Conselho do CCJE
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Repasso abaixo, mensagem recebida constando as disciplinas oferecidas neste semestre :
"Prezado Felipe:
Seguem disciplinas deste período:
Temos os seguintes cursos programados para o IM nesse semestre. Conforme aprovado no CD, essas disciplinas serão oferecidas só aos alunos da graduação (não abriremos mais nossos cursos de mestrado para eles).
Administração de Marketing (5º periodo) – Prof. Renato
Contabilidade Financeira (3º periodo) – Prof. Vicente
Gestão Estr. TI (7º periodo) – Prof. Nogueira
Mercados Financeiros (5º periodo) – Prof. Ricardo
Tóp. Esp. Fin & Contr (7º periodo) – Prof. André
Top. Esp. Mkt I (7º periodo) – Prof. Renato
Top. Esp. Oper & Log (7º periodo) – Prof. Peter
Aguardo a definição dos horários das aulas de cada um de vocês o mais rápido possível, pois temos que abrir as inscrições na Secretaria do Coppead.
Ricardo Vaz
Gerente Administrativo"
Ata de Reunião do conselho em 07/12
Aos sete de Dezembro de dois mil e seis nas dependências da Decania Campus da Praia Vermelha, o Conselho de Coordenação do CCJE reuniu-se em sessão extraordinária às duas horas e trinta minutos, sob a presidência do Professor Alcino Ferreira Câmara Neto, Decano do CCJE. Presentes: (09 membros votantes). Profº. João Saboia – Diretor do IE - Prof.º José Ricardo – FACC – Prof. Adauto Lúcio Cardoso – Diretor do IPPUR – Profª Ana Célia Castro - CCJE – Vanderlei Rodrigues Cunha – Representante dos Discentes – Jane Maria Medeiros – Representante dos Técnicos Administrativos – Ricardo Ferreira Vaz – Representante dos Técnicos Administrativos – Marta Lisboa Rodrigues – Representante dos Técnicos Administrativos. O Prof. Alcino Ferreira Câmara Neto iniciou a sessão com alguns informes importantes dentre eles: Manifesto da Universidade Nova, Orçamento Participativo Exercício 2007 e Projeto Pedagógico entre CCJE, CFCH e CLA foi distribuída xérox para todos, o Professor Alcino pediu para todos lerem com atenção pois seria um dos primeiros assuntos de reunião em 2007 dando seguimento iniciou-se a votação dos Processos Nº: 23079.046371/06-80, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Samuel Cogan - FACC – Processo Nº: 239079.046372/06-42, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado, Interessado: Geraldo Luiz dos Reis Nunes - FACC, Processo Nº 23079.052409/2006-35 – Assunto : Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Hermes Magalhães Tavares – IPPUR, Processo N º:23079.052410/2006-14, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Jorge Luiz Alves Natal - IPPUR, Processo Nº: 23079.052411/2006-87, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado;: Mauro Kleiman – IPPUR, Processo Nº: 23079.052853/2006-05, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Marcos Gonçalves Avila – COPPEAD, todos os processos foram homologados. O Prof. Alcino deu por encerrada a sessão,agradecendo a presença de todos. E, para constar em ata eu, Marlene Antonia Brandão Pires, lavrei a presente que depois de lida e aprovada é assinada pelo Decano do CCJE.Ata de Reunião do conselho em 24/11
Aos vinte e quatro dias de novembro de dois mil e seis nas dependências da Decania Campus da Praia Vermelha, o Conselho de Coordenação do CCJE reuniu-se em sessão ordinária às duas horas e trinta minutos, sob a presidência do Professor João Murity Sabóia Diretor do Instituto de Economia. Presentes: (11 membros votantes). Profº. João Saboia – Diretor do IE - Prof.º Samuel Cogan – Diretor da FACC – Prof. Adauto Lúcio Cardoso – Diretor do IPPUR - Prof. José Albuquerque Costa – FACC – Prof.ª Clotilde Ramona Paez – Prof. ª Maria Silvia Possas – IE – Prof. Manuel Alcino R. da Fonseca - CCJE – Marcelo Martins Guimarães – Representante dos Discentes - Angela P. L. Braga – Representante dos Técnicos Administrativos – Ricardo Ferreira Vaz – Representante dos Técnicos Administrativos – Marta Lisboa Rodrigues – Representante dos Técnicos Administrativos. O Prof. João Sabóia abriu a sessão justificando a ausência do Professor Alcino, que estava participando de um Seminário como Presidente da mesa e não pode comparecer a reunião. Primeiro item da pauta: aprovação das atas anteriores, todas foram aprovadas. Segundo item da pauta: Processo nº 23079.039822/2003-34, assunto: Revalidação/reconhecimento de Diploma de Graduação em Direito e Tese de Mestrado - FND, relatora: Prof.ª Maria Silvia Possas – Após o relato da Professora Maria Silvia, os conselheiros decidiram que para o requerente obter a revalidação e o reconhecimento do diploma de graduação foi exigido que o mesmo faça provas em duas disciplinas: Direito do Trabalho e Direito da Família.Terceiro item da pauta: Processo nº 23079.038873/2004-10, assunto: Recurso a pedido de revalidação indeferido, relatora: Prof.ª Ana Célia Castro – Não foi relatado pois a relatora não compareceu a reunião. Do quarto item da pauta até o décimo segundo item : Processos nº:4 – Processo Nº: 23079.045732/06-70 Assunto:Homologação de Progressão Vertical para Prof.º Associado ,Interessado: Profº Carlos Aguiar de Medeiro – IE - 5 – Processo Nº: 23079.047878/06-97 Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof.º Associado, Interessado: Profº Fabio de Silos Sá Earp - 6 - Processo Nº 23079.040163/06-40 Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Jorge Chami Bati – IE - 7 – Processo: Nº 23079.048414/06-61, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: José Eduardo Cassiolata – IE - 8 – Processo: Nº 23079.046610/06-29, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado, Interessado: Luis Otavio de Figueiredo Façanha - 9– Processo: Nº 23079.045290/06-44, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado, Interessado: Maria Helena Lavinas de Morais -10– Processo: Nº 23079.04532/06-05, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado Interessado: Murillo Florindo Cruz Filh - 11 – Processo Nº 23079.048336/06 –50,Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof.º Associado, Interessado: Renata Lebre La Rovere, - 12 – Processo: Nº 23079.048532/06-98, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado, Interessado: Victor Prochnick, todos estes processos foram homologados. Décimo terceiro e o Décimo quarto item : 13 Processo: Nº23079.046371/06-80, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Prof. Associado, Interessado: Samuel Cogan - 14 – Processo Nº 239079.046372/06-4, Assunto: Homologação de Progressão Vertical para Profº Associado, Interessado: Geraldo Luiz dos Reis Nunes não foram relatados, pois tinham algumas pendências ficando para serem relatados em uma próxima reunião de conselho. Extra Pauta: Processo nº23079.050892/2006-96 – FACC, assunto : Auxilio junto a FUJB Programa de Apoio a Eventos para realização do Seminário de Mestrado em Ciências Contábeis –m PIB/07 . Processo nº 237079.050882/2006-32 – FACC, assunto: Auxilio junto a FUJB Programa de Apoio a eventos para a realização de Visita Técnica a Pontifícia Universidade Católica pelo Curso de Biblioteconomia – CBG, os dois processos foram aprovados pelo Conselho de Centro. E, para constar em ata eu, Marlene Antonia Brandão Pires, lavrei a presente que depois de lida e aprovada é assinada pelo Decano do CCJE.sábado, fevereiro 10, 2007
Um dia no acampamento da UNE
Quarta-feira,23:00 H. Acordo irritado, tendo meu sono interrompido pela campainha do meu celular. Atendo-o muito sonolento e incomodado e recebo o convite para participar de uma reunião no acampamento que a UNE montou no antigo estacionamento montado em sua antiga sede. Aceito-o de imediato e volto a dormir sem sonhar ou sequer imaginar as surpresas que esta decisão me proporcionaria no dia seguinte.Acordo e cumpro rigorosamente minha rotina de estagiário.Participo de um seminário no IE da UFRJ e sigo para a reunião.Trata-se do último compromisso do dia.Somente agora penso melhor no assunto.Há muito compartilho da visão confuciana de problematizar cada pequena tarefa cotidiana. Vivenciá-la sempre como a mais importante. Embora nem sempre consiga,procuro deixar cada coisa em seu lugar. Não estudo quando estou no estágio e vice-versa.Perceba que nem sempre alcanço este comportamento ideal. Se é que de fato ele o é.
Ainda no ônibus, pergunto ao motorista sobre o estacionamento ocupado sem esperanças de que o mesmo soubesse do assunto, e percebo,perplexo, que além de o conhecer o mesmo está interessado. Alguma coisa mudou. Já a algum tempo as ações sociais do ME deixaram de mobilizar a massa social integrante da própria universidade, quanto mais fora dela.Todavia, esse motorista está interessado.Conversa comigo, sabe de cor as suas pinturas e faz questão de me deixar na porta.
Confesso que eu ainda não havia percebido a magnitide que ele tinha tomado. Não estava na culturata que a antecedeu.Acompanhei por informes de amigos e essa era a minha primeira participação direta na ocupação.Pois é,a globo cobriu a repercussão é outra!
Uma vez dentro dele, não consigo me livrar da desconfortável sensação de que a qualquer momento a polícia iria invadir o local e prender todo mundo. Minha ignorância ao invés de proteção garantia-me sofrimento. Discretamente, comecei a perguntar sobre o litígio judicial,enquanto observava minhas rotas possíveis de fuga.Tentava compreender e mensurar o risco que estaria correndo naquele momento.
Vamos às notícias :Usucapião não inclui imóvel de finalidade comercial.Vale apenas para uso residencial e,mesmo assim, quando a pessoa comprovar ser aquela sua única moradia possível.Demais, é necessário morar no objeto da ação há pelo menos cinco anos sem reclamação de posse de seu proprietário. A UNE já teria conquistado o terreno desde 1994, e o empresário alegaria estar pagando aluguel para a entidade, o que não era verdade.
Tranquilizado pelas notícias, compreendo que o antigo proprietário nenhum direito sobre o mesmo teria.Logo, estava livre de apanhar da polícia.
Socializo-me. Converso um pouco com as integrantes dos movimentos e participo da reunião. À certa altura, somos levados à interrompê-la.Quem nos pede é uma espécie de coordenador informal dos acampados,que creio ser o Gustavo Petta,presidente da UNE.Mas,para ser sincero,não tenho certeza.Pode nem ter sido o tal coordenador.
O motivo da parada é a chegada do grande compositor Carlos Lyra.Ele mesmo, o criador de "Minha namorada" em parceria com Vinícius de Moraes.O grande sucesso da Bossa Nova que enche meu coração de alegria a cada final de semana.
Dali em diante nosso compromisso foi apenas com uma descontraída conversa ,muitas risadas e uma excelente tarde.
A reunião acabou.
Felipe Ribeiro Pinto.
P.S: Acompanhem a cobertura completa da ocupação e das reflexões pós-Bienal no site da UNE
A UNE de volta pra casa! - por Gustavo Petta
Nestes 70 anos de vida, a UNE sempre manteve alta a bandeira da democracia, da liberdade, da igualdade, da defesa da educação pública e de um Brasil soberano e mais justo. Fundada em 1937, abraçou a luta contra o nazifascismo, empunhou a bandeira nacionalista, defendendo a criação da Petrobras e, com poucos anos, se consolidou como uma das entidades mais importantes do cenário político nacional.
Sem endereço fixo, conquistou sua sede com ousadia. Foi em 1942, numa grande manifestação, que os estudantes ocuparam o prédio do Clube Germânia – reduto de simpatizantes nazistas - na Praia do Flamengo, 132. Pouco depois, o presidente Getúlio Vargas doava definitivamente o edifício à entidade.
O local rapidamente tornou-se referência para os estudantes, não só do Rio de Janeiro, mas de todo o Brasil. Ali pulsava a força da juventude, a energia que impulsionou tantas lutas fundamentais para a construção da universidade e da nação. Foi também na Praia do Flamengo, 132, que se escreveu um dos episódios mais ricos da história da cultura brasileira, o Centro Popular de Cultura – CPC da UNE.
E uma entidade cuja existência estava intrinsecamente ligada à luta pela democracia era incompatível com a ditadura militar que se iniciava em 01 de abril de 1964. Tanto, que o primeiro ato do regime de exceção foi incendiar a sede da UNE, revelando a arbitrariedade que tomaria conta do Brasil. Anos depois, já na década de 80, o antigo prédio que estava condenado foi demolido e ocupado ilegalmente por um estacionamento.
Retornar para sua sede depois de tantas jornadas tem sido uma luta permanente da UNE. Essa é uma dívida histórica do Estado para com os estudantes brasileiros e um dos atos simbólicos para superar definitivamente um período tão duro para o povo deste país.
O presidente Itamar Franco, atendendo à reivindicação dos estudantes, devolveu legalmente a escritura do terreno da Praia do Flamengo para a entidade. Porém, as dificuldades da justiça impediram que a UNE tomasse posse da propriedade dos estudantes. Dez anos depois, o prefeito do Rio, César Maia, interditou por motivos administrativos o estacionamento que lá funciona clandestinamente, mas ele permanece, impune, irregular.
No ano em que completa 70 anos e durante a realização do maior evento cultural de juventude do continente – a 5ª Bienal de Arte, Cultura e Ciência da UNE, os estudantes brasileiros reencontram sua história e, mais uma vez, com a ousadia e determinação que marcam a trajetória da UNE reocupam sua sede para nela fincar a bandeira da democracia.
A UNE está de volta para casa. Esse Rio de Janeiro que tanto abraça a nossa entidade. Essa casa que será, como antes, a referência da luta pela Universidade Pública, pela democratização do acesso ao Ensino Superior, em defesa do desenvolvimento nacional, da distribuição de renda, da produção cultural universitária, do respeito à diversidade que são os desejos dos milhões de estudantes deste país.
A UNE está de volta para casa. Por que cada Centro Acadêmico, cada DCE, cada Centro Universitário de Cultura e Arte –CUCA, que são as várias casas da UNE espalhadas pelo país querem, exige, que a sua entidade retorne ao seu primeiro lar, para nele dar à luz a outras lutas, a novas idéias sempre em sintonia com os desafios de cada época.
A UNE está de volta pra casa. E em sua nova sede, um presente do arquiteto Oscar Niemeyer, vai construir para os estudantes e para os cariocas um Centro Cultural e o Museu da Memória do Movimento Estudantil, para manter sempre viva a chama da nossa luta. A assinatura de Niemeyer neste projeto revela a simbologia do retorno da entidade dos estudantes para a Praia do Flamengo, como um ato de reafirmação da democracia. Ao ganharem corpo na nova sede, os traços únicos de Niemeyer, irão revitalizar a região, oferecendo à comunidade mais uma alternativa cultural.
A UNE voltou pra casa, e voltou para ficar! Venha nos fazer uma visita, as nossas portas estarão sempre abertas.
GUSTAVO PETTA - PRESIDENTE DA UNE
domingo, fevereiro 04, 2007
comentários
Reconhecendo a relevância do evento e a excelente inflexão sugerida a partir dele, percebo em seu próprio aspecto inovador a necessidade e a relação direta com sua eficácia, que a exposição de reflexões que apontem variáveis críticas e aperfeiçoamentos demandados lhe apresentam.Ressalvando-se, ainda, o fato de que não tive oportunidade de ler os trabalhos selecionados, aproveito a chance para expor algumas impressões :
1. A UNE não fez uma boa divulgação do evento. Muitos estudantes sequer sabiam da mostra de pesquisas acadêmicas. Melhor informados, os estudantes da UFRJ e outras grandes universidades ausentes no evento poderiam se preparar para o mesmo e encaminhar suas pesquisas.
2. Faltou motivação. A premiação era tímida.Compreendemos o viés acadêmico da Bienal mas acreditamos que pelo menos uma isenção no pagamento da inscrição poderia ser distribuída aos que tivessem seus trabalhos selecionados.
3. A metodologia que, segundo o professor , poderia ter sido melhor elaborada, assim como suas críticas epistemológicas que denunciam uma predominância aparentemente positivista nos trabalhos, a priori parecem-me consequência dos problemas apontados acima.
4. Obviamente cabe também uma análise sobre a atual ação político-social da UNE. O que será debatido com maior profundidade em momento oportuno. Esse ano haverá eleição da sua direção e no seu último CONEB ( congresso nacional das entidades de base da UNE ) ,CA's de todo o Brasil escolheram que cada universidade escolherá seus delegados responsáveis por deliberar a respeito da chapa a ser eleita no CONUNE ( congresso da UNE ) para dirigir a entidade.
Na prática, esse sistema promete atrair maior participação do corpo discente promovendo debates e discussões políticas e estratégicas, combatendo os supostos votos de cabrestro e/ou amizade costumeiramente denunciados por correntes de oposição a atual corrente majoritária e que servem de fundamento às críticas da CONLUTE, entidade que se propõe alternativa à UNE.
Até lá. Um grande abraço a todos !
Debatendo Administração e Economia numa ensolorada manhã de domingo: Minhas impressões sobre a 5ª Bienal da UNE
Por José Luis Felicio Carvalho (Zeca)
Professor Adjunto – FACC/UFRJ
Depois de ter meu nome indicado por Felipe Ribeiro Pinto, estudante de Administração da UFRJ, e a convite dos organizadores do evento, participei como provocador da 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da UNE (União Nacional dos Estudantes), que ocorreu na última semana de janeiro. A sessão para a qual fui designado reuniu nove trabalhos das áreas de Administração e Economia. Segundo os anfitriões do evento, pela primeira vez a Bienal da UNE abriu espaço para pesquisas na área científica – antes predominavam trabalhos em Arte e Cultura.
A sessão de que participei foi aquela que teve o maior número de trabalhos selecionados, o que demonstra a importância crescente da área de gestão, economia e negócios no universo estudantil. A sala que abrigou o debate ficou cheia do início ao fim, contando inclusive com a participação de mestrandos e estudantes secundaristas. Pelo que pude apurar, eu era o único carioca presente na sala, além dos mediadores da UNE. A despeito de o evento realizar-se em nossa cidade, talvez em função do dia ingrato – domingo de manhã – e do calor abrasador que fazia do lado de fora, os estudantes de nossa cidade deixaram de marcar presença nesse importante debate.
Vale observar que, dos nove trabalhos sob minha responsabilidade, três haviam sido produzidos pela UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Outras escolas que enviaram representantes foram Unicamp, UFS (Sergipe), UFJF (Juiz de Fora) e UFRGS (Rio Grande do Sul), entre outras. Curiosamente, não estavam presentes representantes das cidades do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte e de São Paulo na sessão, o que mostra que os estudantes das maiores universidades situadas nas três maiores capitais do país ignoraram solenemente a Bienal. Também não havia trabalhos produzidos por estudantes de instituições particulares de ensino, o que marca possivelmente mais uma grande diferença entre os alunos da rede privada e os da rede pública em nosso país.
Apesar de o tema da 5ª Bienal da UNE referir-se à integração Brasil-África, os trabalhos apresentados na sessão de Administração e Economia não fizeram qualquer menção ao nosso continente-irmão. Apenas uma das pesquisas enunciou uma preocupação discreta com a cultura afro-brasileira, ao discorrer sobre os impactos de determinadas transformações econômicas numa comunidade localizada no interior de Minas Gerais.
Minha presença no evento não comportava a tarefa de avaliador das pesquisas segundo critérios de cientificidade, caso contrário meu julgamento teria sido desfavorável à grande maioria dos trabalhos apresentados. Apenas duas das nove pesquisas traziam indicativos de que haviam sido conduzidas com certo rigor acadêmico, amparadas por metodologia robusta e imbuídas de relevância. As demais estavam fracamente amparadas por diretrizes metodológicas escoradas por critérios ad hoc estabelecidos sem qualquer coerência. Entretanto, não era minha atribuição apontar estes problemas. A questão que se apresentava era discutir as idéias suscitadas por cada trabalho, empreendendo uma reflexão coletiva que envolvesse os estudantes em um debate capaz de integrar as diversas perspectivas ali apresentadas. O nome de minha função – provocador – implicava instigar os alunos de modo generoso, não estabelecer comparações entre a qualidade dos textos ou oferecer preleções para os presentes. Sugeri que todos formassem uma grande roda, pois não queria me colocar no lugar do professor que sabe tudo. Eu não estava em minha sala de aula, mas na UNE, na casa dos estudantes, ali eu era o convidado.
As idéias trazidas pelos alunos foram bastante tímidas e comedidas, e percebo que faltou ousadia aos pesquisadores. Uma vez que os trabalhos não estavam sendo avaliados em função de consistência epistemológica ou robustez metodológica, seria oportuno trazer novas possibilidades de reflexão e ação capazes de mobilizar a participação de outros na discussão dos problemas apontados. Infelizmente, apenas um ou dois textos conseguiram atender a essa configuração.
Tradicionalmente, as áreas de Administração e Economia são tidas como conservadoras, com raras exceções. Não existem muitas escolas com tradição acadêmica em questionar o sistema produtor, e os alunos presentes à Bienal pareciam dispostos a seguir seus mestres. De forma geral, mesmo os temas mais controversos e supostamente afeitos a um tratamento menos conformista estavam submetidos à instrumentalidade própria do universo dos negócios. Fala-se em empreendedorismo como solução para os males das comunidades carentes, sem abordar a questão de que a ideologia dominante festeja o empreendedor como indivíduo capaz de impulsionar o capitalismo em função da diretriz do “cada um por si”. Discorre-se acerca do conceito de “capital humano” sem atentar para o fato de que esta mesma representação discursiva é extremamente problemática do ponto de vista sócio-político.
Em geral, senti falta de argumentos capazes de permitir a transcendência do mundo dos negócios para uma perspectiva mais ampla, capaz de abarcar de forma mais compreensiva as contradições do sistema, as lacunas decorrentes do materialismo, os conflitos decorrentes da oposição primária entre capital e trabalho, as muitas facetas embutidas nos desequilíbrios injustos que assolam nossas sociedades, principalmente quando são considerados os estragos da dominação mercantilista, depois capitalista, sobre a África, tema central da Bienal. Foram perdidas diversas chances de se fazer essa ponte, ao menos no âmbito teórico. A ausência de relações com a dimensão sócio-política também me preocupou, afinal, estávamos em um evento organizado pela UNE, que tem um passado glorioso de resistência e de enfrentamento ao sistema.
Por fim, resta registrar que, apesar de todos estes pontos falhos, a sessão de Administração e Economia da 5ª Bienal reuniu uma brava turma de estudantes oriundos de todos os recantos do Brasil – muitos dos quais tiveram enormes dificuldades em fazer a viagem ao Rio de Janeiro, como foi o caso dos estudantes do Maranhão, que viveram uma aventura penosa e sofrida de três dias. Todos estes alunos merecem ser parabenizados por seu esforço e pelo pioneirismo. São desbravadores. Pela primeira vez a Bienal da UNE trata de ciência, e pela primeira vez, falou-se em Administração e Economia. Não podemos idealizar uma sessão melhor do que aquela que presenciei, precisamos compreender que este primeiro encontro foi proveitoso e fértil, e esperar que na próxima Bienal algumas críticas como aquelas que deixo aqui tenham sido absorvidas, digeridas e sejam respondidas por meio de trabalhos ainda melhores.
