terça-feira, outubro 16, 2007

Resposta do diretor do IE

Prezado Vainer:

O IE percorreu nas últimas décadas o caminho exatamente oposto ao proposto pelo PRE. Na medida em que não éramos atendidos pela UFRJ em nossas demandas de créditos oferecidos pelas outras unidades que nos enviavam professores de nível insatisfatório, optamos pela autonomia abrindo concursos em quase todas as áreas em que temos necessidade de cursos, incluindo direito, matemática, estatística, sociologia etc.

Daí a nossa postura eventualmente considerada arrogante e nossa dificuldade em adotarmos o PRE. Temos medo de destruir tudo que construímos ao longo dos últimos anos com tanto esforço.

A questão do ciclo básico mais amplo me parece muito interessante, mas teria que ser implementada levando em consideração nossas características e dificuldades. Não aceitamos cursos de baixa qualidade oferecidos por professores desinteressados e desinteressantes junto com alunos incompetentes de outras unidades. Só vale a pena mudar se for para melhor, abrindo novas disciplinas de qualidade para nossos alunos.

Em relação aos cursos curtos temos sérias dúvidas e não sabemos como o mercado os receberá. Precisamos de mais informação para nos posicionarmos e como a reitoria ampliou o tempo para discussões sobre o tema temos que aproveitar bem os próximos meses para termos uma posição sobre tais cursos.

A questão da ida para o Fundão é a que mais nos aflige. Temos dificuldades logísticas enormes na PV, mas a ida para lá pode piorar ainda mais. Até há alguns meses falava-se em construir prédios aqui para salas de aula e professores (ver PDI da UFRJ). Inclusive optamos pela abertura do curso noturno de Economia para ser realizado aqui e nunca pensamos em abri-lo no Fundão.

Acho que, em princípio, todos os cursos se localizarem num mesmo campus possui uma lógica difícil de rebater. Mas tendo em vista as inúmeras dificuldades do Fundão, qualquer transferência deveria estar condicionada à prévia resolução dos atuais problemas do Fundão e seus arredores. Não podemos dar carta branca à Reitoria e nos mudarmos sem antes termos as condições básicas necessárias garantidas.

Também não poderemos abrir o curso noturno lá, pelo menos nos próximos anos. A graduação de economia está sofrendo uma forte competição das particulares (PUC, FGV e IBMEC). A ida para o Fundão será um novo golpe para nós e cada vez mais ficaremos sujeitos a receber os piores alunos que não têm condições financeiras para pagar as elevadas matrículas nas particulares.

Nossa proposta alternativa é a manutenção do campus da PV, ampliando sua área de especialização em humanas e sociais, inclusive com a vinda de unidades como o IFCS e a FND. Assim passaríamos a ter dois campi na cidade, além dos vários que estão sendo criados e fortalecidos no interior do Estado do RJ.

Em resumo, não vejo problemas, pelo menos à médio prazo, em mantermos nosso campus na PV ampliado com unidades isoladas que poderiam vir para cá. A longo prazo, poderiam ser feitas as melhorias necessárias no Fundão e na cidade em seu entorno. Uma vez resolvidos todos os problemas, inclusive com as melhorias apontadas em seu documento, poderíamos pensar seriamente em fazer a transferência no futuro, se ainda avaliada como necessária.

Espero que minha posição tenha ficado clara para ajudar seu posicionamento na quinta feira.

Abraços e parabéns por sua postura de legítimo representante dos professores titulares do CCJE,

João Saboia