Mobilização estudantil barra votação do REUNI na Ufrgs
Não foi a hora ainda do REUNI na Ufrgs e se depender dos estudantes, funcionários e professores que já descobriram o que é esse tal de REUNI, dificilmente ele terá sua vez. O processo na Ufrgs não está sendo diferente do que é o atropelo do decreto federal que propôs o REUNI, feito nos moldes neoliberais do Banco Mundial para a educação nos países “periféricos”.No penúltimo Consun (Conselho Universitário), alguns estudantes e DCE através da entrega de um abaixo assinado com quase 1500 assinaturas já haviam solicitado à Reitoria um amplo debate sobre o assunto. É preciso lembrar, o REUNI foi tirado da pauta na época, pois a Reitoria temeu uma maior manifestação dos estudantes já que coincidia com o início do Congresso Estudantil onde o tema principal era o projeto. Aliás, outro tema que poderia mobilizar que foi tirado da pauta do dia foi o convênio da Aracruz com o Centro de Biotecnologia.
Convocado de forma extraordinária, já que a periodicidade do Consun é mensal, e sempre realizado no final do mês, o palco estava armado para a votação, quinta-feira, 11 de outubro às 8:30 h. Manobra esta logo identificada, pois havia a possibilidade do pedido de vistas por parte de algum conselheiro, e isso poderia deter mais dois meses, sem a convocação extraordinária.
Na última reunião de sábado do DCE, o foco foi decidido e o curto tempo para tentar mobilizar o maior número de estudantes.
No mesmo local e na mesma hora, já que virou rotina as manifestações na Reitoria este ano, vale lembrar as manifestações da Permanência, do 17 de abril (dia nacional de luta), do 23 de maio (dia nacional contra as reformas neoliberais), do convênio da empresa Aracruz com a Agronomia/Ufrgs, Ocupação da Reitoria e as manifestações Pró-Cotas.
Cerca de 200 estudantes compareceram, os ônibus alugados vindos dos campi do Vale e Olímpico engrossaram o ato. Mas desde cedo se viu a truculência da Reitoria com a falta de democracia na universidade, pois além da proporcionalidade dos 70:15:15 (professores, funcionários, estudantes respectivamente) no Consun, somente uma “comissão” de 24 pessoas poderiam assistir à reunião, o número de assentos livres para o público em geral, pois pela desculpa de que “ninguém poderia ficar de pé”. Então para maioria dos estudantes presentes, a maior proximidade era o saguão térreo do prédio da Reitoria.
A criatividade e animação não foram deixadas de lado: tambores, apitos, narizes de palhaço, palavras de ordem e intervenções dos colegas e diretórios já era sentida como “bafo quente” na nuca e ouvido de cada conselheiro e da administração. Chegou na pauta do REUNI e a dificuldade não só de questioná-lo, mas pelo simples entendimento o que é isso, para a maioria dos conselheiros (professores).
Lembrando, que no salão de Atos da Ufrgs estava acontecendo o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, e a hora do “Cofee Break” que acontecia no segundo andar da Reitoria foi momento de encontro entre congressistas e manifestantes. Além de muitas fotos tiradas, os participantes queriam saber o porquê do ato.
Chegou o momento mais tenso, inicialmente a pressão por subir e poder ficar mais perto para pressionar o Conselho, depois infelizmente, de precisar passar pelos seguranças, que estavam ali; trabalhadores, servidores da segurança da universidade cumprindo sua função, mas se soubessem o que estava sendo tratado naquele recinto, estariam certamente do nosso lado. Pois, com cerca de dez seguranças, houve confronto, estudantes e seguranças se machucaram, além de perdas materiais: tênis, óculos, camisetas, etc. ah, e a quebra de um vaso enorme na subida da escada. Transposto a barreira dos seguranças, os estudantes ficaram na porta do Conselho. Agora o calor do “bafo” já era maior.
A atuação dos nossos representantes discentes, Beliza Lopes (Ciências Sociais), Cristiano Moreira (Direito) e Shin (Esef) foram determinantes, pois através deles se conseguiu o pedido de vistas e o REUNI não foi para votação. Mas a audiência pública pedida foi negada.
A discussão no Conselho se prolongou inclusive com manifestações contrárias dos servidores e professores. O que marcou negativamente foram as falas das outras representantes discentes, da Cláudia Thompson do MEL (Movimento Estudantil Liberdade) já não se esperava muito, pois são favoráveis e adeptos abertos da privatização da educação, mas a representante Gabriele, do Direito que pertence à UJS/ PCdoB, direção majoritária da UNE, em um ato de governismo, tentou defender o REUNI, acusando inclusive os contrários ao projeto de serem contra à ampliação de vagas na universidade pública. Outra fala lamentável é do representante da Adurfgs (Sindicato dos Docentes da Ufrgs), Eduardo Rolim, que pasmem, falou que o REUNI foi amplamente discutido na universidade.
Depois de vencida a pauta, Bernadete Menezes, representante da Assufrgs (Sindicato dos servidores da Ufrgs) e o professor Molina, do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes) chamaram para a mobilização da próxima reunião do Consun, que será no dia 29 de outubro, as datas todas já programadas pela Reitoria. Ficou a tarefa para todos os estudantes presentes ampliarem o debate, e levá-lo para cada espaço da universidade, promovendo uma reunião em cada unidade, que desta reunião se saia com uma posição oficial. Teremos duas semanas para fazer isso e começar a mobilizar cada estudante para que dia 29 de outubro pelas palavras da estudante Kátia das Ciências Sociais faço coro: “traga mais um colega, um amigo”, o cachorro, o vizinho, o pai e a mãe, o avô, pois o rumo já tão desvirtuado da universidade estará em pauta.
“Na USP, na Ufrgs, quem disse que sumiu!? Aqui está presente o movimento estudantil!”
Eduardo Luís Ruppenthal
DCE UFRGS / Instinto Coletivo.

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