quarta-feira, outubro 31, 2007

Lei do estágio deve ser votada esta semana

Senado Federal

O projeto de lei da Câmara (PLC 44/2007) que traz mudanças na Lei do Estágio deverá ser colocado em votação no plenário do Senado nesta semana. O projeto relatado pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), em substituição ao Projeto de Lei do Senado (PLS 473/2003), de autoria do senador Osmar Dias (PDT-PR), estabelece que o estágio deve fazer parte do projeto pedagógico da instituição de ensino e do plano curricular do curso. Além disso, as alterações propostas têm por objetivo acabar com a descaracterização do estágio, muitas vezes utilizado como emprego precário.

O parecer da relatora Ideli está em regime de urgência no plenário do Senado, enquanto que na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) tramitam duas proposições sobre o tema. São projetos de autoria dos senadores José Agripinio (DEM-RN), com o PLS 177/2002, que cria bolsa de aperfeiçoamento profissional no valor de R$ 200,00, a ser financiada com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e um projeto de autoria do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), o PLS 52/2003, que estabelece o uso dos recursos do FAT para curso de graduação. Para a senadora Ideli Salvatti, a Lei do Estágio, criada há 30 anos, está totalmente defasada e milhares de estudantes aguardam que tais mudanças na lei aconteçam.

terça-feira, outubro 30, 2007

A nova política de defesa

Luis Nassif
Coluna Econômica - 28/10/2007

Nesta semana o Ministério da Defesa anunciará o propósito do governo de acelerar as pesquisas nucleares. Serão destinados R$ 130 milhões para o Projeto Aramar, da Marinha, de enriquecimento de urânio. A informação me foi passada pelo Ministro Nelson Jobim.

Esta será uma das pernas do Plano Estratégico de Defesa, que está sendo montado no momento. Como parte das novas prioridades, o Ministério conseguiu R$ 3 bilhões além dos R$ 6 bi destinados às Forças Armadas. E mais R$ 1 bi de remanejamento orçamentário para o próximo ano.

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Nesse ínterim, o Plano estará sendo montado para ser apresentado, completo, no dia 7 de setembro de 2008. A idéia central será dotar o país de autonomia tecnológica na área de Defesa.

Primeiro, foi criado um Comitê presidido pelo Ministro da Defesa, coordenado pelo futuro Secretário das Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, pelos comandantes das três Forças, e o Ministros da Fazenda, Planejamento e Ciências e Tecnologia.

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Foram feitas reuniões em separado com cada Força. Nelas, foi formulada uma série de hipóteses de necessidade de defesa em tempo de paz. Por exemplo, monitoramento de fronteiras; enfrentamento de forças paramilitares que invadam o território brasileiro; defesa da costa e das plataformas petrolíferas etc. Indagou-se como cada Força pretendia executar essa tarefa de monitoramento.

Na segunda etapa, se passará para indagações específicas, dependendo das respostas que derem. Qual o perfil da tropa e os equipamentos necessários para cumprir a tarefa da melhor forma? Quais as mudanças necessárias em termos de operações?

Por exemplo, para a defesa da Amazônia não há que se falar em organização militar baseada em blindados.
Finalmente, a última questão é sobre como cada Força poderia colaborar com outras para o cumprimento das tarefas.

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Nesses estudos, algumas questões são transversais a todas as Forças. A idéia central é a necessidade de criação de uma tecnologia independente vinda do setor privado. Qualquer política de defesa que dependa de importados, não é eficaz.

Até agora, as compras das Forças eram feitas de maneira isolada. Agora as compras obedecerão a essa política de defesa nacional, com a decisão política de se fabricar internamente os equipamentos.

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Essa tecnologia será viabilizar por uma política de compras públicas. Para tanto, haverá a necessidade de alterações na Lei de Licitações. Já houve uma relevante, dispensando de licitação a compra de produtos de alta tecnologia com implicações na Defesa. Pretende-se ampliar, tirando o “alta tecnologia”. Além disso, haverá a integração dos Institutos Militares nesse esforço.

No fundo, o grande desafio será compatibilizar a urgência em renovar os equipamentos, com a decisão de fabricá-los no Brasil.

Para tanto, haverá licitações para a aquisição de produtos estrangeiros, especialmente aviões, submarino e helicópteros. Mas uma condição será essencial: só com transferência de tecnologia.

Provavelmente em fevereiro serão lançadas as licitações para a compra de submarinos e aviões.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Das eleições para o conselho do CCJE

Terminaram as eleições para o conselho.Fui reeleito,de modo que representarei meus colegas discentes por mais um ano.Agradeço imensamente àqueles que confiaram uma vez mais na minha disposição e boa vontade.Espero continuar correspondendo.

Esta próxima gestão começa num momento tumultuado na universidade em que dois fatores concorrem para a efervecência discente,provocando calorosos debates.Procurarei,dentro do possível,manter o espírito do blog,não renunciando a transmitir dados verdadeiros,as diferentes interpretações em relação às políticas da UFRJ,sem deixar de expor a minha leitura e meus posicionamentos diante dos fatos.

Afinal,o objetivo do blog é justamente expô-los,divulgá-los,para que o estudante o conheça e possa posicionar-se a partir disto.Não é meu objetivo enganar ninguém.Justamente por isso,exponho os argumentos nos quais fundamento minhas votações.É por isso também que criei um grupo de discussão virtual.

Neste próximo ano,pretendo apresentar algumas novidades que permitam aperfeiçoar minha comunicação,aproximando-me ainda mais dos meus colegas estudantes do CCJE\UFRJ.As metas divulgadas na campanha serão buscadas e tentadas até a última reunião deste mandato.São elas:

1. Conseguir que o PRE UFRJ oriente sua integração numa perspectiva multi campi,orientando-o em torno de áreas do saber,promovendo-a de maneira convergente à proposta de interiorização

2.Buscar a construção de outro bandejão na Praia Vermelha,mais livros na biblioteca e transporte universitário.

3.Trabalhar por mais extensão universitária associada à bolsa apoio,como parte do PRE.

4.Trabalhar pela ampliação das bolsas de iniciação científica,como parte do PRE.

5.Pela implementação da avaliação docente no CCJE.

Embora confessando que algumas destas propostas são competência do DCE e seus representantes no CEG e CONSUNI,esforçar-me-ei,dentro do possível,para alcançá-las.Estou aberto à sugestões e críticas.

Um grande abraço a todos!

poesia

Tensão.
A tempestade castiga a cidade.
Engarrafamentos.Enchentes.Desabamento.
Tragédia!

É preciso voltar pra caverna.
não que lá seja seguro
lá na verdade é tão inseguro quanto cá.

Ou melhor,talvez mais.Certamente mais...

O ser humano irracional,destrói o seu lar.
não se organiza,não é altruísta
mas,naquele momento,na hora da verdade,despertou seu vínculo comunitário

Somos todos solidários na desgraça.
Solidários na vontade de superá-la.
Animais corajosos que atravessam enchentes e,em seus barcos,desafiam a tempestade.
Superam-na.Sobrevivem.

É pena,mas,infelizmente,passada a tragédia,
a comunidade volta ao torpor.
Novamente sonhará e imaginará uma sociedade coesa,solidária e racional.
Ou mesmo outra : potente,empreendedora e racional.

Utopias incapazes de realizarem-se
porque divergem do mundo sensível.
Não o compreende.
Quer sufocá-lo.

O resultado disto,não pode ser diferente.
Egoísmo.Resistência.Intolerância.Desvio.

Tensão
A tempestade castiga a cidade
O desequilíbrio corrói o planeta

Dos custos da autonomia

Muito têm se falado a respeito da autonomia universitária.Pouco se fala,entretanto,de seus custos.A autonomia universitária,cujo conteúdo já foi apontado neste blog,pressupõe que o Estado,através do governo democraticamente eleito, ou qualquer outro agente do ambiente social não possa impor à Universidade práticas acadêmicas,didático-pedagógicas ou a gestão de seu orçamento.

Dito isto,é trivial concluir que o REUNI não pode deliberar a respeito dos meios usados pela universidade para a consecução de suas metas,assim como não pode obrigá-las a aderir ao REUNI e apropriar-se de suas verbas para financiar propostas de reestruturação e expansão.É a ignorância a respeito desta obviedade que vêm fundamentando os discursos catastrofistas de muitos daqueles que vêm se posicionando contra o decreto.

Ora,no limite a universidade têm autonomia para discutir e deliberar a respeito da implantação de cursos à distância,dos bacharelados interdisciplinares ou mesmo da aprovação automática.Este último exemplo é totalmente absurdo,caracterizando uma indução ao erro gravíssima,uma vez que jamais foi cogitada em qualquer reunião da universidade que tive notícia.

Urge estudar o decreto e o PRE.O último é um desenvolvimento do PDI,anterior ao REUNI.Um projeto da UFRJ e não do governo ou de qualquer partido.Nosso reitor foi eleito e reeleito democraticamente e na última eleição sequer teve concorrentes.Com isso,evidencia-se a importância de que apróxima gestão do DCE seja capaz de articular os estudantes,de modo que possam participar das discussões a respeito de nossa reestruturação e definir a universidade que nós queremos para este milênio.

CRISE DA HEGEMONIA AMERICANA?

Agência Carta Maior

José Luís Fiori

“A esperança e a previsão, embora inseparáveis, não são a mesma coisa, e toda previsão sobre o mundo real tem que repousar em algum tipo de inferência sobre o futuro, a partir daquilo que aconteceu no passado, ou seja, a partir da história.”

Eric Hobsbawm, Sobre a História, Companhia das Letras, p:67

Na década de 70, do século XX, discutiu-se muito sobre a “crise da hegemonia americana”. Foi no tempo da derrota dos EUA, no Vietnã, da crise do “padrão dólar”, da subida do preço do petróleo e do fim do crescimento econômico acelerado do pós-guerra. E foi também, no tempo da Revolução Sandinista, da Nicarágua, da revolução islâmica, do Irã, e da invasão soviética, do Afeganistão, consideradas, na época, grandes derrotas da política externa norte-americana. Hoje, quase quarenta anos depois, volta-se a falar com insistência, do declínio do poder mundial dos Estados Unidos.

O historiador inglês, Eric Hobsbawm, afirmou numa entrevista recente, que o “projeto americano está falindo”, e que a “superioridade dos Estados Unidos é um fenômeno temporário” . Quase na mesma linha do economista italiano, Giovanni Arrighi, que defende a tese que a “hegemonia americana” está vivendo uma “crise terminal”, depois do “fracasso do projeto neo-conservador no Iraque”, e depois que “os Estados Unidos deixaram de ser um estado hegemônico que criava ordem, para se tornarem uma força do caos e da desordem” . No caso do sociólogo norte-americano, Immanuel Wallerstein, a previsão é ainda mais radical: o que está em crise e deve acabar até a metade do Século XXI, não é apenas a hegemonia americana, é o próprio “sistema mundial moderno” que se formou a partir da Europa, depois do século XVI . Mas nenhum destes autores consegue definir com precisão o que seja uma “crise terminal”, do poder e da superioridade americana, ou do próprio “sistema mundial moderno”, de que fala Wallerstein.

Por que se trataria de uma “crise terminal”, e não apenas de uma crise cíclica ou passageira? e além disto, mesmo que fosse “terminal”, qual seria a sua duração e o seu desfecho? e o que é mais importante, o que passaria no mundo, durante este período de transição e de espera do “juízo final”?

Na verdade, o ponto fraco de todas estas previsões não está na sua análise da conjuntura internacional, está na teoria em que se apóiam suas projeções de longo prazo: a hipótese de que o “sistema mundial moderno” requer a existencia de “potencias hegemônicas” sucessivas, para manter a sua ordem política e o bom funcionamento da sua economia internacional. Dentro desta teoria das “sucessões hegemônicas”, o “líder” ou “hegemon” aparece na história como uma espécie de “resposta funcional” ao problema da “ingovernabilidade” de um sistema que é anárquico, porque é formado por estados nacionais soberanos. Por isto, em geral, esta teoria destaca as contribuições positivas do hegemon, para o bom funcionamento e para “governaça global” do sistema, sem dar maior atenção à dinâmica contraditória das relações existentes entre o “hegemon” e os demais estados que participam do sistema mundial.

Por isto também, esta teoria funcional e evolucionista da “hegemonia”, não consegue dar conta do movimento contínuo de competição, luta e expansão dos estados e economias nacionais que já conquistaram a condição de “grandes potências”, e fazem parte do “núcleo central” de todo o sistema, mas seguem competindo entre si, mesmo nos períodos que aparentam uma alta “tranqüilidade hegemônica”. Daí sua dificuldade para compreender situações de conflito e de ruptura, e a pressa com que estas análises e previsões, anunciam “crises terminais”, a cada nova turbulência econômica, guerra, ou derrota do “hegemon”, sem considerar a possibilidade que estas crises e guerras possam fazer parte do processo de reprodução e expansão do poder e riqueza do próprio “hegemon”, que não foi eleito para ser representante, nem para cuidar dos interesses gerais da humanidade.

A crítica desta teoria da “hegemonia mundial”, e destas previsões baseadas na hipótese dos “ciclos hegemônicos”, está na origem do conceito e da pesquisa sobre o “poder global” : um modo de olhar e analisar o sistema político mundial e suas relações com a internacionalização capitalista, que privilegia o conflito e as contradições do sistema mais do que suas relações funcionais. Da perspectiva do “poder global”, o sistema mundial é uma “máquina de acumulação de poder e riqueza”, e seu motor é a competição e a guerra, entre seus estados e economias nacionais. Dentro deste “sistema mundial”, não existem países satisfeitos, todos estão sempre se propondo aumentar seu poder e sua riqueza, e neste sentido, todos são expansivos, em particular, as “grandes potências” que já ocupam o topo da hierarquia do poder e da riqueza mundiais.

Por isto, este sistema pode ser comparado com um “universo” em expansão contínua, onde todas as potências que lutam pelo poder global, estão sempre criando, ao mesmo tempo, ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra. E como conseqüência, se pode afirmar com toda certeza que dentro deste universo, ou seja, dentro do “sistema mundial moderno”, nunca houve nem haverá “paz perpétua”, nem hegemonia estável . Pelo contrário, do nosso ponto de vista, o que ordena e “estabiliza” as relações hierárquicas internas do sistema mundial, paradoxalmente, é a existência de “eixos conflitivos crônicos”, junto com a permanente possibilidade de uma nova guerra, entre as grandes potências.

Por isto, do ponto de vista do “poder global”, desordem, crise e guerra não são, por si mesmos, um anuncio do “fim”, são uma parte necessária do movimento de expansão do sistema mundial. E deste mesmo ponto de vista, falar de uma “crise terminal”, com data marcada, de um poder hegemônico, ou do próprio “sistema mundial moderno” é um absurdo teórico e histórico. Até porque, no tempo de espera da “hora final”, o mais provável é que o sistema siga enfrentando e superando crises econômicas, como em toda a história da internacionalização capitalista, e situações de guerra, como em toda a história geopolítica das nações, inaugurada pela Paz de Westfália, em 1648. E, portanto, com relação a este tempo de espera, todas estas previsões “terminais”, são absolutamente inúteis.

José Luis da Costa Fiori é bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1B

possui graduação em Sociologia pela Universidade do Chile (1970) , mestrado em Economia pela Universidade do Chile (1973) , doutorado em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (1985) e pos-doutorado pela University of Cambridge (2005) .

Atualmente é professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Conselheiro da Universidade Estadual de Campinas, Consultor ad hoc do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Membro do Associação Nacional de Pós Graduação Em Ciências Sociais, Consultor ad hoc da Sociedade Brasileira de Instrução - SBI/IUPERJ, Consultor ad hoc do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - DF, Consultor Ad_hoc da Editora Brasiliense e Consultor do Ministério das Relações Exteriores. Tem experiência na área de Ciência Política , com ênfase em Política Internacional. Atuando principalmente nos seguintes temas: Economia política.

Outros artigos do professor/doutor do IE/UFRJ :

http://www.cartamaior.com.br/templates/buscaExecutar.cfm

à Comunidade universitária

Os Conselheiros Universitários abaixo-assinados, considerando a importância do processo de discussão sobre o Programa de Reestruturação e Expansão proposto pela Reitoria e a deliberação tomada na Sessão Extraordinária do Conselho Universitário de 18 de outubro de 2007, dirigem-se à Comunidade Universitária para relatar e analisar os eventos ocorridos durante esta sessão.

No dia 18 de outubro de 2007, conforme ampla e previamente divulgado, reuniu-se o Conselho Universitário em Sessão Extraordinária para deliberar acerca do Programa de Reestruturação e Expansão proposto pela Reitoria.

Tendo em vista o grande interesse e mobilização da Comunidade Universitária, expressos em muitos debates, audiências, propostas, bem como em inúmeras manifestações individuais e coletivas, de unidades, categorias e correntes de pensamento, o Magnífico Reitor, Presidente do CONSUNI, preocupado em garantir a transparência do processo decisório, resolveu, excepcionalmente, realizar a Sessão Extraordinária no Auditório do Centro de Tecnologia, onde haveria acomodações adequadas e seguras para todos aqueles interessados em acompanhar a votação do CONSUNI – transmitida também via Rede Mundial de Computadores (Internet).

Às 9 horas e 30 minutos teve início a sessão, à qual, como esperado, acorreram muitas pessoas, entre as quais diretores de unidades, integrantes de outros Colegiados Superiores, representações das entidades associativas e sindicais, docentes, servidores técnicos-administrativos e estudantes. Esta intensa e rica participação, animada e colorida por faixas e cartazes, expressava, foi este o nosso sentimento, uma primeira e importante conquista do processo, talvez a mais importante de todas: a UFRJ está despertando para o debate de seus destinos e enfrentando de maneira aberta e mobilizadora os desafios que se lhe colocam.

A chegada de um grupo de estudantes manifestando-se ruidosamente contra algumas políticas governamentais e contra a proposta a ser votada naquela sessão extraordinária em nada destoava do ambiente geral. Que estudantes manifestem suas opiniões, nada mais indispensável à vida de uma universidade que se pretende viva, espaço de formação intelectual, profissional e, também, necessariamente, de formação para a Política – com “P” maiúsculo, entendida como exercício cidadão da disputa democrática que tem por objeto o interesse público.

Durante muitos minutos a sessão permaneceu interrompida para que aqueles estudantes entoassem suas palavras de ordem e fizessem ecoar seus tambores e apitos. Após algum tempo, e uma vez alcançadas as condições mínimas para a retomada dos trabalhos, seguiu-se o Expediente. Por solicitação do conselheiro Agnaldo Fernandes, um dos representantes técnicos-administrativos, após consulta aos demais conselheiros, o Presidente do CONSUNI concedeu a palavra, sucessivamente, à presidente da ADUFRJ – Sessão Sindical dos Docentes da UFRJ, Professora Maria Cristina Miranda da Silva, e à representante de um grupo de professores, estudantes e técnicos-administrativos da Praia Vermelha, Professora Mavi Pacheco Rodrigues, que expuseram suas críticas à proposta constante da pauta. Em seguida, ainda no Expediente, o Presidente da sessão passou a palavra ao representante do SINTUFRJ, Sr. Francisco de Assis, o qual, porém, não conseguiu apresentar suas idéias em virtude de gritos e apupos vindos de parte da platéia.

Transcorridos os trinta minutos regimentais do Expediente, o Presidente do Conselho passou ao ponto único da ordem do dia, concedendo a palavra à Presidente da Comissão de Desenvolvimento, Professora Ângela Rocha dos Santos, para a leitura do parecer relativo ao processo em pauta – a saber, Proposta de Programa de Reestruturação e Expansão. Em seguida, embora em meio a muito barulho, manifestou-se a conselheira Professora Lilia Guimarães Pougy, também integrante da Comissão de Desenvolvimento, que leu seu voto em separado. Apesar deste voto ser contrário à aprovação da proposta em pauta, não houve, da parte daqueles que se manifestavam ruidosamente, qualquer consideração pela oradora, como tampouco tinha havido em relação à exposição da Presidente da Comissão de Desenvolvimento.

Estas atitudes sugeriam uma progressiva mudança de atitude de alguns dos manifestantes. Não se tratava mais de expressar idéias e posições políticas, nem tampouco de apoiar aqueles com quem se identificavam e apupar aqueles de quem discordavam. Começava a ficar claro um novo e totalmente distinto objetivo: impedir a discussão e a deliberação do Conselho.

Depois da apresentação dos pareceres oriundos da Câmara de Desenvolvimento, o Presidente do Conselho esclareceu o procedimento para a votação, a saber: votação do parecer da Comissão de Desenvolvimento, ressalvadas as propostas de emendas, que deveriam ser apresentadas e votadas em seguida, caso o parecer e, conseqüentemente, a proposta do PRE viessem a ser aprovados.

Neste momento, o conselheiro Agnaldo Fernandes submeteu à mesa questão de ordem em que argüia que a sessão havia sido convocada para discutir, e não para deliberar acerca do PRE. O Presidente do Conselho rejeitou a questão de ordem, lembrando as decisões anteriores do CONSUNI que haviam determinado a convocação de Sessão Extraordinária justamente para deliberar. O conselheiro Agnaldo Fernandes solicitou, então, que pudesse encaminhar a favor de sua questão de ordem. Tendo recebido o microfone para a defesa de sua questão de ordem, este conselheiro, também ele crítico da proposta em pauta, não conseguiu expressar suas idéias. Quando tentou dirigir-se à platéia, não obteve como resposta senão gritos vindos de várias partes.

Era evidente que alguns dos assistentes da sessão - poucos ou muitos, não é o que importa e fica difícil estabelecer - já haviam tomado sua decisão: impedir, a qualquer custo, que o Conselho Universitário deliberasse. Os primeiros empurrões na platéia e os primeiros choques, assim como a invasão progressiva do palco, onde os Conselheiros estavam sentados, por jovens exaltados, alguns transtornados, aos berros e aos pulos, evidenciavam que o que se pretendia impor era a inviabilização da reunião do Conselho Universitário.

Encerrado o tempo do conselheiro Agnaldo Fernandes para apresentação de sua questão de ordem, instado por expressiva maioria dos Conselheiros, que se consideravam esclarecidos para deliberar, o Presidente do Conselho, Professor Aloisio Teixeira, colocou em votação a proposta do PRE, nos termos encaminhados pela Comissão de Desenvolvimento, ressalvadas as propostas de emenda a serem submetidas, em seguida, à discussão e votação. Por maioria expressiva e inquestionável, os Conselheiros manifestaram-se a favor do parecer e da proposta de PRE.

Em seguida, diante do aumento das tensões e manifestações agressivas que sinalizavam o risco da deflagração de conflitos que, poderiam ser, naquelas condições, de graves conseqüências para a dignidade acadêmica do Conselho Universitário e para a institucionalidade universitária, bem como para a integridade física de conselheiros e assistentes, o Presidente do Conselho deu por encerrada a sessão, ficando a discussão e votação das emendas para a próxima sessão.

Tendo em vista a gravidade dos fatos ocorridos, vimos a público manifestar nosso inteiro apoio à condução serena e firme do Magnífico Reitor. Afirmamos nossa convicção de que as deliberações do Conselho Universitário, assim como de qualquer outra instância colegiada desta Universidade, regem-se pelas regras institucionais e acadêmicas. Afirmamos nosso entendimento de que qualquer tentativa de constrangimento para forçar ou impedir deliberações do Conselho Universitário constitui inaceitável atentado à autonomia universitária, origine-se da pressão de forças externas ou de grupos internos à Universidade.

A decisão tomada pelo CONSUNI em 18 de outubro de 2007 foi legítima e conforme aos preceitos regimentais que orientam as práticas institucionais e o funcionamento do Conselho. O Conselho, numa manifestação de abertura e espírito democrático, aceitou conceder ouvir, durante o expediente, as considerações críticas de não conselheiros, que puderam expressar suas divergências. Houve a manifestação favorável da Comissão de Desenvolvimento e a leitura de voto em separado, este crítico à proposta em pauta. Na contagem, três encaminhamentos contrários e apenas um a favor do PRE. As opiniões foram expressas e as posições estavam amadurecidas.

Independentemente de divergências e convergências, acordos e desacordos no que diz respeito ao PRE, os conselheiros abaixo-assinados reafirmam a legitimidade da votação ocorrida e vêem nela a afirmação institucional e moral da autonomia do Conselho Universitário.

É nossa convicção que a manifestação de idéias, mesmo aos gritos, mesmo acompanhada de estridentes apitos e ribombantes tambores é bem-vinda sempre que se pautar pelo legítimo desejo de participar das decisões. Será, no entanto, repudiada por nós sempre que se transformar em tentativa de impedir a livre manifestação dos outros, sempre que se constituir em ameaça à livre e soberana deliberação das instituições universitárias legitimamente eleitas para exercer a plenitude da autonomia universitária. Bem-vindas são as divergências, repudiadas são e serão a intolerância, a inconseqüência autoritária e a vontade de impor, pela força, idéias ou propostas.

Depois de muitos anos em que o debate de idéias esteve, por assim dizer, amortecido entre nós, os excessos de uns, a arrogância de alguns, a timidez de outros são compreensíveis e não nos devem fazer desanimar. Estamos no caminho certo, discutindo e decidindo, em nossas instâncias internas, qual o projeto universitário que queremos levar adiante, que universidade queremos construir. A imensa maioria de nossa comunidade, certamente, deseja que a universidade que estaremos construindo nos próximos anos atenda às expectativas e necessidades de uma sociedade que se quer mais justa, menos desigual. No ambiente de livre debate que é próprio à Universidade digna deste nome, lugar do encontro e confronto de idéias, a UFRJ saberá construir o seu caminho para fazer deste anseio coletivo uma realidade.

Em virtude do exposto, poderíamos dizer: “A luta continua”. É este o sentido desta nota: expressar nossa unidade em torno da defesa da institucionalidade universitária e convocar nossa múltipla, diversa e aguerrida comunidade a prosseguir no intenso debate de idéias, na identificação das convergências e consensos, assim como no aprofundamento das divergências. E que este processo conduza à consolidação das instituições universitárias, ao fortalecimento de nossa autonomia e à afirmação de uma UFRJ democrática, aberta à sociedade, diversa, que saberá aliar o compromisso e o mérito científicos com a responsabilidade social.

Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2007

1. Abílio Pereira de Lucena Filho (representante dos Professores Titulares do CCJE)
2. Alberto Gabbay Canen (representante dos Professores Adjuntos do CT)
3. Alcino Ferreira Câmara Neto (Decano do CCJE)
4. Almir Fraga Valladares (Decano do CCS)
5. Ana Canen (representantes dos Professores Adjtuntos do CFCH)
6. Ângela Ancora da Luz (representante dos Professores Adjuntos-doutor do CLA)
7. Angela Maria Cohen Uller (Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa)
8. Angela Rocha dos Santos (Decana do CCMN)
9. Antonio Fernando Catelli Infantosi (representante dos Professores Titulares do CT)
10. Belkis Valdman (Pró-Reitora de Graduação)
11. Carlos Alberto Murad (representante dos Professores Titulares do CLA)
12. Carlos Antonio Levi da Conceição (Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento)
13. Carlos B. Vainer (representantes dos Professores Titulares do CCJE)
14. Eduardo de Miranda Batista (representante dos Professores Adjuntos do CT)
15. Ericksson Rocha e Almendra (representante dos ex-alunos)
16. Flávio Dickstein (representante dos Professores Titulares do CCMN - suplente)
17. Gabriel Pereira da Silva (representante dos Professores Adjuntos do CCMN)
18. Izaias Gonçalves Bastos (representantes técnico-administrativo)
19. Jéferson Roselo Mota Salazar (representante técnico-administrativo)
20. Jorge Fernandes da Silveira (representante dos Professores Titulares do CLA)
21. José Carlos Morais (representante dos Professores Titulares do CCS – suplente)
22. José D´Albuquerque e Castro (representante dos Professores Adjuntos do CCMN)
23. Juliana Neuenschwander Magalhães (representante dos Professores Adjuntos do CCJE)
24. Laura Tavares Ribeiro Soares (Pró-Reitora de Extensão)
25. Leo Affonso de Moraes Soares (Decano do CLA)
26. Luiz Afonso Henriques Mariz (Pró-Reitor de Pessoal)
27. Luiz Antônio C.R. da Cunha (representante dos Professores Titulares do CFCH)
28. Manuel Alcino Ribeiro da Fonseca (representante dos Professores Adjuntos-doutor do CCJE)
29. Milton Sergio Santos Madeira (representante técnico-administrativo)
30. Patricia Figueira Lassance dos Santos Abreu (representante dos Professores Adjuntos do CLA)
31. Ricardo Iglesias Rios (representante dos Professores Adjuntos do CCS)
32. Roberto de Andrade Medronho (representante dos Professores Adjuntos do CCS)
33. Roberto de Moraes Gomes (representante técnico-administrativo)
34. Rodrigo Barbosa Capaz (representante dos Professores Adjuntos do CCMN)
35. Rui Cerqueira Silva (representante dos Professores Titulares do CCS)
36. Sylvia da Silveira Mello Vargas (Vice-Reitora)
37. Ulisses Caramaschi (representante do Fórum de Ciência e Cultura)
38. Walter Issamu Suemitsu (Decano do CT)

Segue na íntegra o manifesto da Ocupação da Reitoria da UFRJ tirado na assembléia do dia 18.

O blog oficial da ocupação é http://ufrjocupada.blogspot.com e o email é ufrjocupada@gmail.com

“Nós, estudantes, ocupamos a reitoria da UFRJ, no dia 18 de outubro de 2007, para manifestarmos uma posição contrária à aprovação do P.R.E. (Plano de Reestruturação e Expansão, elaborado pela Reitoria), que significa a adesão da UFRJ ao REUNI (decreto 6.096/07 do Governo Federal).O REUNI impõe/representa um modelo de educação precarizada, pois prevê uma reestruturação das Universidades Federais, baseada em cursos breves de formação generalista e flexibilização de currículos, adaptados aos mercados, em detrimento do ensino e da pesquisa voltados aos interesses do povo brasileiro. O governo faz uma chantagem econômica com as universidades, ao condicionar o repasse de verbas ao cumprimento de uma série de metas lesivas a educação pública.O compromisso social da Universidade não deve se limitar a produção de diplomas conforme as imposições do REUNI. A Universidade deve ter um objetivo de questionar os problemas da sociedade brasileira, contribuindo para a formação de um país soberano.Ao longo dos últimos meses surgiram na comunidade acadêmica projetos alternativos ao apresentado pela reitoria. No entanto, devido a estrutura atual dos órgãos colegiados, que não são paritários, a real divergência e as reivindicações de diversos setores da comunidade nunca chegaram a ser apreciados nos espaços decisórios. Essa exclusão de parte das opiniões existentes ficou flagrante no Conselho Universitário realizado no dia 18, em que a votação foi encaminhada sem nenhuma discussão (somente dois conselheiros falaram e nenhum dos poucos conselheiros estudantis inscritos pode fazer uso da palavra).Por isso, nós estudantes sentimos a necessidade de ocupar esta reitoria para denunciar o conteúdo deste projeto como um ataque a todos os que lutam por uma educação pública, gratuita e de qualidade.

Sendo assim, exigimos:

1) Não ao REUNI do governo Lula e contra o Ante-projeto da reitoria

2) Que a reitoria reconheça a ilegitimidade do CONSUNI realizado no dia 18 de outubro

3) Congresso interno para discussão de um novo projeto de expansão, reforma e transformação da universidade e conseqüente plebiscito para a tomada de decisões.

4) Elaboração de um verdadeiro plano de ampliação e transformação da Universidade que contemple:

A) Mais vagas nas Universidades Públicas, mantendo os cursos integrais e ampliação dos cursos noturnosB) Aumento de verbas públicas que garantam a efetiva manutenção e expansãoC) Conclusão das obras do Bandejão e Bandejão em todos os campiD) Melhoria dos transportes (através de plano discutido com a comunidade universitária; extensão de linhas externas) e melhor integração através dos transporte entre os centros e entre os campiE) Expansão e reforma do alojamentoF) Melhoria da infra-estrutura da Universidade (reforma das redes elétricas dos prédios, mais bebedouros, limpeza dos banheiros e reforma dos mesmos, salas de aula, ampliação e melhores computadores em laboratórios de informática, mais salas de estudo, melhores auditórios, melhoria da segurança nas condições de trabalho e ensino de laboratórios, recuperação de áreas de lazer e melhor iluminação, maior vigilância no Fundão)G) Ampliação e reformas na creche universitáriaH) Mais bolsas auxílio e de Iniciação Cientifica, com aumento do valor das mesmas.I) Reformas e manutenção das bibliotecasJ) Concursos públicos para professores e técnicos administrativos.L) Pela efetivação dos terceirizados e apoio a sua organizaçãoM) Fim do vestibular: pelo livre acesso à Universidade PúblicaN) Maior subsídio público para pesquisa e extensão

Declaramos, também, que a União Nacional dos Estudantes (UNE) não fala em nome da ocupação na reitoria da UFRJ.”

O consumidor escondido

Coluna Econômica - 03/10/2007
Luis Nassif

Todas as pesquisas, inclusive a última PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio) indicam que o grande mercado potencial dos próximos anos será o popular.
Recentemente foi publicado um livro sobre elites e povo, mostrando que na base haveria um conjunto de preconceitos. Talvez pela exploração jornalística, o livro pareceu a muitos como preconceituoso.

Algum tempo atrás, em um dos seminários do “Projeto Brasil”, Renato Meirelles, do Instituto Data Popular, apresentou um quadro bastante estimulante sobre esse novo mercado e esse novo consumidor e que serve como bom contraponto para um livro recentemente lançado sobre elite e massa – com visões consideradas preconceituosos sobre o universo de valores da base da pirâmide social.

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Que mundo é este? Segundo o autor, é o mundo “do carnê, do consórcio, do SPC. do metrô, do buzão, da lotação, da CBTU, do seminovo zerado, do vale-refeição, do PF e da marmita; do supletivo, da escola de cabeleireiro e do curso de computação”.
É um admirável mundo novo. No PNAD de 2004, os brasileiros com renda entre zero e 10 salários mínimos movimentaram R$ 512 bilhões por ano. 88% dos adultos não tinham curso superior.

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Quando entrarem nesse mercado, as empresas irão se deparar com um tipo de consumidor totalmente distinto da sua clientela habitual. Haverá diferenças culturais, educacionais, econômicas e lingüísticas. Diferença não só de vocabulário, como de valores.
O adulto brasileiro tem 6,7 anos de escolaridade na média; 40% de analfabetos funcionais. Esse público tem dificuldade com argumentos abstratos e em ler tabelas.

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A primeira recomendação do autor é que a comunicação com esse público seja simples e direta, evitando as “sacadinhas” publicitárias. O vendedor tem que trabalhar com a tradição oral e apostar na repetição como elemento de marketing.

“Diferentemente da elite”, diz o autor, “na base da pirâmide todo mundo ajuda todo mundo. Existe um descrédito generalizado nas instituições oficiais. O porto seguro desses grupos são a família, a igreja e a comunidade.

O consumidor popular ajuda e espera ser ajudado em momentos de dificuldade e privilegia o pequeno varejo em seu bairro.
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“A reciprocidade é um princípio estruturante da vida social e se reflete nas relações de consumo”, diz ele. 44% cuidam da criança do vizinho, contra 6,5% da classe A; 60% dão dicas de oportunidades de compra, contra 20,3% da classe A. Esse público “socializa informações sobre oportunidades de consumo”.

Por isso mesmo, as sugestões para entrar nesse mercado são de falar localmente, ser didático, investir na distribuição, fornecer conteúdo e fazer merchandising.

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Obviamente, dada a renda das classes D e E, o elemento crédito é fundamental. Na periferia de São Paulo, 29% dos lares têm geladeira duplex, 74% compradas no crediário; existe 1,5 televisor por família, em média; 29% possuem automóvel; 14% computador (está-se falando de dados de 2004) e 29,7% DVD.

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Esse público é ressabiado com qualquer forma de demonstração de desconfiança em relação a ele. Nas lojas, consideram como demonstração de desconfiança, pela ordem, funcionários que ficam muito próximos, bolsas lacradas, portas giratórias.

Comunicação diferente

O consumidor classe A quer a exclusividade, a caneta Montblanc, o Mercedes, o cartão personnalité. Já o consumidor da base da pirâmide socializa informações sobre oportunidades de consumo e busca criar o conceito de “inclusão”, de pertencimento ao grupo. Ou seja, ele quer que outros membros do grupo também compartilhem dos mesmos bens que ele tenha adquirido. Daí a importância das redes de sociabilidade.

Pessoal,

esse material consta de uma apresentação do autor feita no Seminário do Projeto Brasil "O Consumidor Invisível". Em breve estará na Biblioteca do PB, ao lado de três apresentações igualmente boas, da Philips, da Serasa e do Bolsa Família.

Stiglitz e o Banco do Sul

FMI precisa da competição do Banco do Sul, diz Stiglitz
Por Luís Nassif

Bruno GarcezDe Washington, para a BBC Joseph Stiglitz, ex-chefe do Banco Mundial (Bird) e vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, acredita que o Fundo Monetário Internacional se tornou um ''clube de países ricos'' e que a criação do Banco do Sul em vez de uma ameaça oferece, pelo contrário, ''a competitividade da qual o fundo necessita''.

''Existem duas falhas graves dentro do FMI. Uma delas é que se ele se tornou um clube dos países ricos, dos Estados Unidos e da Europa, principalmente. E dentro dele, apenas um país, os Estados Unidos, tem o poder de veto. Os Estados Unidos são atualmente a principal fonte de instabilidade no mundo, como se viu na crise do setor de subprime (de hipotecas de alto risco)'', disse Stiglitz à BBC Brasil.

Mas o ex-chefe do Bird acrescenta que ''o FMI não se atreve a criticar os Estados Unidos, mesmo porque o país é o principal financiador do fundo, o que torna difícil para o FMI ter uma visão objetiva desses fenômenos''.

O economista comenta que o fundo precisa rever o seu papel e ''se reinventar''. Por conta disso, ele acredita que a criação do Banco do Sul deve ser saudada, uma vez que o próprio fundo ''precisa de competitividade, de diversidade''.

Banco do Sul

O Banco do Sul partiu de uma iniciativa da Venezuela. Ele visa financiar projetos de desenvolvimento regionais e pretende ser uma alternativa local a instituições como o próprio FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, todos com sedes em Washington.

A instituição deverá contar com a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela. A data prevista para o início de seu funcionamento é no próximo dia 3 de novembro. Na semana passada, a Colômbia manifestou interesse em aderir ao Banco do Sul.

No entender de Stiglitz, o Banco do Sul poderá ter mais sensibilidade para lidar com crises locais do que o FMI. Ele cita o exemplo da crise econômica do Leste Asiático, que teve início no final dos anos 90, para enfatizar a suposta inaptidão do fundo em saber como agir diante de situações adversas regionais.

''Quando estourou a crise no Leste Asiático, havia uma pressão local para que se criasse um fundo asiático, mais capaz de entender a situação vivida na região e as estruturas locais, porque o FMI não estava sendo capaz de compreender o que estava se passando por lá''.

O economista defende ainda uma completa reformulação na forma como tanto os líderes do FMI como do Banco Mundial são selecionados, que é também uma das reivindicações de alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Pelo acordo em vigor desde a criação dos dois órgãos, em 1949, o comando do Banco Mundial fica com os Estados Unidos e o do FMI, com a Europa.''Eu venho defendendo mudanças há oito anos. Eu desaprovei a forma como tanto Horst Köhler e Rodrigo de Rato foram escolhidos'', diz Stiglitz em relação aos mais recentes detentores do cargo de diretor do FMI. O espanhol De Rato será substituído em 1º de novembro pelo francês Dominique Strauss-Kahn.

Escândalo

Stiglitz comenta que os recentes episódios envolvendo Paul Wolfowitz, o ex-presidente do Banco Mundial, ''abriram os olhos'' da instituição. Wolfowitz renunciou ao cargo em 30 de junho deste ano, após o escândalo em que foi acusado de nepotismo por haver autorizado a promoção de sua namorada, Shaha Riza, que também trabalhava no banco.

''Mas, mesmo depois disso, eles deram continuidade a um sistema fracassado de escolha sucessória. Existem movimentos, mas não saberia dizer se o processo de escolha das próximas lideranças já será diferente'', comenta o ex-presidente do Bird.

Em relação ao atual presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, Stiglitz diz que ''há referências de que ele trabalha duro e é muito envolvido, mas tenho dúvidas de que o nome dele estaria na lista final se não coubesse aos Estados Unidos indicar o presidente do órgão''.
Mas, acrescenta o economista, o presidente George W. Bush ''não apenas determina a lista final, como até mesmo a lista completa. E Bush não tem qualquer compreensão de desenvolvimento ou de multilateralismo''.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Adesão ao Reuni gera protestos em universidades federais em três estados

Publicada em 18/10/2007 às 19h59mEdiane Merola, do Globo e O Globo Online
RIO e SÃO PAULO - Discussões em torno da adesão das universidades federais ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) vêm gerando manifestações em universidades federais de três estados. No início da tarde desta quinta-feira os estudantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fecharam integralmente o prédio da Reitoria, no Centro de Curitiba . Eles protestando contra o Reuni. No Rio de Janeiro, as reitorias da UFRJ e UFF foram ocupadas pelos manifestantes. E em São Paulo, os estudantes tomaram o campus da Unifesp, em Guarulhos.

Um grupo de estudantes ocupa, desde o início da tarde desta quinta-feira, a reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os manifestantes protestam contra a aprovação do programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) do Ministério da Educação, aprovado durante reunião do Conselho Universitário aprovado na manhã desta quinta-feira. Os alunos exigem maior democracia na elaboração do projeto e pedem a realização de um plebiscito ou de um congresso interno, para envolver toda a comunidade acadêmica nesta decisão. A previsão é de que os estudantes mantenham a ocupação até sexta-feira, para cobrar explicações sobre processo de votação.

Marcha a Brasília, no dia 24

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), o reitor em exercício e presidente em exercício do Conselho Universitário (CUV) , Emmanuel Paiva de Andrade, decidiu remarcar para a próxima terça-feira, 23 de outubro, reunião do Conselho Universitário para tratar do Programa de Apoio ao Reuni, que estava marcada para quarta-feira, dia 24. A reunião está marcada para as 9h, no Cine Arte UFF. As associações dos docentes, funcionários e o Diretório Acadêmico da Universidade são contrários, entre outras propostas, ao aumento de vagas oferecidas na universidade sem a contratação de professores e funcionários.

A decisão de antecipar a reunião para tratar do Reunii foi tomada após manifestação das entidades representativas dos professores, servidores técnico-administrativos e estudantes (Associação dos Docentes da UFF, Aduff; Sindicato dos Trabalhadores da UFF, Sintuff; e Diretório Central dos Estudantes, DCE), realizada desde a noite de terça-feira na reitoria da universidade. Os manifestantes solicitavam a mudança da reunião para que pudessem participar de uma marcha a Brasília, marcada para o dia 24 contra as reformas propostas pelo governo federal. Os manifestantes deixaram a reitoria por volta das 15h desta quarta-feira, após o reitor em exercício ter assinado o documento alterando a data do encontro.

Contra o Reuni, estudantes ocupam campus da Unifesp em Guarulhos

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) recorreu à Justiça para pedir a reintegração de posse do campus em Guarulhos, ocupado por estudantes desde 22h de quarta-feira, que colocaram carteiras e mesas foram na entrada das salas de aula depois da ocupação. A confusão começou na manhã de quarta-feira, quando um grupo tentou entrar na reunião do Conselho Universitário (Consu), que discutia adesão ao Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Seguranças da universidade impediram, alegando que só poderiam participar os representantes dos alunos e professoras.

A universidade afirma que houve confronto com os alunos e que cinco seguranças foram feridos. Um deles teria recebido um golpe de megafone na cabeça. A Unifesp argumenta que as reuniões do conselho são transmitidas ao vivo pela intranet, com acesso aos estudantes. A representante dos alunos pediu adiamento da adesão, mas a proposta foi rejeitada pela maioria dos integrantes do conselho.

A Unifesp afirma que não vai negociar sob pressão e quer a desocupação do campus, que tem 370 alunos.

Reuni e a UNE

O Reuni é um programa do governo federal que visa o aumento do número de vagas para o ingresso de estudantes, redução da evasão, maior mobilidade estudantil e maior interação entre as universidades e o ensino básico, profissional e tecnológico. Para realizar as mudanças, as universidades federais receberiam verba do governo.

O governo federal publicou no dia 24 de abril deste ano, o decreto que propõe a implantação do Reuni. Com essa reforma o governo federal pretende disponibilizar mais vagas nas universidades públicas do país com e com isso reduzir os índices de evasão, o número de vagas ociosas, e aumentar as vagas de ingresso às universidades.

A UNE aprovou resolução sobre o Reuni no último fim de semana. No documento a entidade admite que o programa apresenta avanços mas afirma que o projeto foi construído sem diálogo com o conjunto da comunidade acadêmica e critica os prazos impostos para que as instituições federais de ensino superior (Ifes) apresentem os seus planos de adesão.

A UNE exige ainda que o programa seja colocado na pauta de discussão como uma política de Estado e não um projeto de governo. Para ampliar o debate e estender o prazo a entidade convocou um ato em Brasília no dia 29 de outubro, quando os estudantes farão uma blitz no Ministério da Educação.

Os pontos de reivindicação do movimento estudantil também incluem a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação, garantindo 7% do PIB para a área e o fim da Desvinculação das Receitas da União (DRU).

CONSUNI APROVA PRE/UFRJ

ALINE DURÃES - OLHAR VIRTUAL Em sessão extraordinária, realizada na manhã desta quinta-feira (18), no auditório do Centro de Tecnologia (CT), o Conselho Universitário (Consuni) aprovou o Programa de Reestruturação e Expansão da UFRJ (PRE/UFRJ). O documento, amplamente discutido pela comunidade universitária nos últimos meses, será encaminhado ao Ministério da Educação para concorrer às verbas previstas no Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

Estudantes, vinculados a diversas correntes políticas do movimento estudantil, compareceram, em massa, à plenária. Alguns alunos, integrantes da Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes (Conlute), tentaram impedir que o Consuni deliberasse sobre a matéria. Eles interromperam, com encenações teatrais e gritos de guerra, as explanações dos conselheiros e invadiram o palco do auditório, no qual estavam os membros da reitoria. Houve embates corporais entre esses discentes e representantes da União Nacional dos Estudantes (Une), presentes ao encontro para manifestarem apoio ao PRE/UFRJ.

Por conta do tumulto, o reitor Aloísio Teixeira suspendeu as inscrições para o debate e antecipou a deliberação. Como a maior parte dos conselheiros votou favoravelmente à resolução do PRE/UFRJ, Aloísio declarou aprovado o documento.

Reitoria ocupada

Inconformados com a decisão do colegiado máximo da universidade, os estudantes ligados à Conlute ocuparam o hall do salão nobre da reitoria. Apoiados pela Seção Sindical dos Docentes da UFRJ (Adufrj) e por segmentos universitários de outras Instituições de Ensino Superior, como a Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, eles contestam a legitimidade do processo de votação.

De acordo com os manifestantes, os representantes dos alunos no Consuni não puderam votar, o que compromete a validade da aprovação do PRE/UFRJ. Alojados no hall no prédio da reitoria, os ocupantes reivindicam uma assembléia com os membros da administração central da universidade.

terça-feira, outubro 16, 2007

Mobilização estudantil barra votação do REUNI na Ufrgs

Não foi a hora ainda do REUNI na Ufrgs e se depender dos estudantes, funcionários e professores que já descobriram o que é esse tal de REUNI, dificilmente ele terá sua vez. O processo na Ufrgs não está sendo diferente do que é o atropelo do decreto federal que propôs o REUNI, feito nos moldes neoliberais do Banco Mundial para a educação nos países “periféricos”.

No penúltimo Consun (Conselho Universitário), alguns estudantes e DCE através da entrega de um abaixo assinado com quase 1500 assinaturas já haviam solicitado à Reitoria um amplo debate sobre o assunto. É preciso lembrar, o REUNI foi tirado da pauta na época, pois a Reitoria temeu uma maior manifestação dos estudantes já que coincidia com o início do Congresso Estudantil onde o tema principal era o projeto. Aliás, outro tema que poderia mobilizar que foi tirado da pauta do dia foi o convênio da Aracruz com o Centro de Biotecnologia.

Convocado de forma extraordinária, já que a periodicidade do Consun é mensal, e sempre realizado no final do mês, o palco estava armado para a votação, quinta-feira, 11 de outubro às 8:30 h. Manobra esta logo identificada, pois havia a possibilidade do pedido de vistas por parte de algum conselheiro, e isso poderia deter mais dois meses, sem a convocação extraordinária.

Na última reunião de sábado do DCE, o foco foi decidido e o curto tempo para tentar mobilizar o maior número de estudantes.

No mesmo local e na mesma hora, já que virou rotina as manifestações na Reitoria este ano, vale lembrar as manifestações da Permanência, do 17 de abril (dia nacional de luta), do 23 de maio (dia nacional contra as reformas neoliberais), do convênio da empresa Aracruz com a Agronomia/Ufrgs, Ocupação da Reitoria e as manifestações Pró-Cotas.

Cerca de 200 estudantes compareceram, os ônibus alugados vindos dos campi do Vale e Olímpico engrossaram o ato. Mas desde cedo se viu a truculência da Reitoria com a falta de democracia na universidade, pois além da proporcionalidade dos 70:15:15 (professores, funcionários, estudantes respectivamente) no Consun, somente uma “comissão” de 24 pessoas poderiam assistir à reunião, o número de assentos livres para o público em geral, pois pela desculpa de que “ninguém poderia ficar de pé”. Então para maioria dos estudantes presentes, a maior proximidade era o saguão térreo do prédio da Reitoria.

A criatividade e animação não foram deixadas de lado: tambores, apitos, narizes de palhaço, palavras de ordem e intervenções dos colegas e diretórios já era sentida como “bafo quente” na nuca e ouvido de cada conselheiro e da administração. Chegou na pauta do REUNI e a dificuldade não só de questioná-lo, mas pelo simples entendimento o que é isso, para a maioria dos conselheiros (professores).

Lembrando, que no salão de Atos da Ufrgs estava acontecendo o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, e a hora do “Cofee Break” que acontecia no segundo andar da Reitoria foi momento de encontro entre congressistas e manifestantes. Além de muitas fotos tiradas, os participantes queriam saber o porquê do ato.

Chegou o momento mais tenso, inicialmente a pressão por subir e poder ficar mais perto para pressionar o Conselho, depois infelizmente, de precisar passar pelos seguranças, que estavam ali; trabalhadores, servidores da segurança da universidade cumprindo sua função, mas se soubessem o que estava sendo tratado naquele recinto, estariam certamente do nosso lado. Pois, com cerca de dez seguranças, houve confronto, estudantes e seguranças se machucaram, além de perdas materiais: tênis, óculos, camisetas, etc. ah, e a quebra de um vaso enorme na subida da escada. Transposto a barreira dos seguranças, os estudantes ficaram na porta do Conselho. Agora o calor do “bafo” já era maior.

A atuação dos nossos representantes discentes, Beliza Lopes (Ciências Sociais), Cristiano Moreira (Direito) e Shin (Esef) foram determinantes, pois através deles se conseguiu o pedido de vistas e o REUNI não foi para votação. Mas a audiência pública pedida foi negada.

A discussão no Conselho se prolongou inclusive com manifestações contrárias dos servidores e professores. O que marcou negativamente foram as falas das outras representantes discentes, da Cláudia Thompson do MEL (Movimento Estudantil Liberdade) já não se esperava muito, pois são favoráveis e adeptos abertos da privatização da educação, mas a representante Gabriele, do Direito que pertence à UJS/ PCdoB, direção majoritária da UNE, em um ato de governismo, tentou defender o REUNI, acusando inclusive os contrários ao projeto de serem contra à ampliação de vagas na universidade pública. Outra fala lamentável é do representante da Adurfgs (Sindicato dos Docentes da Ufrgs), Eduardo Rolim, que pasmem, falou que o REUNI foi amplamente discutido na universidade.

Depois de vencida a pauta, Bernadete Menezes, representante da Assufrgs (Sindicato dos servidores da Ufrgs) e o professor Molina, do Andes (Sindicato Nacional dos Docentes) chamaram para a mobilização da próxima reunião do Consun, que será no dia 29 de outubro, as datas todas já programadas pela Reitoria. Ficou a tarefa para todos os estudantes presentes ampliarem o debate, e levá-lo para cada espaço da universidade, promovendo uma reunião em cada unidade, que desta reunião se saia com uma posição oficial. Teremos duas semanas para fazer isso e começar a mobilizar cada estudante para que dia 29 de outubro pelas palavras da estudante Kátia das Ciências Sociais faço coro: “traga mais um colega, um amigo”, o cachorro, o vizinho, o pai e a mãe, o avô, pois o rumo já tão desvirtuado da universidade estará em pauta.

“Na USP, na Ufrgs, quem disse que sumiu!? Aqui está presente o movimento estudantil!”

Eduardo Luís Ruppenthal
DCE UFRGS / Instinto Coletivo.

Diálogo entre Reinaldo Gonçalves e o Carlos Vainer

Querido Reinaldo,

Reli com mais atenção tua mensagem e acho que deveria retomar alguns pontos, para que continuemos e aprofundemos o debate.

Veja abaixo meus comentários.

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Prezado Vainer,

Como seu suplente no Consuni, agradeço pelo envio do documento e o parabenizo pela sua qualidade. Os princípios e as linhas gerais me parecem corretos. Há, entretanto, um ponto em que tenho posição radicalmente distinta da sua (ponto no. 8), que trata da transferência das unidades da Praia Vermelha para o Fundão. O fato é que não há qualquer relação entre o desenvolvimento institucional da UFRJ ou o desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro com a transferência das atuais unidades da Praia Vermelha para o Fundão. Todos os argumentos de "integração física" são totalmente desprovidos de sentido.

Estou atualmente na Universidade de Paris e aqui não há qualquer preocupação com centralização física. Muito pelo contrário: na medida em que a universidade se desenvolvia, havia descentralização. Não é por outra razão que estão acabando com restaurantes universitários. A tendência é a mobilidade entre campi. Na Era da Informação, as deseconomias provocadas pela aglomeração espacial são ainda mais valorizadas. Na Era da Globalização, a integração produtiva exige cada vez mais a desintegração territorial da produção. A "integração física" da UFRJ é, para ser generoso, um argumento datado. Certamente, aqueles que defendem a extinção do campus da Praia Vermelha precisam de melhores argumentos.
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Sobre esta questão, já teci comentários em minha mensagem anterior. Evidentemente, se pensamos em um estudante que desenvolva atividades em diferentes unidades, que pode ter aula de línguas na Faculdade de Letras e de Artes na Belas Artes, enquanto avança em seu curso de economia ou administração, certamente a integração física constituirá enorme vantagem. Se ele é um aluno da classe média, que freqüentou o Britania ou a Aliança Francesa, a aquisição de uma ou mais línguas estrangeiras resultou de um investimento familiar, mas se ele é oriundo de classes menos abastadas, dificilmente conseguiu o domínio de uma segunda ou terceira línguas, hoje essencial para quem quer avançar em estudos pós-graduados e, mesmo, em algumas áreas, nos estudos graduados (as crianças chinesas estão aprendendo inglês na escola elementar). Isso apenas para citar um exemplo. E pense nos estudantes que fazem licenciatura em Matemática ou em Física, ou em Letras, se despencando do Fundão para a a Faculdade de Educação na Praia Vermelha. Estes são enormes custos, invisíveis para nós porque incorridos integralmente pelos estudantes.

Há um outro argumento a ser considerado: a integração física não implica, necessariamente, na integração acadêmica. É verdade, mas pode ajudar.

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O Fundão tem enormes desvantagens locacionais. A Praia Vermelha, por seu turno, tem grandes vantagens específicas. Não é por outra razão que a saída das unidades da UFRJ da Praia Vermelha abrirá, certamente, espaço para ..."grandes oportunidades de negócios" com o uso de um espaço urbano muito valorizado. Consta que, desde a construção do Rio Sul, o setor de incorporação imobiliária está interessado nos terrenos da Praia Vermelha.
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Sobre as vantagens locacionais, já comentei que depende do “agente social” que está sendo considerado. Localizações são sempre relacionais e numa cidade tão desigual como a nossa, as relações locacionais são, também, quase sempre, relações entre diferentes grupos sociais. Assim, uma discussão sobre vantagens locacionais deve considerar as diversas “clientelas” atuais e potenciais, as diferentes atividades atuais e futuras.

O comentário sobre “grandes oportunidades de negócios” imobiliários foi uma das razões para que eu voltasse a comentar sua mensagem. Na verdade, é a segunda vez em que vejo a insinuação de que o projeto de transferência das unidades para a Cidade Universitária poderia estar fundado em algum interesse espúrio, negociata, mais que negócio, a serviço de não sei que interesse incorporador. Ora, com toda franqueza que nossa amizade me permite, quero dizer-lhe que, nunca, em nenhum momento, ouvi qualquer menção, de qualquer dirigente da UFRJ, ou de qualquer membro do CONSUNI, a este tipo de questão. Ouvi muitas conversas e discussões sobre o que queremos como futuro de nossa universidade, como fazer com que ela cumpra suas responsabilidades sociais, mas nunca ouvi ninguém propor ou falar de um “negócio imobiliário”.

Isto posto, certamente a transferência de unidades para a Cidade Universitária liberará espaços e um projeto físico-territorial para os próximos 5 a 10 anos deverá contemplar: a) um novo Plano Diretor da Cidade Universitária; b) um Plano complementar de destinação dos imóveis (prédios e terrenos) liberados. Além da Praia Vermelha, teremos também prédios no centro – IFCS, Faculdade de Direito. Esta é uma discussão do maior interesse para todos nós.

Eu, de meu lado, estou convencido que tanto a Praia Vermelha como a Ilha do Fundão constituem extraordinário patrimônio e que a gestão de nosso patrimônio deve estar submetida aos objetivos da Universidade. A idéia de que não devamos considerar o nosso patrimônio conduziu, no passado, à total falta de responsabilidade, sendo várias de nossas áreas ocupadas por interesses, estes sim, espúrios e estranhos aos interesses e objetivos de uma universidade pública. Os melhores exemplos estão na própria Praia Vermelha, com o Canecão e o Bingo. Isso sim, caro amigo, é inaceitável. Isso sim é uma operação espúria e estranha a nossos interesses, lesiva. Recuperar e administrar nosso patrimônio é, pois, não apenas necessário, como urgente.

De outro lado, um plano da dimensão do que estamos discutindo, envolvendo a transferência das unidades de ensino e pesquisa para a Cidade Universitária, exigirá de nós uma discussão séria e profunda acerca de qual a direção que queremos dar a nosso patrimônio, inclusive a nosso patrimônio imobiliário. Uma alternativa, que é a vigente até hoje, é ignorar a questão: ficamos sentados em cima de nosso patrimônio, assistindo, aqui e ali, a sua degradação ou perda. Omissão, indiferença, ignorância. Outra atitude é a de considerar que o patrimônio existe e deve ser administrado de maneira a atingir os nossos objetivos e cumprirmos nossa função. De minha parte, não apoiaria nenhuma operação, financeira ou imobiliária, que implique em perda patrimonial; mas julgo que devemos dar um uso racional a nosso patrimônio, que o mobilize a serviço da universidade. Penso que um grande centro de convenções com um hotel universitário, como existem em todas as grandes universidades do mundo, seria um uso simultaneamente nobre e de interesse da universidade e da cidade. Estive ontem em Campinas e dormi no Hotel do Professor Visitante. Por que é que o Palácio Universitário não pode ser mantido e adaptado para se transformar num extraordinário e charmoso centro de convenções? Por que é que, no espaço livre disponível não podemos contar de instalação hoteleiras para acolher professores visitantes e participantes de eventos?

E na Cidade Universitária? Será que você desconhece que existe lá um enorme número de unidades de ensino e pesquisa e que precisamos ocupar o espaço ... sob pena de vermos, ao longo do tempo, nosso patrimônio imobiliário ser progressivamente erodido pela ocupação de áreas crescentes por empresas estatais, com baixíssimos retornos para nós. Não lhe incomoda ver esse péssimo “negócio imobiliário” avançar ao longo do tempo?

Enfim, é necessário que os colegas que trabalham na Praia Vermelha façam, eles também, um esforço de pensar a UFRJ em seu conjunto. É necessário que não se esqueçam que esta universidade detém uma enorme área na Cidade Universitária e que devemos dar um destino a esta área... sob pena de a vermos, ela também, invadida nos próximos anos. Que uso propõem?

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A atual gestão da reitoria tem sido incapaz de promover o melhoramento das condições de trabalho na Praia Vermelha. Espero que a próxima gestão seja capaz de valorizar o trabalho atualmente desenvolvido nas suas unidades e realize os investimentos de capital e custeio necessários.
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Não sou defensor da Reitoria nem tenho procuração para tal. Mas seria bom você não esquecer que há vários anos o orçamento da União não destina um único centavo para investimento. Como crítico lúcido das políticas governamentais, você não deveria lançar à Reitoria responsabilidades que, como você sabe, lhe escapam.

Por outro lado, seria também interessante perguntar, por exemplo, como têm sido utilizados os recursos que o IE, a FACC e outras unidades da Praia Vermelha, e do Fundão também, obtêm da venda de serviços e cursos pagos. Qual o montante auferido no último ano com a venda de serviços e cursos? Qual o retorno para as condições de trabalho de professores, estudantes e servidores técnicos-administrativos? Quanto foi investido nas bibliotecas?

Ao lutar por mais verbas para as universidades públicas, ao condenar a destinação de recursos governamentais para o ensino superior privado, constituído em sua grande maioria de empreendimentos comerciais com baixo mérito acadêmico, devemos também olhar para nossas próprias práticas e combater os processos do que chamo de “privatização branca” da nossa universidade pública.

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Em síntese: não conte com meu apoio no que se refere à transferência das unidades da Praia Vermelha para o Fundão. Como seu suplente, meu voto é contrário ao seu.

Que isto não se torne uma polêmica. Trata-se simplesmente da minha avaliação.

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Quero deixar claro que respeito a sua opinião e a de todos os colegas do IE. Por isso mesmo acho fundamental que aprofundemos o debate, apresentemos os argumentos e, também, as propostas. Para isto conto com seu apoio: para discutir, para avançar novas propostas e projetos. Acho que não podemos ter apenas um proposta na mesa: é necessário que outras propostas surjam, que outros projetos se delineiem. Do encontro e confronto de múltiplos projetos surgirá, acredito, um caminho para a UFRJ que contemplará as principais necessidades e os mais legítimos anseios.

Quanto à polêmica, ao contrário de você, acho que é bem-vinda. Se a universidade é o lugar do pensamento e da crítica, deve ser também, necessariamente, o lugar da polêmica.

Saudações universitárias

Carlos

Prof. Carlos B. VainerConselho Universitário da UFRJRepresentante dos Professores Titulares do CCJE

Resposta do diretor do IE

Prezado Vainer:

O IE percorreu nas últimas décadas o caminho exatamente oposto ao proposto pelo PRE. Na medida em que não éramos atendidos pela UFRJ em nossas demandas de créditos oferecidos pelas outras unidades que nos enviavam professores de nível insatisfatório, optamos pela autonomia abrindo concursos em quase todas as áreas em que temos necessidade de cursos, incluindo direito, matemática, estatística, sociologia etc.

Daí a nossa postura eventualmente considerada arrogante e nossa dificuldade em adotarmos o PRE. Temos medo de destruir tudo que construímos ao longo dos últimos anos com tanto esforço.

A questão do ciclo básico mais amplo me parece muito interessante, mas teria que ser implementada levando em consideração nossas características e dificuldades. Não aceitamos cursos de baixa qualidade oferecidos por professores desinteressados e desinteressantes junto com alunos incompetentes de outras unidades. Só vale a pena mudar se for para melhor, abrindo novas disciplinas de qualidade para nossos alunos.

Em relação aos cursos curtos temos sérias dúvidas e não sabemos como o mercado os receberá. Precisamos de mais informação para nos posicionarmos e como a reitoria ampliou o tempo para discussões sobre o tema temos que aproveitar bem os próximos meses para termos uma posição sobre tais cursos.

A questão da ida para o Fundão é a que mais nos aflige. Temos dificuldades logísticas enormes na PV, mas a ida para lá pode piorar ainda mais. Até há alguns meses falava-se em construir prédios aqui para salas de aula e professores (ver PDI da UFRJ). Inclusive optamos pela abertura do curso noturno de Economia para ser realizado aqui e nunca pensamos em abri-lo no Fundão.

Acho que, em princípio, todos os cursos se localizarem num mesmo campus possui uma lógica difícil de rebater. Mas tendo em vista as inúmeras dificuldades do Fundão, qualquer transferência deveria estar condicionada à prévia resolução dos atuais problemas do Fundão e seus arredores. Não podemos dar carta branca à Reitoria e nos mudarmos sem antes termos as condições básicas necessárias garantidas.

Também não poderemos abrir o curso noturno lá, pelo menos nos próximos anos. A graduação de economia está sofrendo uma forte competição das particulares (PUC, FGV e IBMEC). A ida para o Fundão será um novo golpe para nós e cada vez mais ficaremos sujeitos a receber os piores alunos que não têm condições financeiras para pagar as elevadas matrículas nas particulares.

Nossa proposta alternativa é a manutenção do campus da PV, ampliando sua área de especialização em humanas e sociais, inclusive com a vinda de unidades como o IFCS e a FND. Assim passaríamos a ter dois campi na cidade, além dos vários que estão sendo criados e fortalecidos no interior do Estado do RJ.

Em resumo, não vejo problemas, pelo menos à médio prazo, em mantermos nosso campus na PV ampliado com unidades isoladas que poderiam vir para cá. A longo prazo, poderiam ser feitas as melhorias necessárias no Fundão e na cidade em seu entorno. Uma vez resolvidos todos os problemas, inclusive com as melhorias apontadas em seu documento, poderíamos pensar seriamente em fazer a transferência no futuro, se ainda avaliada como necessária.

Espero que minha posição tenha ficado clara para ajudar seu posicionamento na quinta feira.

Abraços e parabéns por sua postura de legítimo representante dos professores titulares do CCJE,

João Saboia

Informe do representante dos professores titulares do ccje

n0 9 – Ano II – 13/10/2007

Prezados Colegas,

Em julho, isto é, há quase 3 meses, enviei-lhes meu último informe. Ele se referia às sessões do CONSUNI de 28 de junho, 12 de julho e 19 de julho (extraordinária). As sessões que se seguiram, se deixamos de lado pequenas deliberações de caráter estritamente administrativo, que tenho evitado relatar em meus informes, foram consagradas a dois grandes temas: a distribuição de vagas docentes e o Programa de Reestrutura e Expansão proposto pela Reitoria.
vagas

No que concerne à distribuição de vagas, o processo deu-se por encerrado na sessão do CONSUNI de 11 de outubro, quando foram aprovadas por unanimidade as propostas da COTAV (40 vagas) e do CSCE (10 vagas da chamada “reserva técnica”).

A rápida e consensual votação do CONSUNI mostrou que, apesar das nuvens escuras que prenunciavam tempestuoso processo em que explodiriam conflitos entre unidades, entre centros e entre o CONSUNI e o CEG-CEPG, o processo foi conduzido com maturidade por todos os envolvidos, tendo-se alcançado um resultado simultaneamente baseado em critérios relativamente objetivos de avaliação da consistência e relevância das demandas e em um espírito cooperativo a ser saudado. Tendo em vista o número total de vagas e as demandas concorrentes, acredito que o CCJE foi adequadamente contemplado, tendo apresentado proposta bastante consistente. Ficaram assim distribuídas as 6 vagas do alocadas ao CCJE.

UNIDADE
Departamento/Programa
Setor
Adjunto
Assist
COPPEAD

Finanças e Controle Gerencial
1

F.DIREITO
Teoria do Direito
Teoria do Direito
1

F.DIREITO
Direito Civil
Direito Civil
1

FACC
Biblioteconomia
Serviço ao Usuário

1
I.ECON.

Desenvolvimento Econômico
1

IPPUR

Planejamento Urbano e Regional
1

programa de reestruturação e expansão - pre

No que diz respeito ao Programa de Reestruturação e Expansão – PRE, o debate foi, e permanece, bem mais candente, originando pelo menos uma ruidosa manifestação estudantil no CONSUNI e intensos debates em toda a UFRJ. Após muitas discussões e audiências públicas, inclusive no CCJE, a Reitoria acaba de lançar versão revista de sua proposta, que circula amplamente em nossa Universidade. Tal proposta irá a debate e deliberação do CONSUNI na próxima reunião de 18 de outubro.

Julguei oportuno, tendo em vista a aproximação desta data, entrar em contato com os Professores Titulares do CCJE para expor-lhes o que segue.
1º. Tenho para mim que, na qualidade de REPRESENTANTE, devo prestar contas do exercício do mandato recebido e, ademais, em situações relevantes e controversas, consultar os que devo representar.

2º. O PRE, como pode constatar mesmo o menos arguto dos observadores, tem suscitado muitas e importantes divergências, inclusive no CCJE.

3º. Por estas razões, julguei oportuno promover uma consulta junto aos Professores Titulares do CCJE acerca da posição a adotar na deliberação que terá lugar no CONSUNI.

4º. Comprometo-me a votar de acordo com a manifestação da maioria (simples) se tiver recebido, até 17 de outubro, manifestações e indicações de voto de pelo menos 50% mais um dos titulares do CCJE.

5º. Em qualquer circunstância, e seja qual o voto que me for indicado pelos que represento, exporei no CONSUNI minha posição, que apresento a seguir.

Posição acerca do Plano de Reestruturação e Expansão da UFRJ

1. A meu ver, não vivíamos processo tão rico e abrangente de discussões acerca de nosso projeto acadêmico-institucional desde o mandato do Prof. Nelson Maculan, já lá se vão mais de 10 anos, quando se discutiu na UFRJ e no CONSUNI a possibilidade de instalação de uma Estatuinte, afinal frustrada por alguns setores que, ontem como hoje, escondem seu contumaz obstrucionismo em simpáticos pedidos de mais tempo para aprofundar a discussão.

O atual processo iniciou-se no ano passado, com o lançamento pela Reitoria do Plano de Desenvolvimento Institucional. Não obstante suas enormes carências e inconsistências, o PDI sinalizava a disposição da atual administração central de:

a) partir para a elaboração de um diagnóstico crítico, não apologético, de nossa Universidade;

b) abrir a discussão acerca de um projeto acadêmico e institucional de longo e médio prazos.

2. O debate em torno da proposta de “Universidade Nova” avançada pelo Reitor da Universidade Federal da Bahia, assim como as contribuições da Academia Brasileira de Ciências, vieram colocar em nossa agenda questões que estão hoje na pauta de todos os importantes centros universitários e científicos. O Acordo de Bolonha, que aponta para a homogeneização das universidades européias, as propostas de reconfiguração do lugar e papel das universidades em países periféricos e dependentes de ciência e teconolgia como o nosso, emanadas de agências multilaterais como UNESCO e Banco Mundial, assim como a possibilidade de que os “serviços educacionais” passem a ser contemplados na pauta de liberalização da Organização Mundial de Comércio, eis eventos que colocam, de fato, a Universidade, enquanto instituição, por toda parte, no centro da agenda contemporânea.

Em um país como o nosso, a questão universitária ganha cores próprias e adquire enorme dramaticidade, interpelada que é nossa instituição seja pelo papel e lugar que desempenha na reprodução de uma sociedade profundamente injusta, seja pela perspectiva de que participe de processos de mudança que viriam contribuir para reduzir substancialmente as desigualdades sociais e regionais, seja, enfim, pelo seu potencial como fator de constituição de uma soberania científica e tecnológica que é condição mesma da existência de nações soberanas nesta que já foi chamada de a “era do conhecimento”.

Se somamos a isso as extraordinárias transformações por que passam nas últimas décadas os mais diversos campos científicos e disciplinares, não restam dúvidas de que a Universidade, a Universidade Brasileira e, em particular, nossa UFRJ estão desafiadas por um complexo de processos e fatores a se transformarem profundamente ou simplesmente, serem condenadas à irrelevância, quando não à simples degradação e desaparecimento. Aqui como em vários outros setores da vida social, no Brasil assistimos à convivência de precariedades resultantes do passado e perversidades promovidas pela contemporaneidade.

Confrontados a um desenvolvimento científico-tecnológico acelerado, que resulta de, e impulsiona, verdadeiras revoluções epistemológicas e técnico-científicas, convivemos com heranças vindas de uma universidade bacharelesca e elitista, brutal e autoritariamente modernizada pela ditadura militar e, para completar, lançada à miséria por sucessivos governos pós-Constituição de 1988, totalmente descompromissados seja com a educação (superior), seja com o desenvolvimento científico-tecnológico, e menos ainda com a cultura e o papel da universidade nacional em sua preservação e dinamização.

3. Fato é que nosso rico processo de discussão, em tudo e por tudo virtuoso, foi atropelado pela maneira oportunista e autoritária com que o MEC, através de ukases, decidiu promover sua “reforma universitária”. Não bastasse uma Lei de Inovação que induz ao empresariamento universitário, não bastasse o PROUNI, que deslocou vultosos recursos para subsidiar um ensino superior privado que, com raras exceções, não apenas é de péssima qualidade como constitui mero negócio, o governo lança o REUNI. Este pretende impor, através de índices quantitativos típicos de mentalidades burocráticas, regras e normas homogeneizadoras que desconhecem a diversidade de nossas IFES e induzem-nas a uma disputa concorrencial por recursos que deveriam estar afluindo regular e normalmente para a manutenção e expansão do ensino superior público.

Esta indevida intervenção federal na autonomia universitária, cuja garantia constitucional é reiteradamente desrespeitada por sucessivos governos, tornou mais agudos os debates. Para muitos, acabou se transformando em pretexto para eludir a questão central que, indubitavelmente, diz respeito às perspectivas e à direção que pretendemos imprimir a nossa Universidade. A intervenção intempestiva e autoritária do Governo Federal num debate que começava a amadurecer no interior da comunidade acadêmica-científica acabou por fortalecer os que se contentam em entoar a pobre e empobrecedora palavra-de-ordem“Não ao REUNI”, que, a partir de então, como verdadeira qual varinha de condão, parece capaz de resolver, para alguns, o problema que consiste em enfrentar os desafios a que nossa Universidade está confrontada e a incômoda necessidade de responder a algumas perguntas simples ... na verdade, complicadíssimas: “Universidade para quê? Universidade para quem? Que Universidade vamos construir? É esta a Universidade pública e gratuita que nós e nosso povo queremos?”.

4. Não faltaram, e não faltam aqueles que, como em outras ocasiões, reclamam que é necessário aprofundar os debates - estratégia dilatória que os dispensa de dizer o que pensam e o que propõem, aqui e agora, para nossa Universidade. Como se o debate não datasse de 2006, quando a Reitoria lançou o PDI? Como se o debate não datasse de sucessivos processos eleitorais para dirigentes universitários? Como se o debate não datasse das lutas travadas pelo movimento docente desde o início dos anos 80? E, sobretudo, como se o debate não atravessasse o nosso quotidiano, pelo menos o daqueles para quem a vida universitária é a vida do dia-a-dia?
A postura dilatória, em nome da sempre invocada “necessidade de aprofundar o debate” acaba fortalecendo as tendências mais conservadoras de nossa Universidade, daqueles, que, por interesses individuais, corporativos, indiferença ou simples omissão, satisfazem-se plenamente com a mera reprodução do mesmo.

4. Tudo isso para dizer que o processo que estamos vivendo não apenas é essencialmente virtuoso como, até mesmo, já veio tarde. E nada seria mais contraproducente, a esta altura, que uma atitude blasé, auto-condescendente, que repete à saciedade que damos boas aulas, somos bons professores e produzimos bons e valiosos conhecimentos. Não compartilho deste sentimento de auto-satisfação e não é esta a avaliação que faço da UFRJ e da Universidade Pública brasileira de modo geral. Sim, é verdade, há muitos entre nós que somos bons professores, alguns mesmo brilhantes; como há também vários entre nós que têm desenvolvido pesquisas relevantes e contribuído substancialmente para desvendar, no caso do CCJE, processos que estruturam o funcionamento de nossas instituições e a reprodução de nossa sociedade.

Por mais importantes que sejam estas contribuições, estamos, entretanto, ainda muito aquém do que espera de nós a sociedade, e muito aquém do que poderíamos estar fazendo e produzindo enquanto instituição. Em muitos e numerosos campos, somos rotineiros e pouco criativos. Em inúmeros terrenos, apenas reproduzimos estruturas mentais e profissionais mais que ultrapassadas.

Tomemos, a título de exemplo, a matriz de qualificações que oferecemos em nossos cursos de graduação: com raríssimas exceções, reproduz a mesma grade de qualificações oferecidas há 40 ou 50 anos. Se é verdade que a pós-graduação se mostrou inovadora e criativa, oferecendo novas formações em diferenciados e emergentes campos do saber, a graduação marca o passo, preguiçosa e rotineira; enquanto isso, o mundo do trabalho e os vários campos e sub-campos da(s) ciência(s) e da(s) cultura(s) foram totalmente revolucionados nos últimos 25 anos.

5. Isso para não falar de nossa enorme dificuldade para escapar de concepções pedagógicas e epistemológicas que nos transformam em formadores de especialistas, destituídos de uma consciência mais ampla do campo social, assim como do significado e papel dos cidadania. Quantos de nossos formandos completam o ciclo universitário sem ter exercitado o juízo crítico, ignorantes da cultura universal que a universidade, como diz seu próprio nome, deveria estar preservando, difundindo, enriquecendo? Em muitos casos, bem o sabemos, estamos formando meros instrumentadores, prestes a serem instrumentalizados.

6. Esta visão me conduz a apoiar de maneira decidida as iniciativas que provocam a universidade a (re)pensar-se e, a partir deste reflexão, a transformar-se. Novos cursos, novas interações, novas dinâmicas pedagógicas e institucionais são necessárias e urgentes.

Sou favorável, no essencial, ao conjunto de propostas alinhadas no documento da Reitoria em sua última versão. Sou favorável a que nos engajemos decididamente em um processo de integração universitária que faça de nossos alunos verdadeiros estudantes da UFRJ, antes de serem estudantes do IE, da Faculdade de Direito ou da Medicina.

Sou favorável à oferta de novos e inovadores cursos de graduação, à constituição de ciclos básicos que ofereçam a nossos alunos um visão universal e integrada do conhecimento científico e um contato efetivo com a(s) realidade(s) brasileira(s), continental(ais) e mundial(ais). Quero que ampliemos o número de vagas, quero mais cursos noturnos. Estou convencido de que estamos obrigados a abrir nossa universidade, a acolher estudantes de diferentes origens e horizontes sociais e intelectuais. Estamos chamados a conferir, de fato, caráter público à universidade pública que tanto defendemos e cuja sobrevivência é resultado de muitas e bravas lutas.

7. E temos que fazer isso tudo sem incorrer nos processos de degradação que, como sabemos, foram vividos pela educação primária e secundária públicas, para as quais o processo progressivo, e ainda não concluído, de universalização implicou na perda de qualidade. Abrir-se, incorporar mais e novos alunos, sem perder a qualidade; ao contrário, fazer desta abertura um ingrediente a mais de nossa riqueza e diversidade. Afinal, há que reconhecer que num país como o nosso não pode ser considerada de qualidade uma universidade que não responde às exigências de democratização que nos vêm da sociedade, exigências que a expansão desqualificada do ensino superior privado ao mesmo tempo expõe e manipula.

8. Finalmente, gostaria de tocar num ponto que tem provocado enormes resistências e críticas entre muitos dos colegas do CCJE que desenvolvem suas atividades no campus da Praia Vermelha. Refiro-me à proposta de integração universitária, que, se aprovada, deverá levar, no médio prazo, para a Cidade Universitária, todas as nossas unidades de ensino e pesquisa. Quero dizer que sou totalmente favorável a este projeto, e não encontro, em nenhuma das razões acionadas pelos seus opositores, qualquer razão substantiva - seja acadêmica, econômica ou social.

Ingressei na UFRJ em 1967, como estudante da antiga FEA - Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Brasil, onde vivi o meu 68; tenho, portanto, tanto ou mais que muitos de meus colegas, razões para associar a Praia Vermelha a inesquecíveis momentos de minha vida. Mas este sentimento pessoal, tão legítimo quanto muitos outros interesses individuais, não pode se sobrepor a um projeto universitário que nos ultrapassa e projeta a UFRJ para os próximos 20 ou 30 anos.

9. Se concordo com a perspectiva geral de integração universitária constante da proposta da Reitoria, e se julgo que a transferência das unidades de ensino e pesquisa para a Cidade Universitária como parte, necessária mas não suficiente, desta perspectiva, tenho defendido a necessidade de ir além. Penso ser necessário articular o projeto de integração intra-universitária com um projeto de integração da UFRJ com a cidade do Rio de Janeiro (na verdade, com o município, com a Região Metropolitana e com o Estado do Rio de Janeiro). Em outras palavras, julgo indispensável reconfigurar radicalmente as relações da UFRJ com nossa cidade e nosso Estado, com ênfase para as formas de sua articulação com a malha urbana.

Em outras palavras: a Cidade Universitária pode e deverá, no momento em que integrar a totalidade das nossas unidades de ensino e pesquisa, constituir-se em importante pólo de articulação urbana. Se superarmos a visão de campus universitário isolado que prevaleceu no projeto original da Cidade Universitária, se nos voltamos para uma interação mais rica e profunda com a cidade, teremos que projetar também um processo efetivo de vertebração físico-territorial e urbanização que rompa definitivamente com o caráter insular de nosso campus. Trazer a cidade para dentro da Cidade Universitária implica em um projeto urbano que não se completa no interior da UFRJ, e exige uma nova aliança com a cidade e o Estado.

Eixo central desta proposta é a implantação de linha de metrô que conecte a Cidade Universitária ao Centro, Ilha do Governador e Galeão. Eixo complementar essencial é a ocupação ordenada dos espaços disponíveis, com a criação de núcleos de serviços, comerciais e, quem sabe, residenciais. Uma nova linha de metrô, além de servir à população acrescida da Cidade Universitária, virá atender a uma enorme população residente no entorno (Ilha do Governador, Complexo da Maré, Bonsucesso), que pode ser estimada em cerca de 800.000 pessoas. Ademais, conferirá ao Aeroporto do Galeão um nova e vantajosa facilidade, que o colocará em condições mais favoráveis para disputar uma posição de destaque, compatível com a importância da Cidade do Rio de Janeiro, na malha aeroviária hoje em processo de redefinição.
Coerente com esta visão, apresentarei proposta de emenda ao documento encaminhado pelo Reitor, destacando a importância desta integração Universidade-Cidade e propondo, no item XIX, o que segue:

XIX. Definir as seguintes ações com vistas à melhoria da infra-estrutura geral do Campus da Cidade Universitária:

» intensificar os entendimentos com a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, de modo a discutir um plano de médio e longo prazo de reinscrição territorial da UFRJ e sua Cidade Universitária, redefinir e desenvolver sua interação logística, físico-territorial e urbanística com os espaços municipal, metropolitano e estadual, notadamente no que concerne a:

a) accessibilidade – meios de transporte coletivo (metroviário, rodoviário e aquaviário) -;

b) segurança pública;

c) uso pela sociedade dos espaços universitários de difusão da cultura e arte (museus, teatros, etc);

d) promoção de eventos científicos e culturais de âmbito estadual, nacional e internacional”.
10. Para concluir, gostaria de chamar sua atenção para o item XVIII da última versão da proposta da Reitoria, onde se lê:

“XVIII. Definir as seguintes ações com o objetivo de promover o reordenamento espacial das unidades e órgãos da UFRJ:

» autorizar a imediata revisão do Plano Diretor de Ocupação do Campus da Cidade Universitária, com prazo de oito meses para sua elaboração, discussão e aprovação por esse Conselho.

» determinar a realização de estudos com vistas a definir usos e vocações dos vários espaços ocupados pela UFRJ — em especial o Palácio Universitário e o terreno da Praia Vermelha, o prédio do IFCS no Largo de São Francisco e o prédio da Faculdade de Direito na Praça da República.

» estabelecer como princípio organizador do processo de reordenamento espacial das unidades acadêmicas o princípio da adesão.

» constituir grupos de trabalho específicos com a participação das unidades situadas em prédios fora do Campus da Cidade Universitária, para atender ao disposto no item acima.”

Em minha opinião, a introdução do “princípio de adesão” parece-me essencial para a condução dos próximos passos do redesenho acadêmico, institucional e físico-territorial de nossa Universidade. Defendi e defendo este princípio, como já manifestei em várias oportunidades ao Prof. João Sabóia, Diretor do IE, Penso que ele permitirá que as diferentes unidades repensem seus projetos acadêmico-institucionais de médio e longo prazo em condições universitárias, isto é, respeitadas as especifidades e a autonomia (relativa) de cada instância.

Penso que o “princípio da adesão” contribuirá para queas difrerentes unidades negociem as condições de seu engajamento nos múltiplos processos que estaremos vivendo na universidade – desde a incorporação a um novo ciclo básico no CCJE até a transferência eventual para a Cidade Universitária.

Julgo pertinentes as preocupações manifestadas no documento elaborado pelo Instituto de Economia, em particular no que concerne às instalações e condições de acesso à Cidade Universitária. Julgo legítimo que as condições de mudanças desta magnitude sejam objeto de negociação respeitosa e cuidadosas, em que os custos de transferência sejam devidamente compensados. O “princípio da adesão” permite fazer destas preocupações e das necessidades de cada unidade um instrumento de construção do projeto coletivo.

11. Estas as minhas idéias e razões acerca do debate em curso. Espero seus comentários e indicações.

Saudações universitárias

Carlos B. VainerRepresentante dos Professores Titulares do CCJE

domingo, outubro 14, 2007

Eleições

Nesta terça-feira começam as eleições para representante discente no conselho do CCJE.Elas terminam na quinta-feira próxima e definirão os três próximos representantes para o mandato 2007/2008.Cada eleitor deverá votar em três chapas de seis possíveis.

As três chapas de representantes(titulares e suplentes)mais votadas poderão participar do conselho num momento em que se discute os rumos da UFRJ e a sua urgente aproximação com a sociedade,num contexto em que será fundamental a interação graduação/pós-graduação,ensino/pesquisa e a extensão universitária,que deverá situar-se como meio condigno de aproximação social e pesquisa universitária.

Neste contexto,é extremamente importante a participação de todos.Eu apoio a 2ª e a 5ª chapa.A minha é a terceira.Desde já ofereço este espaço para as chapas que desejarem enviar suas propostas ou nos convidar para debates.Basta para isso enviar-me um artigo no blog ou no email feliperpinto@yahoo.com.br.

Um abraço a todos!

Peter Drucker, um ano depois

05 de março de 2007 às 07:00
Harvard Business Rreview


Primeiro “guru” da administração, Peter Drucker, deixou uma obra que é hoje mais atual do que quando foi publicadaHá pouco mais de um ano, falecia aos 95 anos de idade Peter Drucker, considerado unanimemente o teórico da administração por excelência. Esta é, sem dúvida, sua faceta mais popular, mas apenas nos oferece uma visão parcial de toda sua produção intelectual. Ele se definia como um “ecologista social” que estudava o ambiente criado pelo homem. Como seu objeto de estudo, sua obra magna é hoje mais atual do que quando foi publicada.

Peter Ferdinand Drucker nasceu em Viena em 1909 no seio de uma família culta, fermento de sua vocação literária e de sua inquietude intelectual. Estudou direito em Hamburgo e Frankfurt, enquanto trabalhava, primeiro na empresa exportadora e, depois, como jornalista.

Diante do avanço do nazismo, abandonou a Alemanha e se estabeleceu em Londres, onde trabalhou para uma empresa financeira e assistiu às aulas de John Maynard Keynes. Em 1937, se mudou para os Estados Unidos. Tempos depois, se tornou professor e consultor, atividades que alternou com a de escritor.

Suas primeiras publicações americanas — The End of Economic Man e The Future of Industrial Man — são análises sociais e políticas brilhantes. The Future of Industrial Man foi o primeiro livro que indicou que a corporação empresarial é uma organização social, uma comunidade, ao mesmo tempo que é um órgão econômico. Esta obra moveu a General Motors a lhe propor que analisasse sua estrutura e suas políticas empresariais. Este seria a origem de Concept of the Corporation (1946), em que Drucker demonstra sua singularidade e sua capacidade criativa ao aplicar a análise política ao estudo das corporações. Ao analisar a empresa dentro da sociedade, Drucker destaca que a corporação precisa estar organizada de tal forma que cumpra suas obrigações sociais ao procurar seu próprio interesse mediante a busca do benefício.

Ao que se refere ao seu trabalho no colosso do automóvel, Drucker examina explicitamente, em muitos casos pela primeira vez, grandes temas como o exercício da liderança, a formulação de estratégias, a definição das políticas básicas e o estabelecimento de critérios objetivos de decisão, que deveriam constituir os pilares do funcionamento de uma organização. A partir de então, Drucker dará seu conselho a grandes empresas e instituições, de General Electric a Citibank ou Sears, tornando-se o primeiro “guru” da administração. Em suas obras dedicadas mais especificamente à direção de empresas, esclarece sua penetrante concepção de quais são os fundamentos da descentralização e a responsabilidade, da promoção dos trabalhadores e diretores, do desenho dos postos de trabalho, do papel do benefício, da direção por objetivos, entre outros.

O pensamento de Drucker sobre a arte de governar é único e polifacético ao mesmo tempo. Partiu da filosofia social, passou a estudar as organizações da sociedade industrial e foi parar na administração, para finalmente repensar a sociedade pós-industrial e do conhecimento. Drucker lançou uma luz poderosa sobre a crescente complexidade da sociedade ao contemplá-la como uma sociedade das organizações e instituições que, graças ao seu caráter integrado, reduzem e administram a complexidade. Como confessa em sua autobiografia, alternou livros de síntese social e política e obras sobre administração, alternância aguda, filha de uma visão avançada.

Entre as organizações configuradoras da “grande sociedade”, destacam-se certamente as empresas por sua influência. Por sua vez, as corporações estão dominadas pelo ethos de nossa época, de forma que não convém uma gestão empresarial neutra. Esta mútua retroalimentação é um dos grandes descobrimentos e, sem dúvida, um dos “segredos” de seu sucesso como “profeta” da administração. Precisamente o progresso da sociedade pós-industrial e do conhecimento é o que colocou mais em destaque a oportunidade das instituições empresariais.Além de difundir o sentido atual de administração e de outros conceitos, como recursos humanos, descentralização, eficácia, trabalhador do conhecimento, direção por objetivos, antecipou tendências e descontinuidades: as características da pós-modernidade, a influência das mudanças tecnológicas no trabalho e na empresa, o principal papel da inovação e do empreendedorismo, a crise do reducionismo econômico e a queda de um de seus devedores, o totalitarismo marxista. Escreveu mais de 30 obras, às quais se pode acrescentar dezenas de artigos, tanto científicos como jornalísticos.

A título de exemplo, vale lembrar que é o autor com mais trabalhos publicados na prestigiosa Harvard Business Review.

A única objeção de peso é que, ao longo dos anos de estudo da obra de Drucker, notei não a repetição na qual freqüentemente cai, o auto-elogio compreensível ou a possível acusação de “superficial” (em muitas páginas é, mas quer sê-lo e, além disso, penso que está francamente legitimado para sê-lo). O único “porém” é que, dispondo de tão ampla formação intelectual, não tenha dedicado mais esforços e talento às grandes perguntas que estão nos fundamentos do comportamento humano nas organizações que, por outro lado, não evita delinear.

segunda-feira, outubro 08, 2007

comentários

Na proposta de resolução encaminhada à comunidade,o reitor manteve os pontos principais do projeto.Com isso caminha-se para a construção de um modelo de Universidade menos tecnicista e disciplinada,desdobrando-se para uma formação mais crítica e alinhada às necessidades discentes.

Considero que a função da Universidade é a de nos colocar em contato com o saber,preparando-nos para a cidadania,para a reflexão crítica e a análise coerente do sentido de nossas vidas,de modo que prepare o estudante para, de maneira autonoma e fundamentada, escolher o fim de suas ações sociais e os meios adequados e legítimos para alcançá-los.Diante disto, apoio a proposta encaminhada pelo reitor por:

1. identificar muitas das suas ações como convergentes a esses pressupostos,como se percebe no conteúdo proposto para o módulo II :"reformas curriculares que permitamn a revisão da relação de carga horária entre disciplinas obrigatórias e optativas,promovendo maior participação dos estudantes em atividades de pesquisa e extensão e estimulem o contato com diferentes campos da ciência,da cultura e das artes."

2.Porque percebo em outras ações a oportunidade adequada para avançarmos em reinvindicações antigas como a universalização do acesso ao material didático e virtual necessários à equidade discente,uma vez que está proposta a compra de livros, computadores e a ampliação da ssistência estudantil,ampliando as bolsas e reformando o alojamento .

3.Porque a reestruturação dos cursos de licenciatura,conforme proposto,permite-nos almejar a oferta de cursos de lingua estrangeira,de modo que,ao final do ciclo básico,o estudante tenha aprendido uma segunda língua.

4.A proposta de ampliação dos programas de extensão, associados ao reconhecimento da importância da "elevação do grau de comprometimento social da universidade",conforme elencado no item vii das suas diretrizes, permitem ampliar o acesso às bolsas apoio, reformulando-a de modo que o estudante possa prestar serviços à comunidade associados a sua área de estudo,ampliando sua cidadania,conhecimento e responsabilidade social.

Existem outras motivações.Entretanto,a proposta apresenta também algumas fraquezas que precisam ser superadas.Dentre elas destaco:

1.As vagas reinvindicadas pelo departamento de administração para a oferta de novo curso diurno não consta da proposta,demonstrando a pouca relevância dada a essa área do conhecimento .

2.Insiste-se nas equivocadas propostas de fim do vestibular.Bastam as cotas.O modelo atual é o mais adequado face à escassez de vagas hodiurna.Lembremos que o vestibular da UFRJ,assim como o da UNICAMP,ao contrário da maioria absoluta dos concursos públicos deste país,não privilegia a decoreba,uma vez que é interalmente discursivo.

3.Concentra todas as melhorias elencadas acima ao campus do Fundão.Um equívoco grave.

De qualquer forma,estes itens estão propostos para módulos que só deverão ser discutidos no ano que vem.Há tempo para modificá-los.Com estes elementos,justifico meu apoio e defendo a proposta encaminhada pelo reitor.

Um abraço!