domingo, setembro 23, 2007

BANDEJÃO A CAMINHO

ALINE DURÃES - OLHAR VIRTUAL

A construção do Restaurante Central, uma das principais reivindicações do movimento estudantil, parece estar cada vez mais próxima da realidade. Isso porque, na última quinta-feira (dia 13), o Conselho Universitário (Consuni) informou a aprovação de um convênio entre a UFRJ e o Banco do Brasil e o aporte de R$ 8 milhões para a complementação das obras do Bandejão.

A administração central da UFRJ optou por adotar uma estratégia de implantação modular do Restaurante Universitário. A primeira etapa, prevista para ser concluída em maio de 2008, contempla a construção do Refeitório Central, onde serão servidas, no horário de almoço em dias úteis, cerca de duas mil refeições.

Durante essa primeira fase, a Cozinha do Hospital Universitário, que, além de ter adquirido novos equipamentos e mobiliário, irá passar por modificações para melhor atender às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será a responsável pela produção das refeições consumidas no Bandejão.

A segunda etapa do projeto consiste na estruturação de uma cozinha própria e das instalações acadêmicas do Restaurante Universitário. Segundo os cálculos da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento (PR-3), já em dezembro de 2008, o Restaurante Central terá capacidade para produzir e distribuir quatro mil almoços diariamente, totalizando mais de 1 milhão de refeições anuais.

Localização e preço

O prédio do Bandejão está sendo construído ao lado da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD), em frente ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Cada refeição tem o valor estimado de R$ 8,00, mas parte dessa quantia será subsidiada. Deste modo, o preço cobrado por almoço será de R$ 2,00 para os estudantes e de R$ 6,00 para funcionários técnicos-administrativos e docentes.

Apesar de defenderem o acesso gratuito ao Restaurante Universitário, os estudantes não repudiam a cobrança pelas refeições. Consideram, entretanto, elevado o preço estipulado pela UFRJ: “Dois reais é um valor alto. Na UFF, por exemplo, cada refeição sai a R$ 0,70 para o aluno. O preço ideal deveria girar em torno de R$1”, destacou Rafael Nunes, discente do 8º período da Faculdade de Letras e ex-integrante do Diretório Central de Estudantes Mário Prata (DCE/UFRJ).

O diferencial do restaurante da UFRJ

Diferente dos bandejões das demais universidades, o refeitório da UFRJ não visará apenas ao fortalecimento das políticas de assistência estudantil. Ele concentrará ainda atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão. Além da cozinha central e do refeitório, o Bandejão será munido de um laboratório dietético, de uma cozinha experimental e de salas de aula.

Nádia de Carvalho, nutricionista integrante do Grupo de Trabalho de Implantação do Sistema de Alimentação da UFRJ, explica que essas instalações poderão ser utilizadas não só por graduandos do curso de Nutrição, mas também por pesquisadores e estudantes de outras áreas de conhecimento envolvidas na análise da relação entre o homem e o alimento.

O Restaurante Universitário, em consonância com a preocupação ambiental cada vez mais corrente na atualidade, dispõe de ações de coleta seletiva e de captação da água das chuvas. Projetos de responsabilidade social complementam as atividades do Bandejão. De acordo com Nádia, existe a idéia de um curso de Extensão voltado para a qualificação da mão-de-obra das populações do entorno da Ilha do Fundão nas várias profissões referentes à cozinha.

“Queremos contribuir para que essas pessoas busquem alternativas de inserção social. O nosso bandejão vai além da produção de refeições; ele implica produção de conhecimento. E poderá, portanto, servir de exemplo para outras universidades”, conclui Nádia Carvalho

sexta-feira, setembro 21, 2007

Conselho do CCJE debate o PRE e o REUNE

Na tarde de hoje,o nosso reitor compareceu à reunião extraordinária no conselho do CCJE afim de discutir o projeto de reestruturação e expansão da UFRJ .Na mesma reunião,seria deliberada uma posição do conselho sobre o documento*.

Curiosamente essa decisão seria tomada durante o período de vacância da representação discente.Felizmente,o longo debate provocado pelo polêmico conteúdo da proposta acabou adiando a votação para a próxima reunião quando as eleições para representante discente no conselho deverão ter terminado.

Na reunião,os diversos departamentos apresentaram seus posicionamentos,a maioria favorável ao projeto e à concentração dos cursos no Fundão.Somente a FACC e o IE posicionaram-se contra a transferência.Nenhum departamento defendeu a rejeição total do projeto e a renúncia à apresentação de qualquer projeto de reestruturação.


Mais próximos de um consenso foram apenas às críticas aos cursos de terminalidade breve.Pelo que me lembro apenas o professor Bessa posicionou-se de maneira favorável a uma graduação masi curta,desde que concentrada em áreas restritas do saber.

Apresentei as críticas postadas neste espaço,acrescentando o fato de que a integração e interdisciplinaridade deva ser feita:

1.Qualificando os campi em torno de áreas integradas do saber;

2.Coordenando essas áreas por meio de sistemas de transporte físico e de informação.

3.Por meio de mudanças na gestão e reestruturação pedagógico-curricular.

Apontei ainda que a posição do centro deveria centralizar-se em função do modelo acadêmico deliberado no CONSUNI,contemplando exclusivamente projetos de estruturação e expansão,mas que não necessariamente condicionem sua adesão à transferência para o campus do Fundão.

Demais,as discussões foram marcadas por discursos retóricos,passionais e maniqueístas,com alguns professores propondo que a descentralização geográfica é uma tendência positivista.

Com relação a esta afirmação,cumpre-me encerrar esta postagem afirmando que a proposta de integração territorial em função de áreas do saber é o oposto de qualquer ontologia.A centralização e a gestão funcionalista é que convergem com uma metodologia empirista-indutivista.

A proposta de transformação do campus da Praia Vermelha num centro de estudos voltados às ciências sociais aplicadas e humanas,integrando CFCH e CCJE.significa integrar áreas afins em torno de determinado objeto,que será difentemente compreendido em função da sua finalidade,inserindo essa proposta no modelo dos paradigmas de Thomaz Kuhn,que ,por sua vez,é derivado de conclusões hipotético-dedutivas,não positivistas.

A Universidade do Brasil precisa preparar a sociedade para a cidadania.E isso inclui relacionar sua produção com o trabalho.Pensar numa IFES divorciada das nossas demandas econômicas e concentrada na formação de futuros técnicos do aparelho burocrático do Estado,significa não apenas comprometer a nossa soberania,capacidade de realização humana,econômica e social.
Significa comprometer a nossa própria cidadania,no sentido mais amplo do termo.

*O documento proposto pelo Decano como posição do centro está arquivado no grupo de discussão do conselho do CCJE,cujo atalho encontra-se à esquerda

Vídeos: http://www.webtv.ufrj.br/?option=com_content&task=view&id=155&Itemid=98

terça-feira, setembro 18, 2007

DORNELLES: O DISCURSO QUE SALVOU RENAN

Senhor Presidente, Senhoras Senadoras e Senhores Senadores


O Senado vai se pronunciar, hoje, sobre matéria de grande relevância. O Senado não vai julgar hoje a pessoa de Renan Calheiros, suas simpatias, suas antipatias, suas alianças, sua atuação política.

O Senado vai julgar um Senador da República, que poderá ter o seu mandato cassado em decorrência de determinadas acusações. Em outras palavras, o Senado vai julgar se as acusações apresentadas contra um Senador da República têm consistência que justifique a cassação de seu mandato.

A acusação que figura no processo do Senador Renan Calheiros consiste na premissa de que os recursos que ele entregou à Jornalista Mônica Velloso, mãe de uma filha sua, eram fornecidos por uma empresa de serviços, por intermédio de um de seus empregados.

Então o que é que aconteceu? A empresa de serviços declarou que não fornecia nenhum recurso ao Senador Renan Calheiros. O empregado da empresa de serviços declarou que os recursos que levava à Jornalista Mônica Velloso pertenciam ao Senador e que ele, simplesmente, os levava à Jornalista porque era amigo comum de ambos. O Senador afirma que os recursos eram de sua propriedade. A Jornalista, em momento algum, questionou sobre a origem dos recursos.

Assim sendo, não há, até então, nenhuma prova de que os recursos entregues à Jornalista Mônica Velloso não pertenciam ao Senador Renan Calheiros.

Entretanto, o que entendeu o Conselho de Ética? O Conselho de Ética entendeu que o Senador Renan Calheiros não tinha renda nem patrimônio suficientes para fornecer à Jornalista Mônica Velloso os recursos que lhe eram entregues.

Senhoras Senadoras e Senhores Senadores

O Conselho de Ética entendeu, na prática, que o Senador cometeu crime contra a ordem tributária.

Mas acontece que um crime dessa natureza somente pode ser tipificado no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, conduzido pela Secretaria da Receita Federal, conforme tramitação prevista em legislação própria.

De acordo com essa legislação, abre-se o processo com uma intimação ao contribuinte para apresentar esclarecimentos. Se os esclarecimentos não forem satisfatórios, lavra-se um auto de infração para lançamento dos tributos cabíveis.

Lavrado o auto de infração, o contribuinte tem o direito de impugnar a exigência, em primeira instância, perante as Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Sendo-lhe adversa a decisão de primeira instância, o contribuinte poderá apresentar Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes e, eventualmente, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais.

Somente após a decisão desfavorável de segunda instância é que a exigência fiscal se torna definitiva. Em outras palavras, o lançamento fiscal só se conclui após esgotados os recursos próprios do contraditório e da ampla defesa.

Foi afirmado pelo Conselho de Ética que a Polícia Federal desacreditou documentos apresentados pelo Senador Renan Calheiros. Foi afirmado, também, que o Senador mentiu sobre sua capacidade patrimonial.

Senhoras Senadoras e Senhores Senadores

Essas informações e esses documentos deveriam ter sido enviados à autoridade competente, Secretaria da Receita Federal, para serem anexados ao Processo Administrativo Fiscal, examinados e apurados.

Senhoras Senadoras e Senhores Senadores

Vamos imaginar a seguinte situação. O Senado cassa o mandato de um Senador, com base no pressuposto de ter, ele, cometido crime contra a ordem tributária, sem abertura do competente Processo Administrativo Fiscal. Amanhã, a Secretaria da Receita Federal, órgão encarregado de apurar esse tipo de crime, no processo próprio, conclui que o Senador não cometeu crime contra a ordem tributária. Como ficaria o Senado?


Senhoras Senadoras e Senhores Senadores

O Senado, na decisão que hoje vai tomar, não pode se afastar da ordem jurídica, nem personalizar o assunto.

E qual o problema específico?

Cabe ao Senado decidir se existem provas de que os recursos entregues pelo Senador Renan Calheiros à Jornalista Mônica a ele não pertenciam. Nenhuma prova foi apresentada nesse sentido. A empresa de serviços afirmou que os recursos eram do Senador, o amigo comum do Senador e da Jornalista, funcionário da empresa, afirmou que os recursos eram do Senador Calheiros. O próprio Senador afirmou que os recursos eram dele, a Jornalista nada contestou.

Em que se baseou o Conselho de Ética para pedir a cassação do mandato do Senhor Renan Calheiros??? Baseou-se em que o Senador não teria patrimônio e renda suficientes para arcar com aquelas despesas.

Só que, quem pode dizer se o Senador Renan Calheiros tinha renda e patrimônio, se podia ou não arcar com as despesas realizadas, é a Secretaria da Receita Federal, através de um Processo Administrativo Fiscal, que nunca foi sequer aberto.

Como ficaria o Senado se, cassado o mandato do Senador Renan Calheiros com base em crime por ele cometido contra a ordem tributária, fosse ele amanhã absolvido pela Secretaria da Receita Federal?

Esses pontos, Senhores Senadores, é que têm que ser considerados num momento tão importante. Nós não podemos personalizar, não estamos julgando a figura do Senhor Renan Calheiros. Nós estamos julgando se existem provas concretas para cassação do mandato de um Senador eleito.

Acompanhem os debates sobre o PRE e o REUNE na UFRJ!

Coordenadoria de Comunicação da UFRJ
PRE/UFRJ - AGENDA DE DEBATES É AMPLIADA
COORDCOM/UFRJ

 Veja o vídeo desta matéria

Plano de Reestruturação e Expansão da UFRJ
tem agenda de debates ampliada

O Conselho Superior de Coordenação Executiva da UFRJ (CSCE), que, além dos integrantes da reitoria, reúne os Decanos dos Centros, ampliou hoje (05.09) o cronograma de debates sobre Programa de Reestruturação e Expansão – PRE – da UFRJ (2008-2012).

O calendário aprovado para as reuniões nos Centros se estende por cinco dias:

 Veja o vídeo sobre esta reunião
Dia 6 de setembro, às 9h – No Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas e no Centro de Filosofia e Ciências Humanas;
 Veja o vídeo sobre esta reunião
Dia 11 de setembro, às 13h – No Centro de Tecnologia;
Dia 12 de setembro, às 13h30 – No Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza;
Dia 14 de setembro,às 11h – No Centro de Letras e Artes.
Dia 17 de setembro, às 10 h – No Centro de Ciências da Saúde


Também foi ampliado o número de audiências públicas inicialmente previsto. Agora serão cinco encontros abertos, para a discussão ampla do PRE, concentrados na última semana de setembro. As novas datas serão divulgadas ainda nesta semana. As formulações e propostas contidas no PRE se orientam pela idéia de unir a universidade e levá-la às transformações que a contemporaneidade e a vida social do país demandam, renovando e fortalecendo os vínculos que a ligam à sociedade. A expansão e reestruturação da universidade deverá basear-se, conforme o PRE, na garantia de qualificação crescente e de renovação das atividades de ensino de graduação e de pós-graduação, da pesquisa e da extensão, bem como pela retomada do projeto original de implantação da UFRJ em seu campus da Ilha da Cidade Universitária.

Unificar a UFRJ, num único campus, é um projeto bastante antigo que volta à discussão nessa segunda gestão do professor Aloísio Teixeira. Segundo ele, – que, ao longo de seu primeiro mandato, já apontava a fragmentação como um fator impeditivo da atualização e do desenvolvimento da universidade – “mesmo em um mundo onde o conhecimento circula em redes virtuais e nos coloca instantaneamente em contato com tudo o que se passa no planeta, a convivência é indispensável para aproximar pessoas, eliminar barreiras e derrubar muros, criando a matéria-prima indispensável a uma verdadeira cultura universitária”.

Veja abaixo o calendário completo do PRE
(podendo sofrer alterações)

DIA

HORA

LOCAL

EVENTO

06/09

09

AUDITÓRIO ANÍSIO TEIXEIRA

DEBATE PRE-UFRJ – CFCH/CCJE

11/09

14

SALÃO NOBRE

DEBATE PRE-UFRJ – CT

12/09

13:30

SALÃO NOBRE

DEBATE PRE-UFRJ – CCMN

13/09

16

SALA DOS CONSELHOS

DISCUSSÃO PRE SINTUFRJ

14/09

11

SALÃO AZUL

DEBATE PRE-UFRJ - CLA

14/09

16

ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL

DEBATE PRE-UFRJ - ESS

17/09

10

AUDITÓRIO HÉLIO FRAGA

DEBATE PRE-UFRJ – CCS

18/09

18

SALÃO PEDRO CALMON

DISCUSSÃO PRE – CONSELHO DE CA’S

19/09

10:30

SALÃO NOBRE IFCS (2º ANDAR)

AUDIÊNCIA PÚBLICA CENTRO

19/09

16

SALA DOS CONSELHOS

DISCUSSÃO PRE – APG

21/09

09:30

SALA MUNIZ DE ARAGÃO

DISCUSSÃO PRE – ADUFRJ

24/09

18:30

SALÃO NOBRE FND

AUDIÊNCIA PÚBLICA CENTRO

25/09

10

EEFD

AUDIÊNCIA PÚBLICA CIDADE UNIVERSITÁRIA

26/09

10

AUDITÓRIO BLOCO A - CT

AUDIÊNCIA PÚBLICA CIDADE UNIVERSITÁRIA

28/09

10

SALÃO PEDRO CALMON

AUDIÊNCIA PÚBLICA PRAIA VERMELHA

01/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

03/10

09:30

SALA DOS CONSELHOS

CEG – DISCUSSÃO PRE

04/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

05/10

09:30

SALA DOS CONSELHOS

CEPG – DISCUSSÃO PRE

08/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

09/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

10/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

11/10



RESERVADO PARA MESA-REDONDA REITORES

18/10

09:30

SALA DOS CONSELHOS

CONSUNI – SESSÃO EXTRAORDINÁRIA


Veja outras matérias relacionadas a este assunto:
PRE/UFRJ - Agenda de debates é ampliada
CFCH debate plano de reestruturação da UFRJ

Veja outros vídeos sobre este assunto:
CFCH debate plano de reetruturação da UFRJ
 PRE/UFRJ - Agenda de debates é ampliada
 Debate sobre o PRE no CT

domingo, setembro 16, 2007

Semana do administrador retoma discussão sobre adesão ao REUNE

A semana do administrador terminou.No último dia de debates,os professores Zeca Carvalho,Saturnino Braga Filho,Ana carolina,Bessa e Sinval,coordenaram a mesa sobre o PRE,a proposta da reitoria para a adesão ao REUNE.Na platéia,Luís Eduardo Potsch e Alexis Cavechini também estiveram presentes.

Acho importante reforçar as reflexões que apresentei sobre o programa,começando pelo reforço da idéia de que o PRE está em disputa,não devendo ser encarado como definitivo,uma vez que o próprio reitor afirma essa posição no documento que o divulgou para a comunidade acadêmica.

Ficou claro nas exposições,principalmente a do professor Saturnino, os problemas decorrentes do fim do vestibular,acarretando num sistema de ingresso ainda mais competitivo,haja vista que os estudantes terão de ser aprovados no ENEM e depois adquirir CR condigno a sua promoção às etapas técnico-profissionalisantes e acadêmicas da graduação.

A meu ver,esse descompasso entre a oferta de vagas nos bacharelados interdisciplinares e nas etapas posteriores da graduação acarretará na instituição de um sistema de ensino que privilegiará a rivalidade e a obtenção de notas,contrapondo o que seria esperado de um modelo de ensino agregador,libertador e capaz de promover rupturas.

Outro ponto que provocou intensa discussão foi a transferência dos cursos para o Fundão. A professora Ana carolina apontou brilhantemente as fragilidades técnicas desta proposta,com a concentração da oferta de ensino em apenas um campus,o que contradiz o objetivo de expandir a UFRJ,e a crença desarrazoada de que a aproximação territorial é condição necessária à promoção da transdisciplinaridade,outro conceito que despertou muita polêmica.

Acredito que a UFRj deveria ocupar o Rio de Janeiro,expandindo-se por todas as regiões da cidade,ao invés de concentrar-se em apenas uma parte dela,como consta da proposta.A integração disciplinar pode ser alcançada através de mudanças na grade curricular e a oferta de ensino,pesquisa e extensão de maneira multi e transdisciplinar.A questão é gerencial e cultural,não territorial.

Entretanto,o grande equívoco da proposta(que não exclui alguns aspectos positivos) é político.

A reeleição do Aloísio Teixeira garantiu o consentimento da comunidade acadêmica para mudanças na estrutura universitária que devem sempre ser pensadas a partir de uma ética da responsabilidade,ou seja,um senso de proporção que permita pensar até que ponto a comunidade está disposta a se sacrificar por um projeto de reestruturação,por maiores que sejam seus benefícios finais.

Isso significa que a proposta precisa repensar estes pontos,de modo que seus benefícios sejam alcançados e os sacrifícios necessários à sua consecução sejam proporcionais àqueles que a comunidade acadêmica demonstra estar disposta a suportar.Não me parece que atransferência para o Fundão e esse demagógico fim do vestibuilar estejam incluídos entre eles.Já basta a reestruturação curricular e o fim da departamentalização.

Um grande abraço a todos!

terça-feira, setembro 04, 2007

Universidade necessária?

Acabo de ler o documento "A Universidade Necessária",apresentado para a comunidade acadêmica poder apreciá-lo e discutí-lo.

Levando em consideração seu conteúdo polêmico,estou cada vez mais convencido de que teremos mais motivos para discussão do que apreciação,de modo que recomendo a todos sua leitura,inclusive àqueles que almejam realizar uma pós-graduação scritu ou latu senso na UFRJ.

No documento estão contidas as metas de reestruturação e ampliação de vagas para a UFRJ,tendo como paradigma a problematização da universidade da pós-modernidade e seus horizontes para os próximos cinco anos.

É oportuno, no entanto, desdobrarmos epistemologicamente esta discussão.Para isso será necesssário questionar se e como a Universidade Federal do Rio de Janeiro pode contribuir ao nosso desenvolvimento econômico e social,num ambiente marcado pela apropriação cada vez mais acirrada do saber pela produção econômica,demandando melhor e mais inclusiva formação superior de modo a nos qualificar adequadamente e criticamente.

Em relatório publicado pelo BC e comentado no Valor econômico de 03 de setembro último, registra-se a queda do índice de produtividade relativa de nossos trabalhadores.Grande parte dele acarretado pela desigual e inadequada inovação tecnológica e investimento público e privado em educação e infra-estrutura.

Eis uma condição necessária para atingir o desenvolvimento apontado.

A outra é a universalização da cidadania.Com isso, evidencia-se o papel da Universidade pública em cada uma destas esferas.De sua reestruturação,espera-se,portanto, o alinhamento destes objetivos.

Muita calma nessa hora!