já pode fazer a farra do boi, nós poderemos quebrar a cara. Construímos o básico, mas ainda tem muita coisa para ser feita.
Tem gente ainda pensando em farra do boi?Sempre tem. O que não falta é gente querendo que a gente gaste. E nós vamos gastar apenas aquilo que é essencial.
Aliados
Há quem avalie que, ao final dos dois mandatos, o sr. deixará o PT com cara de PMDB. O partido não é mais o mesmo.Não é possível que as pessoas queiram que o partido de 2007 seja o mesmo de 1989.
Mas tem gente no PT que quer.Essa é a riqueza da democracia. O que é a riqueza de uma redação de um jornal? Pessoas juntas, mas que têm divergências sobre um ponto de vista - e dali o chefe consegue tirar uma linha editorial. Essa diversidade no PT é que permite que a gente nem vá para a ultra-esquerda nem para a direita. Que você fique em uma posição intermediária daquilo que é a política possível de ser colocada em prática, daquilo que é possível estar de acordo com a realidade.
O sr. disse que a base muito heterogênea é uma realidade do cenário político brasileiro. Disse que, ao chegar ao governo, teve de se adaptar. Será que a população não gostaria que o sr. tivesse se adaptado um pouco menos?Primeiro, a grande mudança política aconteceu com a Carta ao Povo Brasileiro, na campanha de 2002. Ela balizou o tipo de compromisso que eu tinha assumido com o Brasil. Foi aquela carta que me deu a vitória em 2002. Eu sempre tinha 35% dos votos, e me faltavam 15% para ganhar as eleições. Aquela carta, a composição com José Alencar de vice, eram os ingredientes de que nós precisávamos para fazer com que a gente pudesse ter os outros 15%. Isso aconteceu, nós fomos a 61%. Portanto, não houve frustração de discurso porque o discurso foi o que me deu a vitória. Possivelmente, ainda temos de fazer mais para os setores médios da sociedade. Tem muita gente que tenta criar uma disputa entre pobres e classe média, que eu acho que não existe.
Como é que isso se reflete, na prática?Acho que uma das razões pelas quais a Marta Suplicy perdeu as eleições foi a opção de ela fazer aqueles CEUs para privilegiar as camadas mais pobres. Setores médios da sociedade, que moravam em bairros próximo aos CEUs, que não tinham uma escola de qualidade como aquela para colocar seus filhos, (reagiram) com um pouco de preconceito.
Voltemos à base heterogênea: precisa dar esse apoio ao presidente do Senado, Renan Calheiros?O caso Renan é um caso típico do Congresso. O que eu posso fazer como presidente da República? Nada, a não ser torcer para que o Senado resolva aquele problema. O Senado poderia ter resolvido mandando para a Suprema Corte, mandando para o Ministério Público...
Mas o governo é acusado de proteger o senador Renan.Algumas pessoas insinuam que o governo está ajudando. O governo não ajuda, até porque não tem como ajudar, mesmo que quisesse.
Mas a solidariedade do sr. não gera mais ônus do que bônus para o governo?Não, a minha solidariedade será para você, no dia que você for injustiçado, porque, na hora que tiver uma acusação contra você, eu vou te defender até que você seja julgado e condenado.
O sr. acha que ele está sendo injustiçado?É que eu acho que não houve julgamento ainda. O que há é um processo de acusação e um processo de defesa, todo dia. Vai chegar o momento em que tem de decidir. Mas, enquanto não decidir, eu não posso condenar ninguém.
O País não sofre de excesso de condescendência? No caso do senador Renan, que é presidente do Senado e do Poder Legislativo, só o fato de ele aceitar favores de um lobista de empreiteira para pagar suas contas pessoais já não é quebra de decoro?Eu posso não gostar de uma coisa que você tenha feito, mas eu não posso, a priori, querer que você seja condenado para satisfazer a minha posição. Eu quero que você seja defendido e possa provar se é inocente ou não.
Protesto contra reforma acaba em tiroteio em Caracas
BBC Brasil
Atiradores abriram fogo contra estudantes que voltavam de manifestação pacífica
Pelo menos oito pessoas ficaram feridas, duas delas baleadas, em um incidente ocorrido no campus da Universidade Central da Venezuela, em Caracas, nesta quarta-feira.
Segundo relatos de testemunhas, homens encapuzados abriram fogo contra estudantes que voltavam de um protesto pacífico no centro da cidade contra a reforma constitucional proposta pelo presidente Hugo Chávez.
Os tiros provocaram confusão e correria entre os estudantes.
Uma testemunha disse à agência de notícias Reuters que, depois dos primeiros disparos, apoiadores do presidente passaram pela região em motocicletas, atirando para o alto.
Policiais foram enviados para o trajeto da protesto para evitar confrontos entre apoiadores de Chávez e manifestantes.
O campus da universidade, que é considerada um centro de oposição ao governo de Chávez, também foi cercado pela polícia.
Marcha
Os estudantes haviam participado de uma marcha que reuniu milhares de pessoas no centro de Caracas, até a sede do Tribunal Supremo de Justiça, onde os manifestantes entregaram um documento em que pedem o adiamento do referendo para aprovar a reforma constitucional, marcado para 2 de dezembro.
A reforma foi aprovada pela Assembléia Nacional da Venezuela na semana passada e agora vai ser votada em um referendo popular.
Entre as mudanças mais polêmicas está o fim do limite no número de vezes que o presidente pode ser reeleito. A Constituição vigente prevê apenas uma reeleição direta, com um período de seis anos para cada mandato.
Outros artigos propõem a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias, o fim da autonomia do Banco Central, a inclusão do "poder popular" na escala dos poderes nacional, estatal e local e a proibição do latifúndio.
O polêmico artigo 337 limita o acesso à informação em caso de estado de exceção.
A oposição critica o projeto de reforma da Constituição por "concentrar poderes" e "atentar contra o princípio de alternabilidade na Presidência".
Apoiadores do presidente, no entanto, afirmam que as mudanças vão aprofundar a democracia no país e estabelecer as bases para a formação de um Estado socialista venezuelano.
Na semana passada, estudantes e policiais entraram em choque duas vezes em manifestações contra a reforma.
Tire as suas dúvidas sobre o referendo na Venezuela
BBC Brasil
Hugo Chávez já convocou sete referendos sobre outros assuntos
No próximo domingo, dia 15 de agosto, os eleitores da Venezuela vão às urnas para decidir se o presidente Hugo Chávez continua ou não no poder.
Depois de mais de um ano de insistência, a oposição do país finalmente conseguiu que o pleito, que pode levar à convocação de eleições presidenciais ainda em setembro, fosse marcado.
Leia as perguntas e respostas a seguir para entender melhor o que vai estar em jogo no domingo.
Qual é a importância do referendo?O resultado do referendo pode mudar drasticamente as políticas internas e externas do país, que é o quinto maior produtor de petróleo do mundo.
A oposição vem insistindo na realização desse pleito desde o ano passado e temia perder a chance de expulsar o governo de esquerda de Chávez caso o referendo acontecesse depois de agosto.
A Constituição venezuelana prevê que, mesmo que Chávez perca um referendo depois de 19 de agosto, quem assumiria o poder até as eleições presidenciais de 2006 seria o vice dele, José Vicente Rangel.
No entanto, se o presidente perder o pleito do dia 15, a Constituição prevê a convocação de eleições presidenciais dentro de 30 dias. O que ainda não foi esclarecido é se Chávez poderia, então, se recandidatar.
Qual é o poder de Hugo Chávez atualmente?Desde que foi eleito em 1998 e reeleito em 2000, Chávez convocou e venceu sete referendos. Isso permitiu que ele modificasse a Constituição e ampliasse o seu próprio mandato. O atual mandato de Chávez vai até 2007, mas ele pode se reeleger por outros seis anos.
Antes das mudanças propostas pelo atual governo, os presidentes da Venezuela tinham mandatos de cinco anos, sem direito a reeleição.
Entre as outras modificações feitas por iniciativa de Chávez estão a abolição do antigo Senado e a criação de um novo Tribunal Superior e de uma Assembléia Nacional.
Ambas as casas abrigam vários aliados de Chávez. As Forças Armadas também ganharam poder muito maior do que tinham até antes do atual governo.
Algumas modificações na Justiça também provocaram suspeitas em alguns setores. Desde abril, a Assembléia Nacional tem o direito de acrescentar 12 magistrados aos 20 integrantes do Supremo.
Até então, nomeações e dispensas no Supremo tinham que ter a aprovação de dois terços da Assembléia – maioria com a qual o governo não pode contar.
Hoje, é necessária apenas uma maioria simples. Com isso, os críticos dizem que o governo utiliza a sua ligeira maioria na Assembléia para garantir a maioria dos assentos no Supremo.
Quem tem o apoio da população?É difícil encontrar na América Latina uma população mais dividida do que a da Venezuela nos dias de hoje. Tanto socialmente quanto politicamente, a Venezuela está rachada.
Para os simpatizantes de Chávez – pelo menos um terço dos 14 milhões de eleitores venezuelanos, que representam 80% da população de 24 milhões –, ele é um defensor dos pobres.
No entanto, para os seus detratores, Chávez está cada vez mais próximo de um ditador.
O presidente tem lançado ataques pesados contra a imprensa, a Igreja, as associações patronais e os sindicatos, além dos partidos políticos tradicionais – setores habitualmente vistos como fundamentais para governar o país.
Qual é o resultado mais provável do referendo?Para derrubar Chávez, a oposição precisa, além de garantir a maioria dos votos, reunir mais do que os 3,76 milhões de votos que o presidente conquistou nas eleições de 2000.
O outro desafio para a oposição seria conseguir encontrar um candidato para as eleições presidenciais que se seguiriam ao referendo. Atualmente, não é possível identificar um líder claro.
O candidato mais provável seria o governador de Miranda, Enrique Mendoza, que está sendo investigado por sua participação na greve geral de 2002-2003.
A popularidade de Chávez está subindo, ao mesmo tempo em que o país se recupera da crise em parte graças à alta do petróleo.
O presidente resistiu a uma tentativa de golpe e a uma greve no setor petroleiro que jogou o país em uma recessão e continua confiante sobre o referendo.
Qual é a importância da Venezuela no mercado do petróleo?O país é o quinto maior produtor do mundo e faz parte da Opep, a organização dos produtores do combustível que controla cerca de metade de todas as exportações de petróleo cru.
A Venezuela é o quarto principal exportador de petróleo para os Estados Unidos e responde por 15% do consumo americano.
A greve de 2002 teve efeitos diretos sobre os americanos, que, diante da instabilidade do Oriente Médio, têm grande interesse em estabilidade na Venezuela.
Qual é a atual política externa venezuelana?O presidente Hugo Chávez tem confrontado os Estados Unidos abertamente ao apostar em um relacionamento próximo com Cuba e Fidel Castro e ao se opor às propostas americanas para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
A Venezuela fornece petróleo para Cuba, que, em troca, envia milhares de médicos e professores de educação física ao país.
A política chavista transformou a Venezuela no principal parceiro comercial de Cuba. Se esse relacionamento for rompido , Cuba pode enfrentar graves problemas econômicos.
Mas o relacionamento com outro país vizinho, a Colômbia, que tem em Álvaro Uribe um presidente pró-Estados Unidos, não é tão harmonioso.
A fronteira entre os dois países é uma das mais violentas na América do Sul.
A partidarização do movimento estudantil
A gênese do contemporâneo anacronismo do ME deve ser procurada em elementos ainda mais profundos que o apontados até agora.Não se trata apenas de apontá-lo como consequência de um passado brilhante,é preciso investigar mais fundo.Sua origem está em sua partidarização.
O que defino como partidarização,não é o fato dos estudantes serem filiados a partidos políticos.Ser filiado a um partido,seja qual for,de direita,centro, ou esquerda,é questão de cidadania(Embora os partidos também precisem superar certos arcaísmos o que já é outra discussão).Filiar-se significa que o estudante percebeu que buscar uma sociedade melhor,mais justa e converjente à sua visão de mundo,é uma ação que não se encerra na universidade.Pelo contrário precisa ser complementada por ações sociais mais amplas,sob pena de condenar sua movimentação estudantil à ineficácia.
O que defino como a gênese do anacronismo do ME é o fato de que a grande maioria dos integrantes do movimento não estão preocupados com a universidade.Alguns nem mesmo cursam disciplinas regularmente.Matriculam-se em várias IFES para que possam ampliar sua "militância".Escolhem seus cursos de acordo com os interesses dos dirigentes do seu partido.Ao invés de levarem a Universidade e seus desafios para serem debatidos nele,fazem o contrário,trazendo o partido e seus interesses maquiavelianos para a Universidade.
No fundo trata-se de uma discussão que aparece no filósofo e cientista político Antônio Gramsci.Existe,dentro dos partidos dois tipos de centralismo,consensos operacionais buscados para dar sentido unívoco às ações de seus integrantes:
O democrático e o burocrático. O último vem dos dirigentes para a base.No primeiro,ocorre o inverso.
Para reforçar meus argumentos,basta observarmos a última reunião do CONSUNI na internet e lermos o jornal da SINTUFRJ. Destas pesquisas perceberemos que bastou o reitor retirar um item do PRE para ele ficar bom.Bastou que tirasse o trecho em que o documento manifesta sua adesão ao REUNI.Todas as outras partes do PRE mantiveram-se inalteradas,inclusive seu conteúdo que converje com os objetivos e metas previstas no decreto.
Ou seja,acabaram-se as mentiras a seu respeito,que acusavam-no de implantar aprovação automática, privatizar o ensino e muitas outras coisas.Infelizmente,essa polarização partidária,travada por aqueles que querem prejudicar o governo Lula a qualquer custo,sem discutir o mérito e a gênese de cada proposta e aqueles que querem apoiá-lo usando métodos análogos,marginalizou o mais importante:discutir a univerisdae que queremos para este milênio.
Democracia,de verdade,é o povo na Universidade
As ações recentes do movimento estudantil da UFRJ denunciam a crise que o assola.Uma de suas canções aponta e reforça a afirmação acerca de sua decadência "nas ruas,nas praças,quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil".Trata-se de uma retórica que aponta,em seu próprio discurso,o distanciamento do ME das reinvindicações sociais e demandas discentes.
O movimento estudantil não está mais preparado para lutar pela superação dos arcaísmos estruturais de nossa sociedade porque seus questionamentos encerram-se naquilo que foi vanguarda em 1964.A mensagem abaixo reproduzida anuncia o absurdo : Defender um plebiscito onde os estudantes teriam poder decisório a respeito das deliberações universitárias maior que todos os outros setores da comunidade acadêmica.Democrático,de verdade, é a paridade.
Outros pontos,que, desta perspectiva,reforçam seu anacronismo: Os argumentos contra o PRE,a interiorização, abertura de novas IFES e o REUNI encerrando-se na idéia de que interiorização,cursos noturnos e mais vagas pioram a qualidade do ensino.Ora,é de conhecimento notório que as universidades modernas foram concebidas como centros de excelências voltados para educar uma elite econômica.Essa definição de "qualidade" converje com essa visão de mundo, vanguardista no século XVI mas reacionária no presente contexto histório.
Atualmente,o próprio desenvolvimento capitalista e das doutrinas socialistas(principalmente se considerarmos a filosofia de Gramsci no campo marxista e o modelo de gestão das corporações de TI como a Microsoft no campo capitalista),apontam na direção das universidades como centros de aprendizagem contínua,abertas a um numero mais expressivo de cidadãos,onde intelectuais orgânicos,capazes de estabelecer a conexão entre teoria e prática, possam contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.
Para os capitalistas,esta é condição sine qua non para a competitividade empresarial.Para Gramsci parte da guerra de posições e da sua "REVOLUÇÃO PASSIVA".É,portanto,um grave sinal de anacronismo as campanhas contra a democratização das IFES,a flexibilização das grades,a expansão dos cursos noturnos e o PROUNI,preconizadas pela ampla maioria do entorpecido ME contemporâneo.
Mulheres executivas
Desde 2004 o jornal A Gazeta Mercantil e o Jornal do Brasil, com o objetivo de reconhecer o talento e dedicação das mulheres que, imbuídas de sensibilidade e obstinação, participam e lideram a construção de um país ainda melhor, criou o Prêmio
"As Mulheres Mais Influentes do Brasil."Clique no atalho abaixo para conhecê-lo e participar:
http://www.mulheresinfluentes.com.br/Mulheres/Home.htmlEnviado por vagas.com.br
Aproveitarei a oportunidade para postar no grupo de discussões alguns artigos que permitem conhecer-mos um pouco mais a respeito dos desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho.
Um abraço a todos!
Felipe
Estudantes [supostamente]independentes inviabilizam o CONSUNI através de ATO em 8/11
"' Senhores conselheiros, está suspensa a seção'. E assim foi suspenso o CONSUNI, pelo reitor Aloísio Teixeira. Uma vitória daqueles que não consideram o conselho universitário legítimo e sim anti-democrático.
Nós estudantes independentes da UFRJ realizamos um ATO onde literalmente lavamos o espaço onde ocorreria o CONSUNI passamos olho de peroba nas mesas dos conselheiros (na verdade, queríamos passar na cara de pau de alguns deles), realizamos um conselho universitário simbólico onde todos os estudantes presentes que o direito a voz e voto. Diferente do que muitos possam pensar este não foi um ato de caráter espontaneista e sem objetivo. Há muito tempo que alguns estudantes se organizam e discutem temas da vida acadêmica, e a legitimidade do CONSUNI sempre foi um tema presente, que ganhou potência na discussão por causa da implantação a rodo do REUNI.
Com esse ato, conseguimos pedir a realização desse último CONSUNI, mas nós queremos mais:
- Queremos o fim desse tipo de órgão deliberativo onde temos exercida uma falsa democracia. Somos contra todos os CONSUNI'S pois estes não reproduzem a composição da UFRJ, com uma discrepância claramente pautada em relações de poder; os estudantes sao cerca de 80% da UFRJ, mais o conselho eles não totalizam nem 10% da composição deliberativa. Do regimento do CONSUNI, temos a seguinte distribuição de conselheiros universitários: 43 representantes do corpo docente, 5 representantes do corpo discente, 5 representantes técnicos administrativos e nenhuma representação dos terceirizados, por isso lutamos também pela realização de um congresso interno para discutir a legitimidade do CONSUNI.
- Reivindicamos a realização de plebiscito na UFRJ apontando para discussão do REUNI, para que toda comunidade acadêmica possa decidir sobre seus rumos, e todos os votos tenham o mesmo valor.
E a ação dos estudantes deu frutos: conseguimos que o reitor marcasse uma reunião com os estudantes(todos que quiserem ir), nesta sexta-feira, dia 09/11 às 10h na reitoria da UFRJ no gabinete do reitor. Por isso acreditamos que é importante que os estudantes estejam lá, ouvindo e sendo ouvidos, para que possamos ampliar o debate.
É um chamado a TODOS estudantes: secundarista, graduandos, pós-graduandos, estudantes dos pré-vestibulares comunitários ou não e àqueles que, saídos do ensino médio não conseguiram passar pelo funil que é o vestibular.
COMPAREÇAM, JÁ QUE NÃO NOS PROPOMOS A REPRESENTAR NINGÚEM ALÉM DE CADA UM DE NÓS! "
Enviado por
lariazevedo@gmail.com
Antídoto ao novo dependentismo
Por Márcio Pochman, no "Valor"01/11/2007
Pelo pensamento de Sérgio Buarque de Holanda, o sentido histórico da expansão econômica brasileira seguiu, em grande medida, o corolário da sucessão de "milagres" (ciclo da cana-de-açúcar, do ouro, do café). Eles "salvaram" o país da decadência, porém não desembocaram no desenvolvimento econômico e social imaginado pelo conjunto da nação. Nessa perspectiva, o desenvolvimento transformou-se no mito, conforme assevera Celso Furtado, em que o novo rompe pouco com o passado, quando não o reproduz pelo entorno da dependência externa.
Após o quarto de século de relativa decadência nacional (1980-2005) que sucedeu ao ciclo da industrialização nacional (1930 - 1980), o país sinaliza que parece se encontrar diante de um novo "milagre". Ou seja, o ciclo de expansão do agronegócio, cujo destaque maior é a agroenergia, como responsável por uma profunda reorganização da estrutura produtiva e social do país.
Não parece haver dúvidas que, com isso, o país se recoloca na Divisão Internacional do Trabalho como protagonista de uma matriz energética menos poluidora e geradora de uma nova riqueza. Essa oportunidade histórica, contudo, dificilmente se completará plenamente sem haver uma profunda alteração no papel do Estado, pois se encontra acompanhada dos vetores da concentração da riqueza e do novo dependentismo.
Do que já se observa até o momento, o país parece seguir trajetória equivalente à da grande empresa agromercantil açucareira do final do Século XVI, orientada e dependente das necessidades de acumulação externa. Lembre-se de que, naquela oportunidade, o ciclo da cana-de-açúcar tinha dois traços marcantes. O primeiro, destacado por Caio Prado Junior, era a importância da organização da produção do açúcar na formação das estruturas econômicas e sociais, responsáveis pela profunda concentração da propriedade da terra, da monocultura em grandes plantações, o desmatamento e o uso rebaixado da mão-de-obra que a tornava marginal na participação do consumo interno.
O segundo, percebido por Milton Santos, foi traduzido pela consagração dos dois circuitos que caracterizam a economia nacional: o superior, ocupado por grandes empreendimentos assentados na modernização tecnológica, na inserção internacional e no apoio do Estado; e o inferior, conformado pelo conjunto heterogêneo de atividades de pequena dimensão, geralmente sem maiores apoios do Estado, atrasado tecnologicamente e voltado às parcelas pobres da população.
Com o novo ciclo de exportação de commodities (carnes e couro, sucos, celulose, madeira, etanol, soja, entre outros) reorganizam-se as interfaces do restrito grupo das megacorporações transnacionais no Brasil, por meio da desnacionalização das empresas rurais, da internacionalização de parte do território, da reconcentração fundiária e da intensificação no grau de exploração dos trabalhadores. Da mesma forma que o Brasil passou de 60 para 800 engenhos de açúcar na virada do Século XVI para o XVII, o país deve saltar de menos de cem usinas sucroalcooleiras para próximo de 600 nessa passagem dos séculos XX para XXI, caso queira atender a 5% de todo o mercado mundial de etanol. O que significa ocupar quase 30 milhões de hectares de área plantada somente com a cana-de-açúcar.
Nessa toada, não cabe, mais uma vez, repetir o passado da grande empresa agromercantil do açúcar, dependente da extroversão econômica e da concentração da riqueza. Ainda há tempo para que o país conceda um passo urgente e decisivo na reinversão do ciclo da agroenergia.
Para isso, o Brasil precisa constituir, por exemplo, uma empresa pública de agroenergia, com o compromisso de garantir oportunidades universais de participação do circuito inferior da economia (pequenos e médios produtores rurais e de microusineiros sucroalcooleiros). Da mesma forma, caberia ainda o desenvolvimento de capacidades orientadas à centralização do comércio da energia renovável no país.
Por fim, o estabelecimento de um grande acordo em torno das relações de trabalho vinculadas à agroenergia, necessário para interromper a difusão do padrão de emprego asiático no campo e nas cidades por onde se localiza o complexo produtivo. Em síntese, evitar a difusão do emprego associado a elevadas jornadas de trabalho, forte rotatividade e baixa remuneração.
Sem rompimento com a repetição do passado, dificilmente serão construídos os elementos portadores de futuro. Sabe-se que são necessárias medidas governamentais que podem, talvez, contrariar interesses importantes, porém inegáveis, como antídotos do novo dependentismo que se forma em torno do ciclo do agronegócio no Brasil.
Sem um programa nacional comandado pela empresa pública, as organizações das atividades de agroenergia no Brasil tendem a se integrar à estratégia internacional monopolística das grandes corporações, que as coordenam não necessariamente a serviço dos interesses do conjunto da nação. Assim, a produção e a exportação de agroenergia, dependente exclusivamente do livre jogo das forças de mercado, podem produzir desvantagens e graves conseqüências para o plano da independência nacional. A decadência pode estar próxima do fim, porém a dependência não.
Marcio Pochmann é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), professor licenciado do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas.
Escreve mensalmente às quintas-feiras.
A alternativa do hidrogênio
Do Blog do Luis Nassif
Por Emílio
O hidrogênio não é uma fonte primária de energia. Deve ser produzido utilizando-se outras fontes. As mais utilizadas atualmente são o craquemento do petróleo ou do gás natural e a reação de vapor d´água com carvão. Todos esses métodos são poluentes.
A produção por eletrólise da água tem aumentado, mas como a eletricidade á gerada? Mesmo usinas hidrelétricas provocam gigantescos impactos ambientais, muitos dos quais só estão sendo avaliados agora. Vejam, por exemplo, os estudos sobre a produção anaeróbica de metano na usina de Tucuruí e seu empacto no aquecimento global.
Recentemente, porém, surgiram métodos biológicos de produção de hidrogênio a partir de algas. Veja P.ex
clicando aqui:O importante dessa discussão é a constatação de que probemas existem e existem para serem resolvidos. Esse alerta serve aos detratores dos biocombustíveis.
Por AndréAinda acho que é cedo falarmos que o hidrogênio categoricamente será o substituto do petróleo. Já ouviu falar que butanol pode ser usado sossegadamente no lugar da gasolina sem precisar de adaptações?
Clique aqui.Sim, o cara pegou um carro de 1992, sem adaptação alguma, e pôs um combustível para o qual jamais foi pensado. O resultado? Funcionou normalmente, poluiu menos e cruzou os Estados Unidos de ponta a ponta. Logo, em tese, o que está em nossas garagens, independente do ano de fabricação, pode ser tão ou mais ecológico que um modelo zero a gasolina.
E o butanol pode ser obtido das mesmas fontes do etanol, mas com a vantagem de poder ser transportado nas mesmas estruturas usadas pelos petroderivados. O processo de obtenção do butanol em outros tempos era caro, mas como verão no site que passei, tem um cara que criou uma forma de obter muito butanol e de forma barata. E, sendo obtido das mesmas fontes do etanol, pode ser obtido de cana e ter exatamente o mesmo ciclo de carbono do etanol.
Creio que mais viável que substituir carros e combustível seja substituir só o combustível e permitir que todos os carros do mundo poluam menos, independente se forem o triciclo de Gotlieb Daimler e Karl Benz ou um moderno veículo de motorização híbrida.
OBS: Um dos grandes problemas dos motores elétricos nas rodas é o peso que eles acrescentam nessa região. Acaba por se formar a chamada massa não-suspensa, que influi em absorção de impactos, frenagens e aceleração.
Por Luís Gustavo
A célula a combustível não é novidade. Há muito tempo se utiliza, embora não comercialmente, em projetos militares, na Nasa, etc. Existem vários tipos de células a combustível, a SOFC (Solid oxide fuel cell) já tem uma aplicação considerável, é uma célula estacionária, trabalha como substituto dos atuais geradores a diesel.
A célula a combustível utilizada em carro é a do tipo PEMFC. Houve muita evolução neste tipo de célula, para utilizar combustível que não o hidrogênio puro, porém, apenas do lado da pesquisa básica, na prática, o melhor é ainda utilizar hidrogênio puro. O hidrogênio é produzido por hidrólise da água, porém, este método de obtenção é caro. Uma alternativa é produzir hidrogênio através da reforma a vapor de gás natural, o que torna o processo de obtenção de hidrogênio mais barato, porém, neste processo formam-se traços de monóxido de carbono (CO), que adsorve fortemente sobre platina, que é o catalisador da célula a combustível, envenenando o eletrodo e assim a diminuindo drasticamente a durabilidade e eficiência da célula.
Na pesquisa básica trabalha-se muito com metanol e mais recentemente etanol. Ao invés, de entrar com o hidrogênio puro, entra no anodo com o álcool e tem se a eletrooxidacao direta deste álcool. No estagio atual das pesquisas, ainda esta longe da realidade, há muitos problemas técnicos. No futuro, daqui uns 20 anos, com toda certeza a célula PEMFC para carro se der certo será com álcool e não com hidrogênio puro. Uma rápida busca no google imagens por PEMFC, já mostrara eletro-eletrônicos como notebooks, mps3 e celulares movidos a célula a combustível com metanol, neste caso dá certo porque estes equipamentos necessitam de baixa corrente.
Uma grande vantagem da célula que não foi mencionado no texto é a alta eficiência, o motor a combustão funciona com o ciclo termodinâmico (Otto se não me engano), e tem eficiência teórico máxima de 35% sendo muito menor na pratica. A eficiência teórica de uma célula é de 82%.
Tirando o lado técnico os graves problemas para a comercialização da célula são:
Catalisadores de platina: são muito caros e a reserva mundial de platina é escassa para massificação das células em carro;
O eletrólito é uma membrana polimérica de Nafion da Du Pont; essa membrana é cara e não agüenta operações em temperatura muito altas.
O custo do hidrogênio puro.
Por marcosomag
O hidrogênio não vai ser adotado em larga escala como combustível.É inviável economicamente e energéticamente. O gasto de energia para produzir cada 1 joule do combustível hidrogênio é superior a 1 joule.A energia solar só avança onde existe subsídio governamental;e nada indica que seja viável economicamente para uso em larga escala. O álcool não pode substituir o petróleo de toda a frota mundial de veículos nem se todas as terras agricultáveis fossem ocupadas por canaviais. Evidentemente, a substituição de lavouras de alimentos por plantações de combustíveis levaria a uma hecatombe alimentar. O problema que ocorreu com o milho no México, recentemente, foi apenas uma pequena amostra do gravíssimo erro da adoção em larga escala de biocombustíveis.O "pico de Hubbert" está aí, apenas a desinformante imprensa ocidental não aborda este assunto proibido que levará ao fim da civilização do petróleo.
A maldição da Varig
Luís Nassif :
O último capítulo da crise aérea – o fechamento da BRA – é um reflexo de um dos vícios mais anacrônicos do país: o hábito de punir empresas por erros de seus controladores. Refiro-me especificamente ao fim da Varig, que marcou o início efetivo da crise aérea no país.
A Varig tinha uma governança caótica, um modelo exaurido de uma Fundação mais preocupada em administrar os benefícios próprios do que cuidar da sobrevivência da empresa. Mas não era apenas isso. A Varig era uma estrutura montada, competente, com boa manutenção, bom serviço de bordo, normas de segurança acima da média, estrutura de comercialização, malha nacional e internacional.
Esse conjunto de ativos intangíveis, que compõem o que se denomina de empresa, é um valor nacional. Quando se permite seu desmonte, está-se jogando fora riqueza nacional.
Nenhuma empresa pode ser “culpada” dos desmandos de seus executivos. É por isso que a nova Lei de Recuperação Judicial abre espaço para que, em caso de falência ou concordata, tirem-se e punam-se os controladores, mas preservem-se as empresas.
***
No caso da Varig, a solução era óbvia. Fechada, a empresa tem o valor apenas dos seus ativos: hangares, aviões, marca etc. Em funcionamento, a empresa tem outro valor, gera outro nível de faturamento, mantém clientela, mantém distribuição. O correto teria sido preservar a Varig, afastar seus controladores, vender seu controle para grupos idôneos, que definissem estratégias novas, implantasse nova gestão.
Mas foi impossível, e não apenas pela falta de jogo de cintura da Justiça, mas por um conjunto de outros fatores. Passou pela pressão dos grandes concorrentes para poder ocupar o vácuo da companhia. E completou com o alarido incompreensível da opinião pública, tratando da salvação da empresa como se fosse a salvação de empresários falidos.
Não foi um ou outro articulista, mas a mídia em geral, numa demonstração rotunda de que o chamado capitalismo brasileiro, especialmente para seus defensores mais ideológicos, não passa de um amontoado de clichês. Essa confusão entre o controlador e a empresa foi geral. Portas-vozes de uma suposta modernidade atacaram qualquer solução que significasse a manutenção da empresa operando. E da parte do governo Lula, houve a falta de ação absoluta, uma inércia que permitiu que a agonia da Varig se prolongasse por anos, sem que nada fosse feito.
***
Hoje o país paga caro pelo desleixo, pela ignorância, por esse mercadismo de araque que domina o discurso público, de não saber separar empresa de empresário.
Primeiro, pela incapacidade do setor de atender ao aumento da demanda. Depois, pelo fim da competição, levando a uma ampla deterioração dos serviços públicos. Pelo desemprego de milhares de pessoas e pela evasão de pilotos e técnicos tarimbados, que estão fazendo falta nesse processo de expansão desordenada da malha aérea. Finalmente, por ter substituído uma empresa do padrão Varig por aventureiros, como essa BRA que acabou de fechar.
Continua na internet a polêmica sobre o REUNI
Flávia Calé
Diretora da UNE
Pessoal,
Esses vídeos estão disponíveis no youtube para que todos possam ter acesso ao que ocorreu no Conselho Universitário do dia 18/10.Setores do movimento estudantil, completamente aparelhados pelos interesses partidários do PSTU e PSOL (CHAPA 2 para o DCE), atacam a democracia na nossa universidade conquistada a duras penas.não faz tanto tempo que passamos por uma ditadura militar e pelo autoritarismo de FHC ao impor o reitor Vilhena à comunidade da UFRJ.
Atacam a democracia da nossa instituição através de argumentos mentirosos(que a exemplo do que fizeram os nazistas, tentam repetí-las várias vezes para que se tornem de fato verdades!!!) de que a Universidade perderá qualidade, fará aprovação automática, que será privatizada se aprovar o Plano de Reestruturação e Expansão.Enfim, mentiras e mais mentiras. Devemos denunciá-los de uma vez por todas Resumo do CONSUNI:
http://www.youtube. com/watch? v=k0icuerxP GE
A reportagem da WebTV UFRJ sobre o CONSUNI:
http://www.youtube. com/watch? v=O8q8PxAkx ac
Oposição de extrema esquerda vence eleição para o DCE UFRJ
As eleições para o DCE Mário Prata terminaram com vitória da oposição.A chapa dois venceu com margem significativa dos votos:cerca de 55 %.A chapa 1 ficou com apenas 20%.Os 25% restantes ficaram divididos entre as outras 4 chapas.A gestão será proporcional.
Esperamos que a chapa vencedora tenha o bom senso de manter a estrutura conquistada pelos estudantes,além de promover debates e congressos estudantil que possam promover a participação discente nos assuntos universitários.
A vitória da chapa não pode ser considerada como a rejeição ao PRE proposto pelo reitor,ou ainda ao REUNI,uma vez que apenas um referendo discente pode fazÊ-lo.Aguardarei anciosamente pela iniciativa da chapa que comandou o DCE UFRJ em 2004/2005 e 2005/2006 :
"Entre os dias 29, 30 e 31 de outubro, como todos sabem, ocorreram as eleições do DCE da UFRJ. Seis chapas participaram do processo eleitoral e é com grande satisfação que escrevo este e-mail para publicizar o resultado. Na eleição com o maior número de votos da História do DCE-UFRJ, em que 8532 estudantes foram às urnas, a esmagadora maioria destes, 4849, votou na chapa 2, "De Que Lado Você Samba? - Oposição Unida".
O resultado da eleição expressa em grande medida que os estudantes da UFRJ são hoje majoritariamente contrários ao REUNI, já que a nossa chapa obteve maioria ampla sobre a chapa 1, defensora do decreto. Ganhamos em quase todas as urnas, inclusive nos lugares que são historicamente redutos da chapa 1, como Psicologia, Odonto e várias do CT. A posse da nova gestão deverá ser na semana que vem. Estão todos convidados desde já para o nosso Coquetel de Posse.
Seguem abaixo os números da eleição:
Chapa 1 - "DCE em movimento - Todos pela UFRJ" - 1783 votos
Chapa 2 -
"De Que Lado Você Samba? - Oposição Unida" - 4849 votosChapa 3 - "Correnteza" - 445 votos
Chapa 4 - "Quem Vem Com tudo Não Cansa" - 637 votos
Chapa 5 - "Geral Num Braço Só" - 345 votos
Chapa 6 - "Consulta Já - Eu Escolho Meu Rumo" - 369 votos
Total de votos: 8532
Forma de composição da gestão:
Proporcionalidade"
Carol - Estudante da ECO/UFRJ
CONSUNI AVALIA EMENDAS AO PRE/UFRJ
ALINE DURÃES - OLHAR VIRTUALNa sessão ordinária do Conselho Universitário (Consuni) desta quinta-feira (25), o colegiado máximo da universidade avaliou as emendas ao Programa de Reestruturação e Expansão da UFRJ (PRE/UFRJ), documento aprovado pelo órgão no último dia 18 de outubro.
As emendas, redigidas pelos professores Juliana Neuenschwander Magalhães, diretora da Faculdade de Direito (FD) e Abílio de Lucena Filho, da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), pelo Sindicato de Trabalhadores em Educação da UFRJ (Sintufrj), pelo conselheiro Agnaldo Fernandes e pelo reitor Aloísio Teixeira, foram analisadas e votadas, uma a uma, pelos conselheiros.
Antes de passarem pelo crivo do Consuni, as mais de 35 alterações textuais foram examinadas pela Comissão de Desenvolvimento, presidida por Ângela Rocha dos Santos, decana do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN). A Comissão acolheu algumas retificações e negou outras, mas todas as emendas foram encaminhadas à avaliação do colegiado.
O Consuni aprovou pontos como a integridade e inalienabilidade do patrimônio da universidade e a prioridade na alocação de recursos futuros na Ilha da Cidade Universitária, parte do projeto de reordenação espacial das unidades da UFRJ. “A prioridade dada ao Fundão pode nos fornecer fontes públicas de recursos que nos permita melhorar a vida aqui”, destaca o reitor Aloísio Teixeira.
Estudantes se retiram do Conselho
Durante a sessão, os conselheiros abriram espaço para que a Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (Adufrj), Sintufrj, uma representação do campus da Praia Vermelha e dos estudantes que ocupam o salão da Reitoria desde 18 de outubro defendessem seus pontos de vista e expusessem reivindicações.
Os alunos ligados à Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (Conlute) e às demais correntes do movimento estudantil organizado que, na sessão do dia 18 de outubro, tentaram impedir o Consuni de deliberar sobre a resolução do PRE/UFRJ, exigiram que a Reitoria reconhecesse a ilegitimidade do processo de aprovação do programa, ocorrido na semana anterior.
Após a proposta de inclusão da discussão sobre a realização de um Congresso interno da UFRJ na ordem do dia do Consuni ter sido rejeitada, os estudantes conselheiros Mário Jorge e Jorge Badauí abandonaram a sessão.
- A decisão de haver um congresso interno da UFRJ tem que ser avaliada, em primeiro lugar, pela comunidade universitária para depois o Consuni deliberar sobre a proposta – explicou Carlos Vainer, representante dos professores titulares do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) no Consuni.
Oito meses para a discussão
O Programa de Reestruturação e Expansão da UFRJ (PRE) será agora encaminhado para a avaliação do Ministério da Educação. O primeiro módulo do documento, que prevê a criação de vagas e cursos de Graduação, se aprovado, tem previsão de execução imediata, conforme avaliação e regulação pelos colegiados acadêmicos da instituição. Já os módulos II e III, que propõem medidas para a integração acadêmica e para a construção das bases da universalização do Ensino Superior, terão um prazo de oito meses para serem discutidos pela comunidade universitária.
UFRJ ENVIA PRE PARA O MEC
COORDCOM/UFRJO PRE da UFRJ será um dos que terá prioridade de análise pelo MEC, bem como de liberação de recursos do REUNI para o primeiro semestre de 2008, uma vez que foi totalmente aprovado pelo Conselho Superior da instituição e encaminhado dentro do prazo informado pelo Ofício Circular SESu/MEC n° 121/2007, encaminhado às Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), em 03 de setembro, pelo Secretário da Educação Superior, Ronaldo Mota.
O Ofício – que trata de “alterações de prazos para apresentação de planos ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI e orçamento adicional às Universidades Federais” – comunica a disponibilização do Sistema Integrado de Planejamento, Orçamento e Finanças (SIMEC), destinado especificamente para o encaminhamento das propostas das IFES de participação no REUNI.
Conforme a SESu, as instituições que não concluíram seus planos até 29.10 poderão enviá-los, alternativamente, até o dia 17 de dezembro de 2007, caso em que os recursos só serão liberados a partir do segundo semestre de 2008.
Clique aqui e veja o PDF da íntegra da Resolução n° 09/2007 que institui o PRE/UFRJ encaminhado ao MEC