50º Congresso da UNE confirmado para 4 a 8 de julho, em Brasília
Do sítio virtual da UNE:
Data antes aprovada no Coneg foi modificada por causa das condições de estrutura da organização do CONUNE
De 4 a 8 de julho, estudantes de todo o Brasil têm encontro marcado no 50º Congresso Nacional da UNE, o CONUNE. A nova data do Congresso foi alterada por causa da necessidade de um maior tempo para a organização da estrutura do principal fórum de discussão e deliberação do movimento estudantil.
Após ser realizado por três anos consecutivos em Goiânia (GO), o encontro agora ganha uma nova casa: a capital federal. As principais atividades estarão concentradas na Universidade de Brasília (UnB) e outros locais que o EstudanteNet divulgará em breve.
O 50º CONUNE, por si só, já reserva muitas expectativas, pois é o momento em que os estudantes escolhem a nova diretoria para os próximos dois anos e definem os rumos da entidade. Esta edição, no entanto, traz duas novidades.
A principal delas é o novo
regimento, que mudou o processo de eleição para estudantes-delegados. Ao invés do processo ser feito por curso (como aconteceu nos congressos passados), agora é realizado por universidade, por meio de eleições em urnas. "Desta forma, a UNE democratiza e amplia a participação dos alunos no processo de escolha do seu representante", explica o presidente da entidade, Gustavo Petta.
Os delegados são estudantes eleitos nas universidades para representar os alunos de cada instituição de ensino nos debates e definição dos 50º Congresso. O novo formato do CONUNE foi discutido e aprovado no 11º Coneb (Conselho Nacional de Entidades de Base), em 2006, e regulamentado pela plenária do último Coneg (Conselho Nacional de Entidades Gerais), realizado no fim de março, no Rio de Janeiro.
70 anos em plena forma
A segunda novidade é a celebração de um momento histórico para os estudantes: os 70 anos da UNE, que serão completados somente em 11 de agosto, mas as comemorações vão se adiantar para o maior encontro estudantil do país. Haverá o lançamento de um selo comemorativo e homenagens a atuais e ex-lideranças do movimento estudantil.
O presidente da UNE, Gustavo Petta, prevê um evento grandioso, com debates, shows, atrações culturais e, claro, a saudável disputas de idéias, característica do movimento estudantil. Para ele, este é o principal momento de encontro entres jovens de todos os estados. "É quando o presidente do DCE de uma universidade no Acre, ao lado do representante do DA de um curso de Porto Alegre, poderá expor suas idéias dentro de um grupo de discussão amplo e representativo. Toda a rede do movimento estará reunida para definir os rumos da entidade que os representa e que está completando 70 anos de vida e de muita luta", disse.
Eleições já começaram
Mais de 300 Diretórios Centrais de Estudantes (DCEs), espalhados pelo Brasil, já realizaram o seu processo eleitoral para a escolha de chapas de delegados que vão representar a instituição no CONUNE. Uma Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e Organização (CNECO) foi constituída para organizar e sistematizar o processo. Composta de 40 estudantes que representam toda a pluralidade do movimento estudantil, a CNECO tem conduzido todo o processo. Desde o início de abril, os seus integrantes vêm realizando reuniões de trabalho diárias, na sede da UNE, em São Paulo.
Em caso de dúvidas sobre o processo eleitoral, o endereço eletrônico da CNECO é
50congresso.cneco@gmail.com. O estudantes pode também entrar em contato pelo telefone (11) 5572.1119.Da Redação
Saiba mais:
Acompahe o andamento dos processos de eleição de estudantes-delegados nas universidades
O FIM DA POLÍTICA
Não é ao fim da política que estamos assistindo, mas à sua recomposição democrática num plano superior.
FOLHA DE SÃO PAULO - São Paulo, domingo, 03 de setembro de 2006
TENDÊNCIAS/DEBATES
A TESE do "fim da política", ou da ditadura do economicismo sobre a vida pública, teve sua elaboração mais coerente no chamado Consenso de Washington, que pretendia extinguir a subjetividade política como momento de construção do mundo social.
A mesma tese volta agora em novas roupagens de direita e também tingidas por posições de "esquerda". O niilismo não sem dignidade de uma parte da intelectualidade do país constata que a política se tornou inútil ante o novo sistema global de poder financeiro, ao qual todos se renderão.
Outras mentes acadêmicas brilhantes constroem a tese de que "o voto não é o mais importante da democracia" pois estão desgostosas com a aceitação de Lula, porque o povo "despreparado" não concorda com seus elaborados argumentos.
O que preocupa em tais teses não é o que essa parte da intelectualidade recomenda como negação da política, mas o que poderia recomendar se avançasse com coerência.
Como é certo que as pessoas não desistirão de fazer política, de interferir na vida social, de tentar mudar as instituições ou melhorá-las, as receitas são previsíveis.
A conseqüência desse niilismo, decepcionado com a vida democrática, seria formar uma frente anti-Lula pelo voto nulo? Seria voltar-se para a "ação direta" extraparlamentar? Seria fazer um colégio eleitoral de colunistas mais honestos, dignos e "isentos" para eleger o presidente?
Na verdade, a crise de perspectivas de uma parte da velha esquerda é a mesma de uma parte da elite de direita, cujas recomendações para enterrar Lula não foram aceitas pelo povo.
A crise de perspectivas da esquerda vem do fato de que Lula é um "moderado", quando eles queriam que fosse um revolucionário proletário. E a crise de perspectivas da direita vem do fato de que, "lamentavelmente", o governo deu certo, melhorou a vida real dos brasileiros -e a maioria do povo não só entende mas também defende o seu presidente.
Certamente as objeções a Lula também se originam no fato de que, na cena política nacional (com a mesma volúpia de antes), apareceram erros graves e antigos. O quadro se agravou porque se tratava de um governo que tem compromissos com a luta contra a corrupção sistêmica. Nada foi encoberto. Todos os partidos foram alvejados -o que não era esperado pela elite tucano-pefelista, que comandou o país no tempo de FHC.
Esse processo, político e jurídico, desenterrou erros estrategicamente amplificados contra o PT, não só porque o PT havia criado o mito da sua pureza absoluta mas também porque era conveniente, para parte da oposição, degradar as relações políticas para tentar golpear o governo.
Na verdade, o PT será devedor, a médio prazo, por ter recebido tal vigor crítico, pois ele impulsiona o saneamento dos nossos vícios e a afirmação das nossas virtudes republicanas, que, de resto, qualquer partido democrático guarda, em maior ou menor grau, dentro de si. As dificuldades para operar as mudanças que combinassem os interesses empresariais privados com políticas distributivas de certo alcance social e a situação pré-falimentar do país no fim do governo Fernando Henrique -atado ao FMI com a combinação de juros altos e inflação alta- levaram muitos à total impaciência. O desfecho desse desencanto, nas suas diversas variantes, rapidamente se transformou em ódio de classe contra Lula e o PT. Até com ataques pessoais, como se viu em ameaças de agressão física ao presidente. A "grande política", no Brasil, não está no seu fim, mas no seu começo. As instituições estão funcionando regularmente, o lixo da corrupção sistêmica está sendo retirado de baixo do tapete, as eleições jogarão o país para um novo patamar democrático e já há consenso da necessidade de uma ampla reforma política, seja quem for o eleito em outubro.
Portanto, não é o fim da política que estamos presenciando, mas o seu recomeço. Insisto, não é ao fim da política que estamos assistindo, mas à sua recomposição democrática num plano superior. Neste, aqueles que não votavam em Lula porque identificavam nele um igual a si (incapaz), agora votam em Lula porque o julgam um igual a si (muito capaz). Só isso já bastaria para justificar sua reeleição.
TARSO FERNANDO HERZ GENRO, 59, advogado, é ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Foi ministro da Educação (2004-2005), ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (2003-2004) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-96 e 2001-02). É autor de "Utopia Possível" (Artes e Ofícios), entre outros livros.
Estudantes que ocuparam a reitoria a avaliam como vitoriosa.
Fonte: Jornal do Adufrj
Ocupação de 24 horas termina vitoriosa
Estudantes conseguem que reitoria adie para o segundo semestre decisão sobre o Reuni na UFRJ
Em uma audiência pública, na tarde da última sexta-feira, o movimento estudantil da UFRJ, liderado por alguns centros acadêmicos e por representantes da Conlute e da Oposição à UNE organizados na Frente de Luta contra a Reforma Universitária, conseguiu o compromisso da reitoria de não haver votação sobre o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) antes que sejam realizados debates oficiais com a participação de toda a comunidade. Esses eventos devem acontecer até o segundo semestre.
Depois de 24 horas acampados no hall da reitoria, ao lado da sala do Conselho Universitário, os 150 estudantes ocupados realizaram sua última assembléia por volta das 18h e deixaram claro que a resposta da administração foi uma vitória do movimento estudantil autônomo na luta contra a reforma universitária do governo Lula.
Participaram da audiência com o movimento de ocupação o chefe de gabinete da reitoria, João Eduardo, o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Carlos Levi; o pró-reitor de Graduação, José Roberto Meyer; o prefeito da Cidade Universitária, Hélio de Mattos; e o superintendente geral de Administração e Finanças, Milton Flôres. Em nome dos estudantes ocupados, Bernardo Lima, do curso de História, deixou claro que a manifestação foi um repúdio ao Reuni, mas que o movimento estudantil entende que a comunidade universitária deveria ter a chance de participar de amplos debates, garantidos pela própria reitoria, para que fosse esclarecida das conseqüências da reforma imposta pelo governo por decreto. “Também não defendemos a universidade como está, muito menos como os conservadores que a querem para poucos. Também não é proposta do movimento estudantil impor a não adesão ao Reuni sem discussão. Por isso a proposta do ciclo de debates”.
Reitoria aceita adiar decisão sobre Reuni
Em nome da reitoria, Carlos Levi disse que se sentia satisfeito com a proposta e que um ciclo de debates sobre o Reuni estimularia a UFRJ no sentido de um caminho mais avançado. Levi lembrou os vários projetos de reestruturação curricular que estão sendo formulados e debatidos em diversas unidades e Centros. “Com esse ciclo de debates, poderemos também analisar quais e tais projetos podem ser implementados”. Apesar de ter concordado com uma certa desvin-culação do debate sobre as reformulações acadêmicas na UFRJ do programa do governo, o pró-reitor não deixou de aplaudir o decreto e a possibilidade de a universidade extrair mais verbas para os seus projetos a partir da sua adequação ao Reuni. “Não tenho dúvidas de que vários objetivos contidos no decreto são unanimidade para a comunidade, que estamos com modelos falidos e que precisam ser reformulados”, afirmou.
A expectativa da reitoria é que os debates com a comunidade, acompanhados pelos representantes do movimento estudantil, aconteçam até setembro, quando, segundo Levi, ainda haveria prazo para a universidade encaminhar demandas de projetos ligados ao Reuni para constarem do orçamento de 2008.
Outras reivindicações da ocupação
Durante a audiência, o movimento estudantil ainda garantiu outros pontos de sua pauta de reivindicações. Uma diz respeito ao bandejão. Depois de o professor Levi repetir por horas sobre as dificuldades de aquisição de recursos para a construção do edifício do restaurante universitário e de problemas operacionais para o cum-primento de prazos para a finalização das obras, o pró-reitor se comprometeu em constituir uma comissão formada por ele e os representantes dos alunos, que se reuniria mensalmente para avaliar o andamento dos trabalhos e o início do funcionamento do restaurante. Os alunos aproveitaram para cobrar da reitoria outras restaurantes nos campi da Praia Vermelha e IFCS.
Mais linhas de transporte gratuito da universidade e maior oferta de linhas de empresas particulares fazendo o trajeto Fundão-Centro-Praia Vermelha também foram reivindicadas. Os representantes da reitoria prometeram uma audiência pública para o dia 5 de julho, quando toda a comunidade poderá participar, com a reitoria e representantes da Secretaria de Transportes do município, do debate sobre a licitação de novas linhas para o Fundão.
Quanto à cobrança do atraso de pagamento nas bolsas estudantis e por uma aplicação da política de bolsas, a reitoria jogou a culpa na falta de recursos no orçamento do MEC, gerido pelo Ministério do Planejamento, destinado às federais e disse que dos R$ 101 milhões que a UFRJ recebe, 13% a 14% são destinados a bolsas estudantis. O pró-reitor de Graduação, José Roberto Meyer, reconheceu que, na ausência de recursos passados pelo MPOG, são privilegiadas, numa escolha política, as bolsas de assistência estudantil, em detrimento das bolsas de monitoria ou de iniciação artística e cultural, por exemplo.
Ocupação começa no Consuni do dia 14
Embora não estivesse previsto, Reuni acabou sendo discutido no colegiado
Antes de iniciarem a ocupação do hall da reitoria, os estudantes tomaram conta, na quinta-feira, dia 14, da sala de reuniões onde acontecia o Conselho Universitário. O objetivo foi cobrar dos conselheiros um cronograma adequado para discussão do Reuni, um programa do governo que promete um aporte de até 20% no orçamento das federais desde que estas cumpram as metas estabelecidas no decreto governamental. Para os estudantes, o decreto do MEC estaria sendo aceito de forma apressada e acrítica pela UFRJ.
Embora não estivesse inicialmente previsto na pauta, o tema foi incorporado à sessão, que se estendeu até o princípio da tarde. Ao seu final, porém, em função do adiantado da hora, já não havia mais quorum suficiente para deliberar a proposta de um novo calendário a respeito do Reuni. O pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento, Carlos Levi, que conduziu o Consuni nas ausências do reitor Aloisio Teixeira e da vice-reitora Sylvia Vargas, prometeu, no entanto, que o assunto voltaria à pauta do próximo conselho.
Pós-graduandos manifestam-se contra o Reuni
Ainda no início da sessão, a conselheira discente Renata Anomal leu uma carta da Associação de Pós-graduandos (APG) da UFRJ com críticas ao Reuni e à criação do banco de professores-equivalentes. Para a associação, as metas cobradas pelo MEC não são possíveis num cenário de restrição orçamentária, que não será alterado apenas com a promessa de alguns recursos pelo decreto do Reuni. Além disso, o modelo econômico do país e suas desastrosas conseqüências para o ensino superior público também foram criticados pelos estudantes, que ainda cobraram a ampliação do debate sobre o programa governamental no interior da UFRJ.
Adufrj-SSind critica decreto
Diretora da Adufrj-SSind, Vera Salim manifestou sua indignação com os rumos da educação pública do país. Segundo ela, o projeto do Reuni, que retira autonomia das universidades, tem suas origens nos documentos do Banco Mundial para educação nos chamados países periféricos: “Para o Banco Mundial, o Terceiro Mundo não precisa ser produtor de conhecimento, mas simplesmente formar assimiladores de conhecimento”, comentou.
Vera fez referência especial aos chamados bacharelados ditos interdisciplinares: “Quando criamos um bacharelado generalista, para daí pinçar os que vão seguir o bacharelado específico, não estamos abrindo a universidade para a classe trabalhadora ou para os pobres, mas aqui dentro instituímos as normas do Banco Mundial. Não podemos deixar que essa universidade se curve”, criticou.
Solicitou que a discussão do Reuni fosse feita de forma democrática: “Estamos aqui defendendo o que temos de mais nobre: a Educação pública como forma de construção de um país mais igualitário, que não vai se curvar a decretos ou a pragmatismos”, completou.
Estudantes contra o Reuni
Já com o local tomado pelos estudantes, um dos porta-vozes do movimento, Bernardo Lima, informou que se tratava de uma manifestação decidia no comitê UFRJ de luta contra a reforma universitária. “Mobilização que quer discutir o futuro da universidade. Por isso, vimos cobrar um posicionamento deste colegiado. Somos contrários ao Reuni que atinge a autonomia universitária. Educação não se constrói por decreto”, afirmou.
Com a inclusão do ponto na pauta, alguns conselheiros, como o professor Carlos Vainer (do CCJE), também manifestaram seu descontentamento com o Reuni e a satisfação com a movimentação estudantil: “Em primeiro lugar, sou favorável à invasão da USP. Odeio jovem que fica parado. Fico muito satisfeito que vocês estejam aqui para discutir. Sou contrário à política educacional desse governo, comprometido com a privatização do ensino público, tal como dito nos documentos do Banco Mundial. Portanto, sou contrário ao Reuni e contrário ao PDE”, ressaltou.
No entanto, Vainer acredita que o decreto do governo pode ser uma oportunidade para iniciativas que sejam reivindicações antigas da comunidade acadêmica, como a criação de cursos noturnos: “Faço parte da comissão do PDE. E lá defendo que nós só encaminhemos ao MEC propostas consolidadas na comunidade. Projetos oportunistas não devem merecer o crivo da universidade. Agora, isso não esgota a discussão do nosso projeto de universidade”, encerrou.
O professor Rui Cerqueira (do CCS) comentou o orgulho de ter participado da resistência da UFRJ a várias propostas ruins de governos para a universidade pública. E, para ele, esse projeto todo é muito ruim: “As coisas estão sendo feitas de afogadilho. Precisamos ter paciência para discutir isso”, comentou.
Apresentação pública de propostas para Reuni
Antes da ocupação estudantil, a decana Ângela Rocha (CCMN) e presidente da comissão instituída para analisar o Plano de Desen-volvimento da Educação (PDE), do qual o Reuni faz parte, convidou todos a assistirem às audiências públicas com propostas das unidades da UFRJ para o Reuni, no próprio salão do Consuni, de 18 a 21 de junho, sempre às 13h30.
Decano garante permanência dos centros acadêmicos
Em alguns discursos de estudantes e em faixas e cartazes, havia uma reivindicação para que os centros acadêmicos localizados em uma área considerada nobre do CCS, próximos à principal entrada do prédio, não fossem transferidos. Isso porque corria um boato de que as salas dos alunos seriam transferidas para o subsolo do Centro, enquanto seus antigos espaços seriam aproveitados para a construção de agências bancárias.
O decano do CCS, Almir Fraga, ao final da sessão, conversou com a reportagem da Adufrj e garantiu que o desejo dos estudantes será respeitado. O professor explicou que, de fato, chegou a existir uma sondagem, primeiro do Banco Real, depois do Banco do Brasil, neste sentido. Em troca, as agências financiariam melhorias nas futuras instalações do subsolo. “Mas se os alunos querem ficar, vão ficar”, afirmou.
CONUNE será na UNB
As eleições dos delegados para o CONUNE,encontro nacional que irá escolher a nova diretoria da UNE terminaram na terça-feira.A chapa 1 conquistou 35% dos votos,equivalendo a 12 delegados.A chapa 3 conseguiu 11 delegados e a chapa 2, 8.
Foi a primeira vez que este tipo de eleição ocorreu na UFRJ e ,em que pese a campanha não ter sido a que eu esperava,marcada por debates e discussões sobre as perspectivas da UNE e do movimento estudantil,serviu para comprovar o progresso em relação ao método anterior,onde escolhiam-se os delegados através dos Centros Acadêmicos numa deliberação que era marcada,na maioria dos casos, pela ausência de participação discente .Tratava-se de uma dicricionaridade alienada e alienante.
Serviu também para dissipar minhas dúvidas em relação às eleições livres.Durante o último CONEB da UNE,quando votei por elas,confesso que ainda estava reticente em relação a sua viabilidade e adequação. Quanto a primeira,percebi que não demandaria esforços diferentes do que esse processo de escolha de delegados exigiu.Referindo-me a segunda,imagino que estar-se-ia decidindo pelas teses de cada chapa,num processo certamente mais transparente,participativo e soberano.
Mesmo com essas eleições ,as teses que as chapas defendiam não foram expostas e,com isso,não puderam ser problematizadas e questionadas.E isso porque,além de tudo, ocorreram aglutinações de chapas concorrentes quanto à direção da UNE em torno de uma chapa comum.Este foi o caso,por exemplo, da chapa 1.Em outras postagens aprofundarei este assunto.
Por ora,gostaria de expor que a eleição livre é a única alternativa capaz de permitir a formação de uma diretoria de fato democrática,resultante de uma votação consciente,republicana e convergente ao envolvimento que os estudantes precisam obter; a fim de que alcancem a potência necessária para defender seus interesses e ânceios nas discussões e deliberações das políticas públicas para a juventude e a educação,tanto no que concerne às esferas deliberativas Universitárias quanto nas do Estado( a secretaria nacional da juventude é um bom exemplo de uma delas),quanto nos grandes debates contemporâneos que ocorrem formal e informalmente em nossa sociedade.
Um grande abraço a todos!
A dispersão das ideologias
São Paulo, domingo, 14 de janeiro de 2007
FOLHA DE SÃO PAULO
TENDÊNCIAS/DEBATES
A dispersão entre os valores políticos da esquerda e da direita não significa que eles se integraram, mas que as posições não se renovaram
-------------------------------------------------------------------------------- ------------------------------------------------------------------------
UMA CONSEQÜÊNCIA pouco discutida da crise do "Estado de bem-estar", da superação em curso do modelo produtivo taylorista-fordista e das experiências socialistas do Leste Europeu é o fenômeno da dispersão ideológica. Dispersão e confusão que ocorrem tanto na esquerda como na direita.
Dispersão que chegou a dar sustento à tese de que ambas as posições tinham desaparecido, supostamente comprovando a assertiva do fim das ideologias, mitificação liquidada por Norberto Bobbio no seu pequeno e já clássico volume "Direita e Esquerda".
Na verdade, essa dispersão é fruto de um vazio de respostas. É reflexo da mudança na estrutura de classes do capitalismo global, da emergência do conhecimento e da "financeirização" do capital como fundamentos de um novo processo de acumulação. É fruto da fragmentação da classe operária industrial e da ampliação da "exclusão social". É resultado, também, em termos globais, do envelhecimento da resistência às "reformas" regressivas, em termos de conquistas sociais. Essa resistência não veio acompanhada de respostas ideológicas e programáticas, à esquerda ou à direita, capazes de conquistar maiorias estáveis.
A velha direita afirma sua defesa de um Estado nacional forte, e seu vezo hiperautoritário carimba os movimentos sociais como fruto de uma ideologia do "atraso". Esgrime -seja em relação aos imigrantes ou aos pobres- a acusação de conspiração contra a ordem e, com isso, deprecia a democracia "real", o Estado de Direito, identificando-o com o "mundo corrupto da política".
A velha esquerda fundamentalista mantém-se -de diversas formas e em variados graus- defensora de um suposto reinício da história, que seria aberto pela destruição do Estado atual e sua conseqüente refundação revolucionária.
A direita, em diferentes graus, sofre a resistência da consagração -neste período histórico- da democracia política, acolhida, por diversos motivos, por uma amplíssima base social.
A esquerda "proletária" chama para a aridez de uma revolução sem sujeito, já que o mundo do trabalho está disperso em dezenas de frações com interesses paralelos. São desejos às vezes até opostos, divergentes, com subjetividades pouco dispostas à radicalização social, pois os exércitos excluídos, na informalidade e no crime, são fonte de temor para a sua sobrevivência duramente conquistada.
Esses pólos "extremos" não conseguiram despertar movimentos fortes, como fizeram o fascismo e o velho comunismo soviético ou as direitas populistas e a social-democracia.
Restou a atual interpenetração de posições, que gera alinhamentos estranhos: às vezes aparecem como aliadas, no cenário político, lideranças conservadoras e posições classicamente denominadas como de "extrema esquerda" ou ocorrem votações, nos Parlamentos regionais e nacional, que não raro unem direita liberal e posições de esquerda.
Outra proximidade é o uso indistinto do moralismo udenista pela direita conservadora e pela esquerda considerada "extremista". A primeira o faz para desmoralizar os políticos quando não é ela que está no governo, pois a rejeição à política atrai o voto alienado para a oposição. A segunda, porque se considera redentora messiânica da moral pública, que só existirá -ditada pelo seu partido- fora dos quadros da "democracia burguesa".
Essa dispersão-confusão entre os valores políticos da esquerda e da direita não significa que eles se integraram, mas indica que -no momento em que o mundo da segunda Revolução Industrial ainda não morreu e o novo mundo global da "sociedade da informática" ainda não amadureceu- as posições ainda não se renovaram para demarcar os seus opostos.
Provisoriamente, nós -da esquerda- devemos ter claro que é preciso avançar, com uma paciência que não dispensa a ousadia, nas políticas de inclusão massiva das pessoas na nova sociedade de classes em formação.
Inclusão jurídica, política e econômica para que elas vejam o mundo de dentro de uma nova cultura e de uma nova vida moral, para que a utopia da esquerda possa se apresentar de novo como portadora do progresso humanizado e da esperança de igualdade.
--------------------------------------------------------------------------------
TARSO FERNANDO HERZ GENRO , 59, advogado, é ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Foi ministro da Educação (2004-2005), ministro da Secretaria Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (2003-2004) e prefeito de Porto Alegre pelo PT (1993-96 e 2001-02). É autor de "Utopia Possível" (Artes e Ofícios), entre outros livros.
» estabilishment e Outsiders: reflexões sobre dominação e exclusão
Iniciamos uma abordagem que vai de encontro a um conceito intensamente refletido e ainda assim inesgotado: O da dominação e a exclusão.
O que pode fazer uma minoria deter privilégios sociais, de oportunidade e ascenção social?
Disparidades estritamente marcadas pela dificuldade de acesso de outros grupos ao ensino superior,às boas oportunidades de colocação profissional,e, mesmo quando empregados, à meios para se livrar da dependência do mercado e dos proprietários dos meios de produção. Teriam estes apontamentos ligação com o fato do Brasil estar entre os países mais empreendedores do mundo e ao mesmo tempo com o maior índice de falências, miseráveis e marginais em suas grandes e médias cidades?De termos a segunda pior desigualdade do mundo e ainda assim termos uma populis extremamente conservadora?
O entendimento destes fatos demanda uma análise social,assim como de alguns estudos e publicações.Aprofundaremos-na observando eventos e práticas sociais,aqui entendidos como ritos de inversão.Serão eles o carnaval e a convivência na praia.
A dominação consiste na dialética entre um grupo mais coeso, que o faz para se defender de outro que considera ameaçador.Trata-se de uma postura motivada pela manutenção de uma posição privilegiosa.Seja a mesma social,financeira,política, ou qualquer outra.Algumas de suas estratégias para o mesmo é a estigmatização, percebida nas ruas a partir de inumeras colocações como àquelas que afirmam: “Mesmo ganhando na loteria,não seríamos parte deles”, “é preciso ter geito de rico”,”povo gosta de carnaval”, “pobre é igual a uma doença”, e “o pobre sente prazer em trabalhar pro rico”.
Acrescente-se à isso o alienado político,ou mesmo o cidadão apolítico: conservador na medida em que mantém as coisas como estão.
Gostaria de destacar,a princípio,a evitação. Observada com bastante clareza a partir da relação “iguais mas distantes” e “juntos mas diferentes" em pesquisa do brilhante antropólogo Roberto da Mata,autor de Carnavais,malandros e heróis.
No Brasil, trabalharíamos com o segundo conceito na medida em que nossa estrutura horizontal e patriarcal criaria uma “regra de ouro” , como também aponta,com semelhante maestria, Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil,em que nossa lei e suas obrigações sociais universais seriam para os iguais nunca para os desiguais: “Aos amigos tudo,aos inimigos à lei” ,atestam os parvos e marginais de nossa sociedade.Demonstração de que,dentro de uma cultura formalmente igualitária principalmente no discurso,no interior dos grupos fechados e estabelecidos prevalece valores e regras próprias como afinidade e pertencimento.
A coesão dos estabelecidos se faz pelo “condicionamento implícito”(GALBRAITH,J.K.,Anatomia do poder), do domínio de nossa comunicação de massa,do poder político,da aliança militar e econômica com o stabilishment estadunidense e de primeiro mundo. Fator que explica a sua difícil percepção,comprovando assim sua internalização em nosso inconsciente coletivo.
Alguns ritos de nossa sociedade servem para reforçar ou mesmo denunciar essa imobilidade.No carnaval, a percebemos através da inversão, processo onde “é colocado um papel (ou posição social ) e inibido os outros na tentativa de resolver uma situação ambígua” cujo “objetivo é a separação dos elementos,categorias e regras que estão por um momento confundidas”já que “são experimentadas novas avenidas de relacionamento social que,cotidianamente jazem adormecidas ou são colocadas como utopias”( DaMATA,cit).
Percebemos que “as escolas de samba são um modo de dialogar com as estruturas de relações sociais vigentes na sociedade brasileira”, colocando “em foco, em close-up, elementos de uma relação” reconhecendo que “o mundo social é, antes de mais nada,humano e portanto dotado de múltiplas determinações”.
Encontramos também, em parte por esses apontamentos,mas também pelas inumeras reflexões hodiurnamente presentes em nossos debates, a compreensão da urgência e necessidade da resolução de tais desencontros,de modo a corroborar ao desenvolvimento de nosso país,função social importante da qual nós,administradores,não podemos nos abster.
É oportuna a discussão a respeito da manifestação dessa realidade em nossas organizações.Em seus processos de seleção e ritos internos.Estar-se-ia adotando, nos mesmos, critérios sócio-economicos implícitos? Seriam os mesmos produtivos e bons para a empresa, a sociedade e o profissional?Estaríamos em verdade nos defendendo e impedindo o acesso de profissionais mais qualificados ao adotarmos posturas nepotistas e privilegiosas?
Essa pergunta deve ser respondida todos os dias.Por todos aqueles que assumiram a responsabilidade de trabalhar pela sobrevivência e competitividade daqueles que amamos.Por todos nós que escolhemos ou fomos escolhidos pela administração .
Um abraço a todos!

Felipe
feliperpinto@yahoo.com.br
Estudante de administração na UFRJ,representante discente no conselho do CCJE/UFRJ,ex-representante de vendas por 3 anos na Mar&arte Playground cuja experiência serviu como estímulo à sua opção de carreira.
Ocupação na UFRJ terminou na sexta
Enquanto na UFRJ se ocupa por interesses partidários,em São Paulo,a vitoriosa e consequente ocupação da USP termina hoje,após resistir a tentativa de cerceamento da sua autonomia,à criminalização do movimento estudantil e ainda conquistar importantes avanços para a equidade discente :
"A ocupação da reitoria da USP deve chegar ao fim nesta sexta-feira. Os estudantes tomaram a decisão na noite desta quinta-feira. A assembléia que aconteceu na reitoria ocupada reuniu cerca de 300 estudantes (
clique aqui para ver o vídeo).
A reitora da USP Suely Vilela cedeu e aceitou as reivindicações do estudantes. A assembléia dos estudantes já tinha começado quando eles receberam uma proposta da reitora. Suely Vilela se comprometeu a atender todos os pontos de reivindicação do movimento.
A reitora prometeu que não haverá punição aos invasores, se comprometeu a construir 334 novas vagas de moradias, das quais 198 seriam apenas no Butantã, além de investir R$ 500 mil para reformar as demais. Mas a proposta da reitora da USP só vale se os estudantes desocuparem o prédio da reitoria até As quatro horas da tarde desta sexta-feira. A maioria dos estudantes aprovou a proposta. No entanto, eles decidiram que só vão deixar o prédio se os funcionários também votarem pela desocupação. Os funcionários também receberam uma proposta da reitora da USP, Suely Vilela.
Mas eles só vão decidir se desocupam ou não o prédio da reitoria em uma assembléia marcada para esta sexta-feira.
“Nós vamos decidir o que fazer na assembléia. Foi uma iniciativa muito louvável dos professores de tirar essa posição imóvel da reitora de negociar com o movimento”, disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Magno Carvalho. O documento com a proposta da reitoria foi elaborado com a participação de um grupo de professores voluntários e teve como base a carta de reivindicação dos alunos. Os próprios professores foram à assembléia dos estudantes levar a proposta.
Leia também:
Clique aqui para ler o Blog da Ocupação da Reitoria da USP"
Paulo Henrique Amorim
MANIFESTO DOS ESTUDANTES OCUPADOS NA REITORIA DA UFRJ
Não é de hoje que a educação pública vem sendo sucateada no país. A partir da década de 90, os sucessivos cortes de verba têm precarizado cada vez mais as suas condições de ensino. O governo Lula, ao contrário do que muitos esperavam, vem aprofundando os ataques à educação desde o início do seu primeiro mandato. O projeto de Reforma Universitária encaminhado – e em grande parte já aprovado via medidas provisórias – se choca com a concepção de universidade pública, gratuita, de qualidade e com autonomia para produção de conhecimento crítico voltado para a redução das desigualdades sociais. Ou seja, é um projeto que privilegia a expansão do ensino privado em detrimento do ensino público.
Para coroar este processo anti-democrático o governo assinou em final de abril deste ano o decreto-lei do REUNI. Passando por cima do princípio da autonomia universitária, o governo institui a criação de cursos de três anos (bacharel em ciências da matemática e da natureza, bacharel em humanidades e etc.), contratação precarizada de professores e a instituição de uma variante da odiada aprovação automática que obriga as universidades a aprovarem pelo menos 90% de seus alunos ou perderem suas verbas. Isso tudo com o aumento de apenas 20% das verbas já destinadas às universidades. Só depois de completar estes bacharelados genéricos os alunos entrarão de fato em um curso de graduação, mas sua escolha estará condicionada ao seu desempenho nesta fase preliminar.
Na UFRJ, a implementação deste projeto tem sido feita a toque de caixa, sem qualquer debate com a comunidade acadêmica – alunos, professores e funcionários. Por conta disso, os estudantes da UFRJ realizaram um ato no Conselho Universitário, exigindo um amplo processo de discussão no próximo semestre. Diante do descaso do conselho em relação às exigências dos alunos, foi decidido em assembléia a ocupação da Reitoria.
Reivindicamos:
- Não ao REUNI! Por um amplo processo de discussão no próximo semestre.
- Pela conclusão das obras do Bandejão do Fundão! Por bandejões em todos os campi.
- Reforma e ampliação do alojamento estudantil da UFRJ.
- Pela expansão e reajuste das bolsas estudantis.
- Transporte interno mais freqüente e entre os campi.
- Pela paridade nos órgão colegiados.
- Todo apoio à greve dos servidores e às ocupações estudantis em defesa da universidade pública!
- Pela manutenção dos espaços dos Centros Acadêmicos do Centro de Ciências da Saúde.
- Reforma e ampliação das Bibliotecas!
- Contra a Reforma Universitária! Por uma universidade pública, gratuita e de qualidade!
Por tudo isso, nós, estudantes ocupados, exigimos uma audiência pública com o Reitor Aloísio Teixeira. Convocamos todos os estudantes, professores e técnicos-administrativos a se unirem a nós em defesa da educação pública.
Do Universidade Nova
Em primeiro lugar ,é preciso esclarecer que se trata de um modelo de GESTÃO UNIVERSITÁRIA.Logo, não é um projeto do governo Lula e muito menos do FMI/BANCO MUNDIAL.É resultado de um movimento inciado na UFBA e que têm sido muito bem recebido pelo nosso reitor e pelo nosso Decano.
Quais as reestruturações propotas e o que elas significam ? Tentarei demonstrar analisando criticamente seus 4 principais pontos,e destacando aqueles que considero importantes avanços no sentido de capacitar nossas IES às contribuições sociais que dela demandamos(desenvolvimento do país,inovação tecnológica,produção de conhecimento voltado ao exercício pleno da cidadania, redução das desigualdades,problematização das questões que nos causam angústia e sofrimento,etc.).
1. O fim do vestibular :
Propõe-se substituí-lo pelo ENEM,considerado menos "desumano".
Discordo dessa avaliação e acredito que o fim do vestibular ,hoje,é uma utopia ou,talvez,uma demagogia. O que vai acontecer na verdade é que a concorrência pelas vagas será nacional,condicionadas pala pontuação obtida no exame.Nem preciso dizer por que esse modelo beneficiará os estudantes de maior poder aquisitivo.Basta para isso pensar na qualidade das nossas escolas públicas e até mesmo da maioria das escolas particulares acessíveis às classes de renda mais baixas;e pensar em quais estudantes terão condições para se deslocar entre nossos estados para estudar na IES que for aprovado.
2.Bacharelados interdisciplinares
São bons porque permitem a multidisciplinaridade,o amadurecimento da escolha da área acadêmico-profissional de especialização discente e a produção e difusão de conhecimentos básicos e necessários para um eficaz exercício da cidadania.
3. Formação técnico-profissional:
Serão mais curtas e flexíveis,permitindo a formação em várias áreas do conhecimento.Além disso,mantém-se baseadas no tripé ensino-pesquisa-extensão,através de pesquisas aplicadas,ou seja,que se propõe a suprir demandas sociais de curto prazo.
4.Formação acadêmica:
Associa pesquisas em que não se vislumbram aplicações no curto prazo.Buscar-se-á problematizações mais complexas e críticas epistemológicas ainda em seus estágios iniciais.Sugerem desdobramentos práticos a serem concretizados no longo prazo.Está associada à elaboração de uma tese de mestrado e ao saber didático-pedagógico.
Lembrando: No modelo proposto pelo FMI/BANCO MUNDIAL ,obviamente,é recomendada a adoção do modelo de educação estadunidense,onde existem:
1. Universidades de vanguarda pagas,muito caras,que oferecem bolsas a estudantes pobres e geniais.
2.Colleges comunitários públicos,que simplesmente reproduzem o conhecimento elaborado nas primeiras,destinando-se às comunidades e guetos formados pelos
outsiders.ConclusãoIdentificar semelhanças nesses dois modelos só pode ser :
1. Delírio
2.Interesses ideológico-partidários
3.Desconhecimento da proposta
Do REUNE
O homem nasce escravo e se torna livre através da educação. É também a educação que permite nossa soberania e nosso desenvolvimento econômico e social.No campo econômico é dela que se originam as inovações tecnológicas que vão se desdobrar em melhores produtos,serviços e condições de trabalho.É a educação que garante a soberania de um país.
O REUNE não fere a autonomia Universitária. Esta nunca deve ser confundida com independência.Tudo está interligado em sistemas estruturantes de relações de causalidades mútuas.A autonomia Universitária,garantida CONSTITUCIONALMENTE e,portanto,sujeita ao controle do STJ,é didático-pedagógica,orçamentária e administrativa. Totalmente diferente foram as atitudes do governador de São Paulo José Serra.Elas realmente feriram a autonomia Universitária.
O REUNE consiste na proposição de metas para as IES que,caso concordem,contarão com os recursos necessários para que sejam atingidas. Parte da certeza de que os seus problemas não são apenas oriundos de verba insuficiente ,mas também de problemas em sua gestão.Aliás,este tema foi exposto pela minha chapa durante nossa campanha para o conselho.Nosso suplente Marcelo sensibilizou-se com este desafio muito antes dessa discussão ter-se iniciado na UFRJ. Podemos nos considerar prioneiros nesse debate dentro do movimento estudantil na UFRJ.
Diante do exposto,para decidir pelo alinhamento ao programa,cabe à UFRJ avaliar a relevância das metas propostas:
1. Redução da evasão escolar.A relação ingressantes/formandos deve atingir 90%.
2. Aumento da oferta de cursos noturnos.
3.Implantação de medidas que promovam a inclusão de estudantes deficientes.
4.Maior integração entre graduação e pós-graduação.(o que na minha intervenção no Conselho e na Congragação do departamento de ADM,propus que fosse atingido através de uma ampliação na oferta de bolsas de iniciação científica)
5.Ampliação da mobilidade estudantil,promovendo a interdisciplinaridade.
6.Ampliação das políticas de inclusão e assistência estudantil.
7.Financiamento de projetos de reestruturação acadêmica,referentes aos cursos de graduação e aspectos didáticos-pedagógicos.
Em suma:o governo comprometeu-se a FINANCIAR projetos endêmicos da comunidade Universitária.Nada foi imposto.
Reflexões do nosso reitor sobre Universidade
“A função da Universidade é única e exclusiva.Não se trata somente de difundir o conhecimento.O livro também os difunde.Não se trata somente de conservar a experiência humana.O livro também a conserva.Não se trata somente de preparar práticos e profissionais,de ofícios e de artes.A aprendizagem direta os prepara,ou,em último caso,escolas muito mais singelas que as Universidades.Trata-se de manter ,uma atmosfera de saber pelo saber,para se preparar o homem que o serve e o desenvolve.trata-se de conservar o saber vivo e não morto,nos livros ou no empirismo das práticas não intelctualizadas.trata-se de formular intelectualmente a experiência humana,sempre renovada,para que mesma se torne consciente e progressista.trata-se de difundir a cultura humana,mas de fazê-lo com inspiração,enriquecendo e vitalizando o saber do passado com a sedução,a atração e o ímpeto do presente.( saber não é um objeto que se recebe das gerações que se foram,para a nossa geração:O saber é uma atitude de espírito que se forma lentamente ao contato dos que sabem).A Universidade é,em essência,a reunião dos que sabem com os que desejam aprender...São as Universidades que fazem hoje,com efeito,a vida marchar.Nada as substitui.Nada as dispensa.Nenhuma outra instituição é tão assombrosamente útil.”
Pensamentos do nosso reitor sobre a educação
“Há educação e educação.Há educação que é treino,que é domesticação.E há educação que é formação do homem livre e sábio.Há educação para alguns,há educação para muitos e há educação para todos.A democracia é o regime da mais difícil das educações,a educação pela qual o homem,todos os homens e todas as mulheres aprendem a ser livres ,bons e capazes.Nesse regime,pois,a educação, faz-se no processo mesmo de sua realização.Nascemos desiguais e nascemos ignorantes,isto é,escravos.A educação faz-nos livres pelo conhecimento e pelo saber e iguais pela capacidade de desenvolver ao máximo os nossos poderes inatos.A justiça social ,por excelência,da democracia consiste nessa conquista da igualdade de oportunidades pela educação.Democracia é,literalmente,educação.Há,entre esses dois termos,uma relação de causa e efeito.numa democracia,pois,nenhuma obra supera a de educação.Haverá,talvez,outras aparentemente mais urgentes ou imediatas,mas estas mesmas pressupõem,se estivermos numa democracia,a educação.Com efeito todas as demais funções do estado democrático pressupõem a educação,que não é a consequência da democracia,mas a sua base,o seu fundamento,a condução mesma para a sua existência.(...)Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no Brasil a máquina que prepara os democratas.Essa máquina é a escola pública(...)Não somente lhe exigem os conhecimentos adquiridos,até os últimos.Exigem-se,outrossim,informações de tendências indefinidas e problemas controvertidos,ainda sem solução (...) Em vez de bacharéis,queremos pedir à escola a formação,em série, de pequeninos Sócrates”
Momento oportuno ?
Essas mobilizações coincidem com as eleições para escolha dos delegados da UFRJ que serão responsáveis pela eleição da nova diretoria da UNE,a ser realizada nos dias 18 e 19 deste mês.
Estudantes ocupam a reitora contra o Reune e o Universidade Nova
Semana passada,os mesmos estudantes que boicotaram a ocupação da reitoria motivada por aperfeiçoamentos na destinação de verba para assistência estudantil, decidiram fazê-lo para protestar contra o REUNE e o projeto de Universidade Nova; contando,desta vez, com o apoio de correntes compostas por estudantes que em sua maioria são também filiados ao PSOL,partido que faz oposição ao governo Lula.
Os estudantes entendem que o REUNE fere a autonomia universitária por ter sido "imposto" por decreto,além de alegar que o mesmo é resultado de proposições do FMI/BANCO MUNDIAL. Outrossim,acreditam que o REUNE e o programa de Universidade Nova,implementam os Bacharelados interdisciplinares,o fim do vestibular e as graduações de formação acadêmica e técnico-administrativa, que entendem como privatizantes e "neoliberais".
Estudantes ligados à Conlute boicotam ocupação da reitoria
Durante a tentiva de ocupação da reitoria,que foi reconhecida até pelo Reitor como legítima segundo alguns dos próprios integrantes da CONLUTE,em que se buscavam melhores condições de estudo e equidade discente.Esses militantes, ligados ao partido PSTU,boicotaram o movimento passando em turmas,alugando carros de som e constrangendo a participação dos estudantes na ocupação.
Não foi a primeira vez que estudantes ligados à essa entidade agem dessa maneira. Durante conselho dos CA's no ano passado, eles o transformaram numa disputa partidária,visando desgastar o DCE, e,principalmente,uma de suas lideranças mais atuantes,a estudante Flávia Calé,acusando-a de peleguismo por ter lamentado a destruição de um microfone do Consuni durante o histórico ato pelo bandejão.
Ao invés de buscar consensos para defender o interesse discente, optou-se pela politicagem na esperança de desgastar a entidade e seus diretores. Esses são os mesmos que não ocuparam adequadamente a vaga na comissão do bandejão,não sendo capaz de garantí-lo da maneira gratuita como haviam se compromeetido.
São adeptos do 'quanto pior,melhor'.Em sua estratégia revolucionária,acreditam que uma conquista de classe,por menor que seja,desmobiliza e desmotiva o estudante,de modo que sempre atuam para impedí-las.Para eles,quanto maior o caos social,maior a violência,mais intensas as greves,melhor.Mais próximos estamos da revolução.
Mesmo os revolucionários já perceberam a invalidade deste argumento.Lenine,em uma de suas obras-primas "Esquerdismo _ Doença infantil do comunismo",aponta que as massas só se mobilizam em função de conquistas e perspectivas de êxito.Demais,as pessoas que, não sendo revolucionárias como é o meu caso,e que preocupam-se com o bem comum,a cidadania,e afins;sabem(ou deveriam saber) da necessidade de buscar e alcançar melhorias significativas para a classe que representa.No meu caso,trata-se de almejar,sempre,incondicionalmente,suprapartidariamente,o melhor para os estudantes.
A escolha por esse paradigma é que justifica a sua postura sectária em relação à UNE e seu posicionamento contra o governo do ex-operário Luis Inácio Lula da Silva.Trata-se de um comportamento convergente aos interesses da elite brasileira e ao enfraquecimento dos movimentos sociais e emancipadores de nossa sociedade .
Um grande abraço a todos !
UNE convoca DCE's de todo Brasil
A UNE está disposta a aproveitar o momento propiciado pela ocupação da reitoria da USP para promover uma ocupação simultânea das reitorias das IFES. O objetivo é garantir que 15% do seu orçamento seja direcionado à assistência estudantil.Segundo as informações que obtive, a ocupação iniciar-se-à pela manhã e contará com o apoio de todas as correntes que atualmente possuem algum cargo de direção na UNE.
Obviamente,considero esta bandeira extremamente válida e importante. Todavia, alguns cuidados serão necessários no momento de formalizar a reinvindicação. E isto porque, as IFES possuem autonomia orçamentária constitucionalmente garantida, de modo que qualquer contigenciamento desse orçamento dificilmente será avalizado pelo STJ.
A solução que vislumbro é adotar instrumento normativo semelhante ao adotado quando do lançamento do REUNE. Parte do PDE, o decreto apresenta 4 metas para as universidades que,caso optem por sua adesão,deverão receber recursos para atingí-las.
Proponho que se estabeleça mecanismo semelhante e de efeito imediato, de tal maneira que se estabeleçam metas sociais para as IFES( refeições oferecidas/aluno, número de bolsas , desempenho dos bolsistas,alojamento/estudante,...) a cuja adesão esteja associado a liberação da verba.
Para pressionar,bastaria não desocupar a reitoria da Universidade enquanto a mesma não for assinada e acordada pelos conselhos universitários das IFES.
Um abraço a todos !
Comentários
Como não estive presente à reunião,não pude candidatar-me à vaga na comissão que debaterá o modelo de gestão proposto pelo programa Universidade Nova e sua implementação no CCJE. Todavia,conversei com o Decano alguns dias após seu término e obtive garantias em relação à minha inclusão.
Considero-a importante,uma vez que a participação discente será fundamental para que se garanta a democracia e legitimidade do processo. De minha parte,comprometo-me a providenciar um debate sobre este programa,assim como sobre o REUNE,de modo que a diversidade acadêmica tenha oportunidade de manifestar seu ponto de vista e influenciar as decisões da comissão.
Um abraço a todos !
Ata da Reunião de 30/03/2007
Aos trinta dias do mês de março de dois mil e sete, nas dependências da Decania no Campus da Praia Vermelha, o Conselho de Coordenação do CCJE reuniu-se em sessão ordinária às duas horas e trinta minutos, sob a presidência do professor Alcino Ferreira Câmara Neto, Decano do CCJE. Presentes: (13 membros votantes) prof. João Sabóia – Diretor do IE, prof. Samuel Cogan – Diretor da FACC, prof. Adauto Lúcio Cardoso – Diretor do IPPUR, prof. Marcos Ávila – Diretor do COPPEAD, prof.ª Juliana Neuenschwander Magalhães – Diretora da FND, prof. Manuel Alcino Ribeiro da Fonseca – CCJE, prof. José Albuquerque Costa – FACC, prof.ª Clotilde Ramona Paez – FACC, prof.ª Ana Célia Castro – CCJE, Marcelo Martins Guimarães e Vanderlei Rodrigues Cunha – Representantes dos Discentes; Angela Ponce De Leon Braga e Ricardo Ferreira Vaz Representantes dos Técnicos - Administrativos. O prof. Alcino Ferreira Câmara Neto iniciou a sessão com o Primeiro item da pauta: aprovação da ata anterior. A referida ata foi aprovada por todos. Segundo item da pauta: processo nº. 23079.005419/2007-44, assunto: descancelamento de matrícula, interessado: FND, relator: prof.ª Ana Célia Castro. Após alguns esclarecimentos, seu parecer foi favorável e o processo em questão foi aprovado pelo Conselho. Terceiro item da pauta: homologação de Comissão Avaliadora para Progressão Vertical, interessado: IPPUR, relator: prof. João Sabóia. A Comissão foi aprovada pelo Conselho. Quarto item da pauta: processo nº. 23079.11145/2007-03, assunto: reformulação de Título e Currículo do Curso de Especialização em Planejamento e uso do Solo Urbano, interessado: IPPUR, relator: prof. Manuel Alcino Ribeiro da Fonseca. O parecer foi favorável e a reformulação foi aprovada pelo Conselho. Quinto item da pauta: aprovação do projeto de instalação física do NEI -Núcleo de Estudos Internacionais. Após alguns esclarecimentos, o projeto de instalação foi aprovado por todos. Sexto item da pauta: debate sobre a Universidade Nova. O professor Alcino explicou que está por vir o ciclo básico comum, e que não haveria vestibular. Sugeriu ainda que se formasse um grupo de trabalho para analisar o projeto e expor suas conclusões a este Conselho. O Conselho decidiu que esse grupo de trabalho será formado pelos coordenadores de graduação de cada unidade e pela coordenadora de graduação do CCJE. Extra pauta: A) assunto: transferência dos Cursos Lato Sensu da Decania para o IE e o NEI, interessado: IE. O professor João Saboia prestou alguns esclarecimentos e posteriormente esta transferência foi aprovada, sendo que o curso de Propriedade Intelectual na forma de parceria com a FND. Discutiu-se ainda a possibilidade do curso de Turismo ser partilhado entre o IE e a FACC, inconclusivamente . B) assunto: carência de professores de outras unidades em disciplinas ministradas na FACC, interessado: FACC. Este assunto não foi discutido porque o professor Alcino já havia resolvido este impasse juntamente com o professor Samuel Cogan. C) Processo nº: 23079.011995/2007-30, assunto: convênio de Cooperação Técnica e Científica entre a UFRJ e Eletrosul – Centrais Elétricas S.A, interessado: IPPUR, relator: Prof. Manuel Alcino Ribeiro da Fonseca. Este processo foi aprovado por todos. E para constar em ata eu, Marlene Antonia Brandão Pires, lavrei a presente que depois de lida e aprovada é assinada pelo Decano do CCJE.