Mais uma postagem interessante no Blog dos estudantes da USP
"Um novo “maio de 68” no campus da USP? Os professores precisam escolher se estão do lado da polícia ou dos estudantes.
Henrique Soares Carneiro – Professor do Dept. de História/FFLCH/USP
28 de janeiro de 2007
Estudantes insatisfeitos ocupam universidade exigindo contratação de mais professores, construção de mais salas de aula e reformas na gestão universitária. A reitoria chama a polícia que desaloja violentamente os manifestantes.
Onde poderia se passar essa narrativa? Na USP destes dias?
Neste caso, tratava-se da Sorbonne, em Paris, ocupada pelos estudantes em 3 de maio de 1968. Depois que foram expulsos manu militari pelo ministro Alain Peyrefitte no dia seguinte já se sabe o resultado: uma explosão de fúria juvenil e estudantil, uma onda de barricadas e o despertar de uma inteira geração para o sonho de transformar a realidade com a indignação justa dos jovens que resolveram combater a injustiça do mundo.
Será este, de novo, o roteiro paulista e brasileiro de 2007? Começou uma “nova onda” na história do movimento estudantil brasileiro? Qual será o seu caráter, a sua amplitude e a sua profundidade?
O conteúdo das reivindicações, aparentemente apenas “acadêmicas”, pode parecer tão semelhante e difuso como era o dos estudantes franceses no seu início: melhoria de condições de ensino, democratização da universidade, resistência a atitudes repressivas. A intervenção policial apenas radicalizou e ampliou a contestação, que passou a questionar diretamente o próprio governo. Independentemente do desfecho imediato do conflito que está fazendo da USP a referência para todo o movimento estudantil brasileiro, este outono paulista se assemelha a outras primaveras.
O espírito de rebelião estudantil, quase sempre, não é pontualmente acadêmico, nem estritamente apenas político, mas torna-se uma contestação global dos valores pelos quais se afirma uma ordem estabelecida.
Poderíamos esquematizar em três as vocações do movimento estudantil: uma corporativa e acadêmica (defesa de melhores condições de ensino e de vida para os estudantes, tais como moradia, alimentação, transporte, prédios, instalações); uma segunda, de ordem política (defesa de liberdades públicas, contra ditaduras, contra decretos governamentais); e ainda uma terceira que seria a cultural ou de costumes (liberdades individuais, como as de opção sexual ou de estilos de vida juvenis).
Defender com invasões de cinema o direito à meia-entrada seria da primeira vocação, assim como fazer greve pela contratação de mais professores ou bloqueios de rua pelo passe escolar no transporte, ou seja, a defesa das condições materiais e econômicas da vida dos estudantes. Exigir eleições diretas para presidente, a autonomia universitária ou a demissão de um secretário de estado já se tornam reivindicações diretamente políticas direcionadas a alterar uma política governamental ou mesmo a derrubar um governo. Direitos de escolher o cabelo ou o vestuário, a música, a prática sexual ou o uso de psicoativos se inscreveriam na terceira modalidade.
A forma como essas três dimensões se combinam na história dos movimentos estudantis é múltipla e sempre interligada. Em 1977, em São Paulo, a luta pelas condições de ensino logo se tornou defesa de presos políticos e desafio à ditadura. Em Sorocaba, em 1981, uma manifestação pelo direito ao beijo reúne milhares de estudantes que produzem um conflito político anti-ditatorial. Em 1968, na França, a questão dos dormitórios segregados sexualmente em Nanterre combinou-se com uma ocupação da Sorbonne por reivindicações materiais (contratação de professores e mais salas) e acadêmicas (alteração no sistema de avaliação) cujo desalojamento violento pela polícia desencadeou uma luta social de imensa profundidade. Em Seattle, em 1999, uma reunião de estudantes, grupos juvenis e o amplo espectro da esquerda desencadeou uma onda de “movimentos anti-globalização” que cercaram as reuniões dos órgãos oficiais da gestão dos negócios capitalistas com milhares de manifestantes em diversas cidades do mundo. Na Alemanha, em 1968, a morte de um estudante numa manifestação contra o Xá da Pérsia detonou a fúria estudantil. Em São Paulo, em 1986, pelo direito de exibir o filme de Godard Je vous salue Marie, proibido pelo governo Sarney, milhares de estudantes da PUC enfrentaram agentes federais que fugiram disparando tiros para o ar.
Atualmente, nesta luta, em 2007, dos estudantes das universidades paulistas, destacam-se, ao lado de reivindicações materiais a defesa política da causa da autonomia universitária. Mas a autonomia é vista, não como algo que diz respeito apenas aos estudantes, cientistas, professores e funcionários, mas como algo que imbui na essência da universidade um espírito público e um programa voltado para as maiorias socialmente desfavorecidas e, por isso, se choca com o projeto dos decretos de Serra de uma pesquisa “operacionalmente dirigida” e de uma universidade dominada por fundações que atendem interesses privados.
Se os estudantes fossem apenas os profissionais que se preparam para a competição nas funções técnicas e intelectuais especializadas da variedade das profissões, por que de quando em quando, acometeria aos jovens estudantes de todos os países uma vontade de transformar a vida e o mundo e de desencadear movimentos políticos estudantis que, de fato, mudam a história?
Isso ocorre porque os movimentos estudantis são como a consciência de uma geração que desperta e não aceita o mundo que lhe é legado, buscando com sua ação passar a ser sujeito do seu destino coletivo e não mais indivíduos passivos e concorrentes no lugar ao sol do êxito profissional. Ainda mais quando esse êxito é cada vez mais distante e inalcançável para a maioria dos diplomados devido ao desemprego estrutural de uma época de crise social e econômica.
Neste século XXI, num mundo em crise civilizacional, com o anúncio de uma catástrofe ecológica de aquecimento global para as próximas décadas, em meio a uma crise estrutural da economia planetária financeirizada, onde o desemprego é a perspectiva mais provável mesmo para os diplomados das melhores universidades e, especialmente num país em que as esperanças de mudança da geração anterior foram tão frustradas pela cooptação do PT e de Lula para o campo do “pensamento único” neoliberal e submisso aos ditames da hegemonia imperialista estadunidense, não é de se estranhar que esteja ocorrendo um movimento estudantil massivo e radicalizado.
Num espaço universitário com o brasileiro, em que nem sequer se exerce alguma forma de consulta democrática ampla e efetiva para a escolha dos reitores, e num país em que os processos eleitorais vem sendo corroídos por uma corrupção de reiterados escândalos de financiamentos ilícitos de campanhas, de manipulação midiática, de compra de votos e de mandatos por mensalões e troca-trocas partidários, é evidente que o conteúdo da democracia é formal e tão inautêntico como o era o liberalismo oitocentista dos fazendeiros escravistas. A juventude não está apenas apática, despolitizada e com asco pela política, mas está buscando outras formas mais diretas e mais autênticas de se aprender a fazer uma política democrática.
No início do século XX, a classe dominante formava seus filhos para gerirem os negócios familiares e do Estado. O bacharel de Direito era o emblema dessa sociedade. Novas profissões liberais como médicos e engenheiros ampliaram esse espectro, mas a grande mudança ocorre após os anos sessenta/setenta, quando uma enorme massa incorpora-se à universidade ampliando o tempo médio de escolaridade da população e respondendo à demanda de novas segmentações técnicas que a complexidade das novas tecnologias e mercados exigia.
A educação e, especialmente, a universidade tornam-se os grandes mecanismos de ascensão social das classes médias e mesmo de talentos individuais nas camadas desfavorecidas. Mas os estudantes não são apenas isso: a gênese de futuros profissionais graduados e pós-graduados nas diversas esferas técnicas e científicas hiper-especializadas indispensáveis para a divisão social do trabalho nos diversos setores da economia.
É o anúncio de uma nova geração que estamos assistindo e ouvindo. Como escreveu Walter Benjamin, em 1913, em A vida dos estudantes: “o estudantado seria visto assim em sua função criativa, como o grande transformador com a missão de converter em questões científicas, através de posicionamentos filosóficos, as idéias que costumam despertar antes na arte e na vida social do que na ciência. (...) Onde cargo e profissão constituem, na vida dos estudantes, a idéia dominante, esta não pode ser a ciência”.
No entanto, notava o jovem Benjamin aos 22 anos, “a falsificação do espírito criador em espírito profissional, que vemos em ação por toda parte, apossou-se por inteiro da universidade e a isolou da vida intelectual criativa...”.
A real busca de um saber crítico reside na vocação estudantil para extravasar os limites acadêmicos de seus currículos e buscar na prática da vida, da cultura e da política os caminhos para um aprendizado existencial que sempre incluiu, como elemento central, o espírito generoso da revolta contra o que é considerado injusto e incorreto.
Quando o famoso Instituto de Pesquisa Social, em Frankfurt, na Alemanha, foi ocupado por estudantes rebelados, em 31 de janeiro de 1969, o seu diretor e fundador, Theodor Adorno, chamou a polícia.
Em uma série de cartas, o seu amigo e colega Herbert Marcuse repreendeu-o e criticou-o severamente, dizendo de maneira clara que: “em determinadas situações, a ocupação de prédios e a interrupção de aulas são atos legítimos de protesto político (...) na medida em que a democracia burguesa (em virtude de suas antinomias imanentes) se fecha à transformação qualitativa, e isso através do próprio processo democrático-parlamentar, a oposição extraparlamentar torna-se a única forma de contestação: desobediência civil, ação direta”.
Em outras destas cartas Marcuse expunha de forma clara, para o contexto alemão da época, a mesma disjuntiva que se coloca hoje para todo professor da USP, Unicamp e UNESP diante da atual crise das universidades paulistas: “Dito brutalmente: se a alternativa for polícia ou estudantes de esquerda, estou com os estudantes – com uma exceção crucial, a saber, se a minha vida for ameaçada ou se for usada violência contra mim e os meus amigos e a ameaça for séria. Ocupações de salas (exceto a minha casa) sem esse tipo de ameaça violenta não é razão suficiente para se chamar a polícia (...) De fato, não se deve “caluniar abstratamente” a polícia. É evidente que em certas situações eu também chamaria a polícia. Em relação à universidade (e só em relação a ela) assim o formulei recentemente: se houver uma ameaça real de agressão física a pessoas e de destruição de materiais e equipamentos que servem à função educacional da universidade”.
Se houver um crime, um estupro ou um assalto, seja nas nossas casas, como na universidade é lícito e, muitas vezes, indispensável, chamar a polícia. Mas, diante de um conflito político ou social, chamar a polícia sempre é uma forma violenta de defender o poder vigente. Especialmente a despreparada polícia de choque do governo Serra que recentemente demonstrou em plena praça da Sé lotada a sua disposição em dispersar multidões a tiros de balas de borracha, bombas e cassetadas.
No caso da USP, o movimento se caracteriza por ser absolutamente pacífico, nunca ter destruído qualquer material ou equipamento educacional, administrativo ou científico, nem ter ameaçado ninguém de violência física, ao contrário, a única ameaça de violência física provém da entrada de uma tropa de choque.
As posições opostas de Herbert Marcuse e de Theodor Adorno são os pólos éticos e políticos que novamente se confrontam entre o professorado no atual conflito desencadeado a partir da ocupação da reitoria da USP e de outras dependências da UNESP e UNICAMP e as alternativas são excludentes: estar com os estudantes ou estar com a polícia. "
De Fernando de Barros e Silva
"O que querem as mulheres? A clássica pergunta de Freud não vale para José Serra. Todos sabem a resposta: ele só pensa naquilo. Mas 2010 ainda está longe, felizmente para Serra, porque seu governo começou de forma bastante decepcionante. Ou seria melhor dizer sintomática? A crise da USP é o melhor exemplo. O governo meteu os pés pelas mãos. Após nomear para a nova Secretaria do Ensino Superior este que é, no meio universitário, uma unanimidade às avessas, quis ainda transformar José Aristodemo Pinotti no presidente de conselho de reitores. Pegou tão mal, que Serra desistiu do seu interventor branco.
O recuo, no entanto, não desfaz a sensação de que pretendia enquadrar as universidades – este é o sentido geral implícito no conjunto dos decretos contra o qual se rebelaram os estudantes que estão na reitoria.
Obrigado a vir a público, o governador Serra tergiversa, desconversa, age reiteradamente de forma oblíqua. Ora parece pouco seguro de seus propósitos, ora dá a impressão de querer engambelar a platéia.
O fato é que se negou, até aqui, a rever o decreto mias polêmico, que submete à aprovação da Secretaria da Fazenda o remanejamento de verbas da universidade. Por quê?
Está em curso uma campanha de demonização dos estudantes – retrógados, baderneiros, urram, histéricos, os arautos do novo “Estado de direita”. Há insuficiência, eventuais exageros na posição estudantil? Claro que sim. Mas são menores, bem menos nocivos que a batatada patrocinada pelo Estado, cujos erros, esses sim crassos, aparecem sob a forma de “deslizes”, “mal-entendidos”. Onde está a ideologia dominante da nossa época?
Serra foi visto há poucos dias numa imagem bizarra, empunhando um trabuco, quando visitava a polícia. Os estudantes estão certos ao espalhar a reprodução da foto pelas barricadas em torno da reitoria. Áulicos incitam o tucano para que a tropa de choque entre em ação. A depender do desfecho da crise, a gestão Serra já terá produzido a sua fotografia para a posteridade."
Estudantes ocupam reitoria da USP e criam Blog para divulgar o movimento
Solidarizo-me e apoio a iniciativa dos estudantes da USP que,há 25 dias, ocupam a reitoria da USP,em protesto contra a política educacional do governo Serra. O governador,no início do ano,baixou decretos limitando a autonomia da instituição,tornando-a dependente dos recursos das fundações,entre outras coisas.
Demais, este (des)governo ameaça usar força polícial para reprimir o movimento que,até onde tenho acompanhado, vêm adotando meios pacíficos de reinvindicação. A iniciativa dos estudantes vêm provocando debates acerca do renascimento do movimento estudantil no país: No início do ano,acompanhamos a retomada do imóvel correspondente à antiga sede da UNE. Agora, a ocupação da USP.
Outro aspecto interessante é o uso de novas tecnologias para divulgação, organização e comunicação do movimento. Vídeos postados no You Tube, Blogs e até uma WebTV são suas formas de contato com a sociedade.
Reproduzo abaixo,atalhos para aqueles interessados em acompanhá-lo:
A TV on line dos estudantes deve entrar no ar nesta segunda-feira. O endereço deve ser http://stream.paraguas.org:8000/tvlivre.ogg.
O endereço do blog é o http://ocupacaousp.noblogs.org/.
E o endereço da rádio na internet é o http://stream.paraguas.org:8000/radio.ogg.
O CCJE iniciou as discusões em seu conselho sobre sua adesão ao PDE.
No contexto da reforma universitária, a apresentação do programa Universidade Nova e o PDE, vislubram-se as políticas governamentais para a educação neste segundo mandato. Como relacionei abaixo, acredito que o PDE incorpora excelentes iniciativas para a educação,mas creio que sua eficácia somente se tornará possível caso haja efetivo envolviemnto de toda a comunidade acadêmica na discussão sobre este plano.
Pensando nisso, disponibilizei uma pesquisa na comunidade do Orkut "Conselho do CCJE" para ouvir as opiniões de meus colegas graduandos. Espero que todos participem :
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=8475446
Administração perde seu mais importante teórico
Faleceu no dia 9 de maio, aos 88 anos, o maior pesquisador em história das organizações de todos os tempos : Alfred Chandler Du Pont Jr. Professor da Harvard Business School e editor da revista de História da instituição.Este brilhante acadêmico foi responsável por muitas revoluções no estudo do comportamento executivo.
Este homem foi o orientador da revolução iniciada por Alfred Sloan Junior na General Motors. Foi também o grande inspirador de Peter Drucker. Mas sua contribuição à gestão organizacional transcendeu enormemente estes aspectos.Em uma de suas obras : Strategy and Struture, depois de pesquisar mais de 100 organizações estadunidenses por quase 20 anos, fez uma revelação de conteúdo análogo àquela de Coppernico ,(o primeiro cientista ocidental a perceber que a Terra gira em torno do Sol )apontou-nos o óbvio até então ignorado pela pesquisa econômica e gerencial : Não é a estrutura que condiciona a estratégia empresarial ,mas o contrário.
Em Visible Hand, conquistou o prêmio Pulitzer de História em 1978 e o prêmio prestigiosos de Brancoft,ao revelar que não foram as forças de mercado que determinaram o desenvolvimento econômico estadunidense mas a decisão de administradores de empresas.
Sua produção é intensa e edificante. O pensamento acadêmico voltado para gestão perde seu maior expoente( na minha opinião) . Resta-me a esperança de que suas contribuições inspiram um desenvolvimento ainda maior de pesquisas nessa área, ajudando-nos na construção de paradigmas para uma gestão menos determinista e ideológica ;e mais integrada , fundamentada e singularizada.
Para saber um pouco mais sobre Alfred Chandler Jr.:
http://64.233.179.104/translate_c?hl=pt-BR&u=http://www.hbs.edu/news/releases/051107_chandler.html&prev=/search%3Fq%3Dharvard%2B%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DG
comentários
Afirma-se a condição de defensiva histórica em que se encontra a esquerda no mundo. À parte vitórias na América Latina,o fato é que a derrota de Segolene Royal representa um avanço neoliberal no país desenvolvido que conseguiu indiscutíveis avanços na meta social-democrata de humanizar o capitalismo, garantindo direitos sociais, salários mínimos mais dignos e uma séria contribuição à constituição de um Estado de bem estar social.
Evidenciou-se neste mesmo país,durante o governo anterior o levante no seu subúrbio,buscando,de um lado, estender estas conquistas aos imigrantes franceses;de outro, conter as reformas neoliberais pretendidas pelo candidato conservador e seu ministro do interior: Sarkozy.
A derrota da candidata socialista,com grande probabilidade, marcará não só o desmonte deste Estado de bem estar social,como também reforçará a ideologia neoliberal ,acusando, falaciosamente, o modelo social democrata de inviabilidade e insustentabilidade.
Infelizmente a espécie humana acordará na segunda -feira mais distante de um mundo mais equitativo,mais livre e sustentável.E isto porque o modelo neoliberal reproduz a violência,por incentivar a exclusão;o imperialismo, a desigualdade de oportunidades e a opressão dos mais pobres. A miséria estará ainda mais ligada à competência policial. Os empregados mais sujeitos ao capital. As empresas oligopolistas e monopolistas,menos obrigadas com o consumidor.
E o meio ambiente sofrerá ainda mais. Descobrimos outro planeta que talvez possa abrigar a vida humana. Destruir-se-á ainda mais a Terra. Os ricos,entretanto, esperam fugir a tempo. Nossa biodiversidade social e natural não lhes interessam no curto prazo.
O capitalismo neoliberal é estúpido. Não sabe que precisa da ecologia, de diversidade humana e social.O próprio capitalismo precisa de limites ou nos destruíremos. A esperança continua viva apesar dos fatos. Precisamos dela.
Um abraço a todos!
http://www.youtube.com/watch?v=M0MMkDH--jE
Nicolas Sarkozy é eleito novo presidente da França
Candidato conservador recebeu cerca de 53% dos votos, com mais de 91% dos votos apurados. A socialista Ségolène Royal, que deve ficar com 47% dos votos, reconheceu a derrota e fez um apelo pela unidade da esquerda.
Redação - Carta Maior
O candidato conservador Nicolas Sarkozy será o novo presidente da França pelos próximos cinco anos anos. Com 91,71% dos votos apurados, ele tinha 53,28% dos votos, contra 46,72% da candidata socialista Ségolène Royal. Esses números confirmam o que havia sido apontado pelas pesquisas de boca-de-urna de quatro institutos (Ifop, Csa, Ipsos e TNS-Sofres). Segundo esses levantamentos, Sarkozy ficaria com cerca de 53,1% contra 46,9% de Ségolène Royal. A disputa dete domingo registrou um comparecimento de cerca de 85% dos eleitores inscritos na França e no exterior.
Logo após tomar conhecimento dos primeiros números, Ségolène falou a seus apoiadores reconhecendo a derrota e fazendo um apelo pela unidade da esquerda para fortalecer a oposição ao governo de Sarkozy. Esse apelo tinha outro objetivo bastante concreto, que é a articulação de alianças para as eleições legislativas que serão realizadas daqui um mês.
Ex-ministro do Interior do governo Jacques Chirac, Sarkozy promete fazer reformas econômicas na França que incluem o fim da jornada de 35 horas semanais, a flexibilização de direitos sociais e trabalhistas e a adoção de uma política mais dura em relação aos imigrantes. Além disso, no terreno da política externa, defende uma maior aproximação com os Estados Unidos. Ao falar para seus apoiadores, após a confirmação da vitória, disse que pretende reabilitar o trabalho, a autoridade, o respeito e a moral da França.
Historiador vê Brasil e Bolívia caminhando para 'divórcio'
BBC Brasil : "Denize Bacoccina De Brasília
Para historiador, Morales e Lula estariam se afastando
O historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, professor de História Moderna e Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que Brasil e Bolívia estão num processo de "divórcio", que pode se concretizar nos próximos três a cinco anos, quando os dois países conseguirem reduzir a dependência mútua que os une atualmente.
"Ambos estão numa corrida: a Bolívia para buscar novos parceiros", diz Teixeira da Silva, que em fevereiro passou cinco semanas viajando pelo país, estudando os movimentos sociais.
Leia também: Analistas vêem endurecimento tático do Brasil com BolíviaA Bolívia, diz ele, está se aproximando mais da China, enquanto o Brasil está buscando alternativas ao gás que importa da Bolívia.
Ele também acha que o Brasil vem sendo usado por Morales para unificar sua fragmentada base de apoio.
"Evo Morales tenta fazer com o Brasil o que (o presidente venezuelano Hugo) Chávez faz com os Estados Unidos", diz Teixeira da Silva.
Confira abaixo a entrevista de Francisco Carlos Teixeira da Silva à BBC Brasil.
BBC Brasil - Como o senhor vê esta mudança de postura do governo brasileiro em relação à Bolívia, dizendo que não vai aceitar as condições do governo boliviano na nacionalização das refinarias?
Francisco Carlos Teixeira da Silva - O governo brasileiro estabeleceu a linha vermelha nas relações com a Bolívia. E está dizendo muito claramente que o Brasil não aceita ser transformado em um elemento de unificação do movimento social boliviano. O Brasil entendeu isso desta vez.
Toda vez que Evo vê que está perdendo espaço internamente, especialmente com questões como a constituinte, política econômica, ele acaba puxando para a questão externa. E como não pega mais a crítica aos Estados Unidos, porque os interesses americanos na Bolívia são muito reduzidos, então bater no Brasil unifica os movimentos sociais com Evo.
Não é um abandono da política de integração sul-americana, mas o governo está dizendo que o Brasil não vai ser um saco de pancadas para unificar o movimento social boliviano.
BBC Brasil - O Brasil então é utilizado como o inimigo imperialista pelo presidente Evo Morales?
Teixeira da Silva - Ele é utilizado várias vezes neste sentido. Evo Morales tenta fazer com o Brasil o que Chávez faz com os Estados Unidos.
Pela primeira vez, o Brasil tem uma opção de escolha entre o Mercosul ou uma aliança estratégica com os Estados Unidos.
BBC Brasil - E o Brasil é visto assim pela população?
Teixeira da Silva - Não, não é. Fora algumas manifestações em La Paz, muito esporádicas, existe simpatia. Mas se a gente não der um basta nisso agora, pode ser que daqui a dois ou três anos tenhamos os mesmos problemas dos americanos (com a Venezuela).
Ou seja, isso não é natural, não vem do povo boliviano, não vem nem mesmo dos movimentos sociais bolivianos. Está sendo um instrumental do governo Evo Morales.
BBC Brasil - O senhor passou cinco semanas na Bolívia em fevereiro para fazer um documentário. Desde então a situação está mais acirrada?
Teixeira da Silva - Está, sem dúvida. Eu tenho ido cerca de quatro vezes por ano à Bolívia nos últimos cinco anos e nunca tinha visto uma polarização tão grande.
Particularmente fiquei muito preocupado com a situação em Santa Cruz de la Sierra. O movimento autonomista é muito forte. E a recusa das autoridades de La Paz em conceder um mínimo de autonomia às províncias, especialmente a Santa Cruz, prenuncia uma crise de grandes proporções.
BBC Brasil - E que poderia levar à queda do presidente Evo Morales?
Teixeira da Silva - Eu não sei, eu acho que no limite pode levar até a uma guerra civil. Porque a proposta de autonomia que Santa Cruz e outras províncias querem está inclusive aquém do sistema federativo do Brasil. Se fosse aplicada à Bolívia a Constituição do Brasil de 1988, os bolivianos ficariam felicíssimos. Mas quando o governo de La Paz recusa isso, aí sim acirra as possibilidades separatistas.
Os comentários em geral no Itamaraty e no Planalto são de que nunca em outra situação Lula foi tão ríspido com uma autoridade de outro país estrangeiro.
BBC Brasil - E se o Brasil assumir uma posição mais dura, ele pode piorar a situação do governo boliviano?
Teixeira da Silva - Pode. Porque após as ameaças feitas pelo presidente Lula – e foram ameaças – os comentários em geral no Itamaraty e no Planalto são de que nunca em outra situação Lula foi tão ríspido com uma autoridade de outro país estrangeiro.
Ele ameaçou cortar investimentos, ir aos tribunais internacionais, desaconselhar investimentos de outros países na Bolívia e exigir o visto de permanência dos bolivianos no Brasil.
Isso realmente teria um impacto grande na Bolívia. A Bolívia, por sua vez, está trabalhando muito rapidamente para tornar a presença da economia brasileira menos importante. Está fazendo acordos com a China, que está interessada na construção de um terminal no porto de Piúra, no Peru, para levar gás boliviano.
Neste sentido, a Bolívia teria um novo parceiro. Então ambos estão numa corrida: a Bolívia para buscar novos parceiros e minimizar a importância do Brasil e o Brasil também - por exemplo com acordos com a Argélia para compra de gás liquefeito, o programa de etanol e a descoberta deste imenso lençol de gás na bacia de Campos. Ambos estão tentando realizar em um prazo de três ou, no máximo, cinco anos, um divórcio neste sentido.
BBC Brasil - Então este discurso de integração na prática não está se realizando?
Teixeira da Silva – Uma integração energética, neste momento eu não vejo a menor condição. Está caminhando para uma separação. Acho que pela primeira vez, desde a política de boa vizinhança entre Brasil e Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil tem na mesa uma oferta de aliança estratégica com os Estados Unidos.
O governo brasileiro estabeleceu a linha vermelha nas relações com a Bolívia.
E esta aliança estratégica equivale, em termos de recursos econômicos e de prestígio, ao Mercosul. Pela primeira vez, o Brasil tem uma opção de escolha entre o Mercosul ou uma aliança estratégica com os Estados Unidos.
BBC Brasil - E o senhor vê o Brasil caminhando para escolher a aliança com os Estados Unidos?
Teixeira da Silva - Não, não vejo. Porque o Itamaraty, especialmente o secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães, insiste na idéia de que o Brasil só será um global player se futuramente tiver a liderança do seu entorno político.
Então o Mercosul é ainda uma pauta importantíssima para o governo brasileiro. Mas se nós caminharmos para uma crise com a Bolívia e, conseqüentemente, com a Venezuela, e se continuar esta aliança estratégica entre Kirchner e Chávez, é possível que o Brasil tenha uma alternativa bastante razoável.
BBC Brasil - E o Brasil então abriria mão de tentar apagar todas as fogueiras e de ficar bem com todo mundo na região?
Teixeira da Silva – E isso terminaria por transformar o Mercosul possivelmente numa zona de livre comércio muito frouxa, sem grandes instituições, e faria com que o processo de construção institucional do Mercosul cessasse e nós procurássemos acordos mais importantes, por exemplo, com os Estados Unidos e depois com a União Européia, com a Rússia e com o Japão.
BBC Brasil - Nesta Cúpula Energética Sul-americana, na Venezuela, o Brasil conseguiu evitar maiores danos, mas não houve um avanço no processo de integração, houve?
Teixeira da Silva - Não houve nenhum avanço neste sentido. O Brasil não aceitou a Opep do gás, o Brasil não aceitou o Banco do Sul, o Brasil não aceitou a política de manutenção de matriz fóssil, insistiu na matriz alternativa. Não houve nada que fosse um passo à frente."