Adesão ao Reuni gera protestos em universidades federais em três estados
Publicada em 18/10/2007 às 19h59mEdiane Merola, do Globo e O Globo OnlineRIO e SÃO PAULO - Discussões em torno da adesão das universidades federais ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) vêm gerando manifestações em universidades federais de três estados. No início da tarde desta quinta-feira os estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fecharam integralmente o prédio da Reitoria, no Centro de Curitiba . Eles protestando contra o Reuni. No Rio de Janeiro, as reitorias da UFRJ e UFF foram ocupadas pelos manifestantes. E em São Paulo, os estudantes tomaram o campus da Unifesp, em Guarulhos.
Um grupo de estudantes ocupa, desde o início da tarde desta quinta-feira, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os manifestantes protestam contra a aprovação do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do Ministério da Educação, aprovado durante reunião do Conselho Universitário aprovado na manhã desta quinta-feira. Os alunos exigem maior democracia na elaboração do projeto e pedem a realização de um plebiscito ou de um congresso interno, para envolver toda a comunidade acadêmica nesta decisão. A previsão é de que os estudantes mantenham a ocupação até sexta-feira, para cobrar explicações sobre processo de votação.
Marcha a Brasília, no dia 24
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), o reitor em exercício e presidente em exercício do Conselho Universitário (CUV) , Emmanuel Paiva de Andrade, decidiu remarcar para a próxima terça-feira, 23 de outubro, reunião do Conselho Universitário para tratar do Programa de Apoio ao Reuni, que estava marcada para quarta-feira, dia 24. A reunião está marcada para as 9h, no Cine Arte UFF. As associações dos docentes, funcionários e o Diretório Acadêmico da Universidade são contrários, entre outras propostas, ao aumento de vagas oferecidas na universidade sem a contratação de professores e funcionários.
A decisão de antecipar a reunião para tratar do Reunii foi tomada após manifestação das entidades representativas dos professores, servidores técnico-administrativos e estudantes (Associação dos Docentes da UFF, Aduff; Sindicato dos Trabalhadores da UFF, Sintuff; e Diretório Central dos Estudantes, DCE), realizada desde a noite de terça-feira na reitoria da universidade. Os manifestantes solicitavam a mudança da reunião para que pudessem participar de uma marcha a Brasília, marcada para o dia 24 contra as reformas propostas pelo governo federal. Os manifestantes deixaram a reitoria por volta das 15h desta quarta-feira, após o reitor em exercício ter assinado o documento alterando a data do encontro.
Contra o Reuni, estudantes ocupam campus da Unifesp em Guarulhos
A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) recorreu à Justiça para pedir a reintegração de posse do campus em Guarulhos, ocupado por estudantes desde 22h de quarta-feira, que colocaram carteiras e mesas foram na entrada das salas de aula depois da ocupação. A confusão começou na manhã de quarta-feira, quando um grupo tentou entrar na reunião do Conselho Universitário (Consu), que discutia adesão ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Seguranças da universidade impediram, alegando que só poderiam participar os representantes dos alunos e professoras.
A universidade afirma que houve confronto com os alunos e que cinco seguranças foram feridos. Um deles teria recebido um golpe de megafone na cabeça. A Unifesp argumenta que as reuniões do conselho são transmitidas ao vivo pela intranet, com acesso aos estudantes. A representante dos alunos pediu adiamento da adesão, mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos integrantes do conselho.
A Unifesp afirma que não vai negociar sob pressão e quer a desocupação do campus, que tem 370 alunos.
Reuni e a UNE
O Reuni é um programa do governo federal que visa o aumento do número de vagas para o ingresso de estudantes, redução da evasão, maior mobilidade estudantil e maior interação entre as universidades e o ensino básico, profissional e tecnológico. Para realizar as mudanças, as universidades federais receberiam verba do governo.
O governo federal publicou no dia 24 de abril deste ano, o decreto que propõe a implantação do Reuni. Com essa reforma o governo federal pretende disponibilizar mais vagas nas universidades públicas do país com e com isso reduzir os índices de evasão, o número de vagas ociosas, e aumentar as vagas de ingresso às universidades.
A UNE aprovou resolução sobre o Reuni no último fim de semana. No documento a entidade admite que o programa apresenta avanços mas afirma que o projeto foi construído sem diálogo com o conjunto da comunidade acadêmica e critica os prazos impostos para que as instituições federais de ensino superior (Ifes) apresentem os seus planos de adesão.
A UNE exige ainda que o programa seja colocado na pauta de discussão como uma política de Estado e não um projeto de governo. Para ampliar o debate e estender o prazo a entidade convocou um ato em Brasília no dia 29 de outubro, quando os estudantes farão uma blitz no Ministério da Educação.
Os pontos de reivindicação do movimento estudantil também incluem a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação, garantindo 7% do PIB para a área e o fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

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